terça-feira, 12 de abril de 2011

DÍVIDAS: COMO SE LIVRAR DELAS

Cartão de Crédito, Cheque Especial, Cheque Ouro, Empréstimo com Consignação, CDC, Financeiras, Agiota, Fatura, todos são termos bem conhecidos desta geração endividada.

Há muitos anos, quando fiz um Curso de Pós-Graduação em João Pessoa-PB, lembro que a Aula Inaugural foi proferida pelo Arcebispo da cidade, que falou sobre informática, e cujo Tema era Analfabetos Virtuais. Hoje, podemos dizer que estamos no meio de uma geração de Analfabetos Financeiros. E como já diziam nossos pais “Em terra de cego, quem tem olho é rei”, é assim também com respeito a finanças. E como já dizia Oséias - 4:6 – “O meu povo está sendo destruído, porque lhe falta conhecimento”, podemos dizer também que a nossa geração está sendo destruída pelas dívidas, porque lhe falta conhecimento financeiro.

Salomão, o homem mais sábio que já existiu, exceto Jesus, escreveu que “O QUE TOMA EMPRESTADO É ESCRAVO DO QUE EMPRESTA”. (Pv.22:7). De quem você é escravo? Dos Bancos? Das Financeiras? Dos Agiotas? De quem?

O QUE É DÍVIDA?
Existem vários tipos de dívidas, mas estou falando de dívida financeira. Quem ganha mil reais por mês, e gasta novecentos, a longo prazo será um milionário. Mas quem ganha mil reais por mês, e gasta mil e cem, a longo prazo, será um mendigo, pois terá de se endividar. A dívida é uma tentação, pois, tentação é você comer hoje, o que só deveria comer amanhã. Salomão diz ainda que há tempo para todo propósito debaixo do céu.(Ec.3). Dívida é você pegar algo antes do tempo. Se Você juntar dinheiro para comprar um carro usado, durante três anos, no final dos três anos é o tempo do propósito de ter o carro. Se, porém, você quiser pegar o carro agora, você terá de financiar, e ficará escravo do Banco, além do pagar o dobro do preço. A dívida é uma tentação, pois o diabo tentou induzir Jesus a se endividar. Na primeira tentação ele sugeriu que Jesus, que estava com fom e, transformasse pedras em pão. Como não era hora para esse propósito, Jesus recusou. E quando chegou o tempo do propósito “eis que chegaram os anjos e o serviram.” (Mateus 4:11). Na segunda tentação, ele sugeriu que Jesus se lançasse do pináculo do templo, para que os judeus o reconhecessem como o Messias. Como não era o tempo para esse propósito, Jesus recusou. Mas quando chegar o tempo “olharão para mim, a quem traspassaram; e o prantearão como quem pranteia por um unigênito; e chorarão amargamente por ele, como se chora amargamente pelo primogênito.”(Zc. 12:10). Na terceira tentação, ele ofereceu a Jesus toda a autoridade sobre os reinos do mundo, em troca de adoração, mas Jesus recusou, pois não era o tempo certo dele assumir a autoridade sobre os reinos do mundo. Porém, depois de sua ressurreição, ele apareceu aos discípulos, e disse: “Toda a autoridade me foi dada nos céus e na t erra.” Era o tempo de assumir o governo, sem se endividar. Tem muitos homens hoje, se endividando, por se deitarem com uma moça, antes da hora certa, o casamento, e, depois, casam por obrigação, mesmo sem gostar, pois já não são livres. “Comeram o lanche antes do recreio” como se diz no popular. Assim, as pessoas que lhe oferecem algo, fora da hora, seja dinheiro, seja sexo, estão fazendo o papel de tentador, na sua vida, para lhe escravizar, mesmo que não saibam.

COMO SE LIVRAR DAS DÍVIDAS

1. Assuma o controle delas, colocando-as na ponta do lápis, no papel, não as ignorando. Adquira uma calculadora, e calcule tudo o que você vai comprar, para saber se pode, ou não, para não se endividar mais.
2. Reconheça que você precisa mudar a sua maneira de pensar sobre finanças, dinheiro, dívidas, compras. A palavra arrependimento, metanóia, significa isso mesmo, mudança de mente, renovar a mente, mudança de padrão de pensamento, se esclarecer.
3. Adquira livros sobre o tema Educação Financeira, se alfabetize, pois em toda livraria que se preze, hoje, não faltam livros sobre esse tema. Não é gasto, é investimento.
4. Deixe as desc ulpas de lado – tem gente que diz: eu não gosto de ler. Mas tem gente que também não gosta de trabalhar, nem de hospital, nem de tomar remédio. Ler é como tomar remédio contra a doença da ignorância. E tem remédio que tem gosto bom.
5. Adquira hábitos contra o desperdício. Na primeira multiplicação dos pães, Jesus conclui dizendo aos discípulos:” Recolhei os pedaços que sobejaram, para que nada se perca.” Não desperdice tempo, nem dinheiro, nem comida, nem palavras.
6. Pense como rico e não como pobre. O rico faz questão até pelos centavos, mas o pobre diz “deixa pra lá” e aceita bombom como troco.
7. Seja diligente, trabalhador, pois uma das causas da pobreza é a preguiça. Novamente é Salomão quem o diz. “Ó preguiçoso, até quando ficarás deitado? Quando te levantarás do teu sono? Um pouco de sono, um pouco tosquenejando, um pouco encruzando as mãos, para estar deitado, assim te sobrevirá a tua pobreza como ladrão, e a tua necessidade, como um homem armado.” (Pv.6:9-11).
8. Liberte-se dos hábitos do consumismo, do imediatismo, pois isto está na cultura, mas você não é obrigado a adotá-los.
9. Não adote um padrão de vida que você não possa sustentar, pois isso é suicídio. Se você não pode ter carro, tenha uma moto; se não pode ter uma moto, tenha uma bicicleta; se não pode ter uma bicicleta, ande de ônibus, ou vá a pé.
10. Acredite que a pessoa que não tem nada, está numa boa posição, pois quem está mal é aquele que está devendo. Quem não tem nada, está no zero, e quem está devendo está abaixo do zero. Quem não tem nada, está no ponto de começar a adquirir o seu patrimônio, sem ter de primeiro ter de pagar as dívidas.
11. Honre a Deus com o que você tem, pois, por mais que você faça, não é suficiente sem a bênção, pois “a bênção de Deus é que faz prosperar”. “E semeou Isaque naquela mesma terra e colheu, naquele mesmo ano, cem medidas, PORQUE O SENHOR O ABENÇOAVA.” (Gn.26:12).

segunda-feira, 11 de abril de 2011

A CHACINA DE REALENGO

A matança de doze crianças em uma escola do bairro de Realengo, no Rio de Janeiro, deixou o Brasil inteiro com um sentimento de perplexidade e desamparo. Nessas horas cada um tem uma opinião a respeito dos motivos que levaram o atirador a praticar tal ato. Psiquiatras, psicólogos, e outros estudiosos do comportamento humano, se revezam tentando explicar e diagnosticar a mente do criminoso. As explicações vão desde BULLYING até esquizofrenia. Eu também, como estudioso do comportamento humano, pela ótica da Bíblia, quero dar a minha opinião. E para isso, quero tomar por base um texto que está em II Rs. 2:23-25.

“

Então, subiu dali a Betel; e, subindo ele pelo caminho, uns adolescentes
Saíram da cidade, e ZOMBAVAM dele, e diziam-lhe; sobe, calvo, sobe, calvo!
E, virando-se ele para trás, os viu e os amaldiçoou no nome do Senhor;
Então, duas ursas saíram do bosque e despedaçaram quarenta e dois daqueles pequenos.”


No caso de Realengo foram doze adolescentes, e no caso da Bíblia, foram quarenta e dois mortos. No caso de Realengo as armas que foram usadas foram dois revólveres, e no caso de Eliseu, as armas que foram usadas, foi a maldição, que é a autorização para a ação de demônios, que instrumentalizaram duas ursas para matarem as crianças. Antes que alguém discorde, é bom lembrar que no caso do gadareno, em Marcos 5, os demônios entraram em cerca de dois mil porcos, que se suicidaram no mar da Galiléia. Porém, o que eu quero elucidar é a motivação que o assassino de Realengo teve, para matar as crianças, ou melhor, adolescentes. Providencialmente a Bíblia diz qual foi a motivação de Eliseu. “ZOMBAVAM DELE” é o que diz a Bíblia. Então Eliseu foi vítima de BULLYING. Ou será que o profeta de Deus sofria de ESQUIZOFRENIA? Pelo visto, não, pois ele tinha boas relações familiares, segundo nos é informado em I Rs. 19:20, quando foi convocado pelo profeta Elias, para ser seu sucessor. “Deixa-me beijar meu pai e a minha mãe e, então, te seguirei.” Pelo que vi no noticiário, esse rapaz, que matou os adolescentes, tinha sido vítima de zombaria e de desprezo por parte de outras pessoas, desde a mais tenr a idade. E o fato de ele ter preferido matar meninas, parece indicar uma mágoa, um ressentimento, em relação a elas. Talvez por ser tímido e inseguro, e desejasse namorar, ou mesmo a atenção das moças, que seus colegas mais confiantes e bem nascidos, conseguiam. É claro que nada disso justifica o ato tresloucado e cruel de matar “esses brasileirinhos”. Não estamos querendo justificar, mas tentar achar a verdadeira causa da tragédia, para evitar a sua repetição. O certo é que coração, leia-se, a mente, é terra que ninguém conhece. Porém, a Bíblia sentencia, por meio do profeta Jeremias: “ENGANOSO É O CORAÇÃO, MAIS DO QUE TODAS AS COISAS, E PERVERSO; QUEM O CONHECERÁ?”. (Jr.17:5). Às vezes uma palavra de zombaria, de desprezo, de sarcasmo, de ironia, pode desencadear num coração já ferido uma tempestade, como reação. O apóstolo Paulo aconselha que não devemos usar palavra depreciativas “nem torpezas, nem parvoíces, nem chocarrices (sarcasmo), que não convém”. (Ef.5:1-4). E no mesmo texto ele ainda aconselha “Irai-vos e não pequeis; não se ponha o sol sobre a vossa ira. Não deis lugar ao diabo.”(Ef.4:26,27). Não conhecemos o coração de ninguém, pois o que para uma pessoa, não significaria nada, para outra pode ser motivo de ódio e vingança. No caso de Esaú e Jacó, só o fato de Jacó ter se aproveitado de um momento de fraqueza, quando estava com fome, e lhe comprado a primogenitura, e depois ter lhe roubado a bênção, com a cumplicidade da mãe, gerou em Esaú ódio e furor, que o levou a planejar a morte de seu irmão. (Gn.27:41-46). É também o homem mais sábio que já existiu, exceto Jesus, quem dá o diagnóstico correto sobre o comportamento humano: “Aquele que odeia dissimula com os seus lábios, mas no seu interior encobre o engano. Quando te suplicar com a sua voz, não te fies nele, porque sete abominações há no seu coração. Ainda que o seu ódio se encobre com engano, a sua malícia se descobrirá na congregação.” (Pv. 26:24-26).

Aliás, quando Jesus foi crucificado “os príncipes zombavam dele” “os soldados escarneciam dele” “E um dos malfeitores...blasfemava dele”. Então ZOMBARIA, ESCÁRNIO, E BLASFÊMIA, foi o que Jesus sofreu. Mas não amaldiçoou ninguém, nem matou ninguém, pelo contrário, orou pelos seus algozes. “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem.”(Lc.23:34). Para desativar as bombas que estão sendo armadas agora, trate todo mundo bem, não despreze,não zombe, pois “a resposta branda desvia o furor, mas a palavra dura suscita a ira.” (Pv. 15:1).

quinta-feira, 17 de março de 2011

O QUE ACONTECIA NAS CASAS

“E, perseverando unânime todos os dias no templo e partindo o pão em casa, comiam juntos com alegria e singeleza de coração...E todos os dias , no templo e nas casas, não cessavam de ensinar e de anunciar a Jesus Cristo.” (At.2:46; 5:42).



INTRODUÇÃO

Para que uma ave voe, ela tem de ter duas asas. A igreja que tem somente a reunião pública, é como um pássaro com somente uma asa. A igreja primitiva tinha reuniões no templo e nas casas. Hoje ainda tem muitas igrejas que tem reuniões somente no templo. O moderno movimento de células, é o resgate da reunião nas casas. Vejamos o que acontecia nas células da igreja primitiva.

1. O SUPRIMENTO DAS NECESSIDADES DOS DISCÍPULOS

“Vendiam suas propriedades e fazendas e repartiam com todos, segundo cada um tinha necessidade” (At.2:45); “Não havia , pois, entre eles necessitado algum...E repartia-se a cada um, segundo a necessidade que cada um tinha.” (At.4:34,35).

“O meu Deus, segundo as suas riquezas, suprirá todas as vossas necessidades em glória, por Cristo Jesus.” (Fl. 4:19).

a) Necessidade de alimento - At. 2:42,46 – partindo o pão.

b) Bebida - Mt.6:25 – não andeis ansiosos pelo que haveis de beber.(6:25-34).

c) Vestimenta - Mt.6:25-33 - Olhai para os lírios do campo.

d) Cura de enfermidades - At.5:15

e) Libertação - At. 5:16

2. LOUVOR - At. 2:47; Salmo 150.

3. CRESCIMENTO - At.2:47b, 6:1.

4. MULTIPLICAÇÃO - At.6:7

5. ENSINO, DIDAKÊ - At. 2:42.

6. ORAÇÕES - At.2:42; 1:14; 4:31.


CONCLUSÃO
A Igreja primitiva é o modelo para as igrejas de todos os tempos e lugares. Certamente que a igreja da Coréia do Sul, ao adotar o modelo de grupos familiares, ou células, estava seguindo o modelo da Primitiva Igreja. A Igreja de Bogotá ao adotar as células e conceber o modelo dos doze, estava seguindo o modelo da igreja primitiva e o exemplo de Jesus. A igreja brasileira tem adotado esses modelos, e tirando a polêmica que sempre acontece quando o Espírito Santo renova a igreja, o saldo é positivo. O teste para a igreja deve ser o mesmo que Jesus indicou para os falsos profetas: pelos frutos os conhecereis. Devemos é imitar o que é bom, o que dá fruto, e lançar fora o que não é bom, como Paulo aconselhou a respeito das profecias. “Não desprezeis as profecias. Examinai tudo. Retende o bem. (I Ts.5:20,21).

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

O CRENTE PODE PERDER A SALVAÇÃO?

INTRODUÇÃO

A resposta não é fácil nem simples, para começar. Podemos polemizar por vaidade ou por necessidade. Espero que a minha motivação seja esta última. Alguns até dizem hoje que não devemos polemizar, pois é falta de amor, é pecar contra a unidade da igreja. Será? E o que dizer de Paulo? “E Paulo, como tinha por costume, foi ter com eles(os judeus); e por três sábados DISPUTOU com eles sobre as Escrituras.” (At.17:2). E ainda “Porque há muitos desordenados, faladores, vãos e enganadores, principalmente os da circuncisão, aos quais convém tapar a boca; homens que transtornam casas inteiras ensinando o que não convém, por torpe ganância.” (Tt.1:10,11). Parece que Paulo não pensava assim.

1. O JUÍZO TEMPORAL DE DEUS
Este é o castigo ou disciplina de Deus, agindo como juiz ou como pai, sobre crentes ou descrentes. “Se alguém vir pecar seu irmão, pecado que não é para a morte, orará, e Deus dará a vida àqueles que não pecarem para a morte. Há pecado para a morte, e por esse não digo que ore. Toda a iniqüidade é pecado, e há pecado que não é para a morte.” (I Jo. 5:16,17). É claro que esta morte de que fala o texto, não é morte espiritual, mas morte física. É o mesmo caso de I Co. 5:5, texto conhecido como o “incestuoso de Corinto”: “Seja entregue a Satanás para a destruição da carne, para que o espírito seja salvo no dia do Senhor Jesus.” Nem todo pecado tem como pena a morte, pois mediante a confissão e oração de outro crente (preferentemente seu líder), haverá perdão. “E a oração da fé salvará o doente, e o Senhor o levantará; e, se houver cometido pecados, ser-lhe-ão perdoados. Confessai as vossas culpas uns aos outros, e orai uns pelos outros, para que sareis.” Portanto, essa idéia de dizer que todos os pecados são iguais, não é verdadeira. Há pecados mais graves e menos graves, e conforme for, a pena pode ser de morte, ou outra qualquer, como em I Co. 11:30 “Por causa disto há entre vós muitos fracos e doentes, e muitos que dormem.”

Em Ezequiel 3:16-21 tem um texto interessante, que pode ser juízo temporal, mas é um princípio que se aplica à morte espiritual. Deus diz ao profeta Ezequiel: 
“Quando eu disser ao ímpio: certamente morrerás; e tu não o avisares, nem falares para avisar o ímpio acerca do seu mau caminho, para salvar a sua vida, aquele ímpio morrerá na sua iniqüidade, mas o seu sangue, da tua mão o requererei. Mas se avisares ao ímpio, e ele não se converter da sua impiedade e do seu mau caminho, ele morrerá na sua iniqüidade, mas tu livraste a tua alma. Semelhantemente, quando o justo se desviar da sua justiça, e cometer a iniqüidade, e eu puser diante dele um tropeço, ele morrerá; porque tu não o avisaste do seu pecado, morrerá; e suas justiças, que tiver praticado, não serão lembradas, mas o seu sangue, da tua mão o requererei. Mas, avisando tu o justo, para que não peque, e ele não pecar, certamente viverá; porque foi avisado; e tu livraste a tua alma.” 
É muito parecido com a Grande Comissão em Marcos 16:15,16 “Ide por todo o mundo , pregai o Evangelho a toda criatura. Quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado.” E esta palavra de Paulo em At. 20:26,27, aos presbíteros da igreja de Éfeso: “Portanto, no dia de hoje, vos protesto que estou limpo do sangue de todos. Porque nunca deixei de vos anunciar todo o conselho de Deus.” A salvação e sangue de Marcos e Atos, devem se referir à salvação eterna.


2. O JUSTO E O ÍMPIO

Quando lemos a Bíblia ou ouvimos o ensino e a pregação da mesma, podemos não atentar para diferença entre a palavra JUSTO e a palavra ÍMPIO. Era o que eu fazia até recentemente, quando o Espírito Santo me levou a entender a importância dessas duas palavras. Por exemplo, eu ouvia pregadores e crentes em geral dizerem: "nós somos pecadores”. Até lembro de um certo pregador que disse: ”nós, os crentes, somos pecadores, e as pessoas do mundo são ímpios”. Mas a palavra de Paulo em Rm.5:8,9 me deixava intrigado: “Mas Deus prova o seu amor para conosco, em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores. Logo muito mais agora, tendo sido justificados pelo seu sangue, seremos por ele salvos da ira.” Ou seja, antes de Cristo morrer por nós, éramos pecadores, mas depois, nos tornamos justos. Tanto a palavra pecador tem sinônimos, como a palavra justo. No salmo 1, as palavras pecadores, ímpios, escarnecedores, são sinônimos. Tem também injustos. Do outro lado, as palavras Santo, justo, e outras semelhantes se referem ao homem convertido. Na parábola das dez virgens, tem as cinco sensatas e as cinco loucas. São duas categorias de pessoas. Toda a humanidade está dividida entre essas duas categorias. Ou você é justo, ou você é pecador. Tem pecador religioso, dentro da igreja, como tem justo. E pode ter justo fora da igreja institucionalizada, embora, o normal é que o justo esteja dentro da igreja como corpo de Cristo. Então, o crente não é pecador, mas justo. Isto não quer dizer que o crente não peca, pois é certo que ainda peca. Mas o pecado na vida do crente, deve ser uma exceção, não a regra. “Meus filhinhos, estas coisas vos escrevo, para que não pequeis; e, se alguém pecar, temos um advogado para com o Pai, Jesus Cristo , o justo.” Muitos homens jogam futebol, mas não são jogadores profissionais, como Ronaldinho, Robinho, Messi, e outros. O crente peca ainda, mas é um perna-de-pau do pecado. O pecador é um profissional do pecado, é um craque do pecado, é da natureza dele pecar. Se o crente peca, sua consciência fica abrasada e não tem paz, enquanto não confessar pecado a alguém. Se alguém que se acha crente peca, e convive bem com o pecado, é possível que seja um pecador. Talvez ele mesmo não saiba.



3. O CRENTE PODE PERDER A SALVAÇÃO - Tg. 5:16-20.

a) “A oração feita por um JUSTO pode muito em seus efeitos” (V.16B).

Durante muito tempo eu também tive dificuldade de entender essa afirmação de Tiago. Até que este conceito sobre o justo e o ímpio me foi revelado. O conceito de justo na Bíblia é de alguém que foi justificado, e que pratica a justiça e o juízo:
“Quando eu também disser ao ímpio: certamente morrerás; se ele se converter do seu pecado, e praticar juízo e justiça, restituindo esse ímpio o penhor, indenizando o que furtou, andando nos estatutos da vida, e não praticando iniqüidade, certamente viverá, não morrerá.” (Ez.33:14,15). 
O texto clássico da justificação pela fé já fala dessas duas operações, uma divina, e outra humana. A parte divina é a graça, mediante o arrependimento e a fé. A parte humana é praticar as boas obras já preparadas de antemão por Deus, porque a fé sem as obras é morta. 
 “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus. Não vem das obras para que ninguém se glorie; porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas.” 
 Não somos salvos pelas obras, mas para praticar as boas obras. As boas obras são a evidência de que fomos realmente salvos. Conforme o ensino de Tiago, as obras confirmam que a fé é verdadeira. Mas o que estamos querendo descobrir é se alguém que genuinamente se converteu, pode cair da graça. A apostasia tem duas faces: os que abandonam a fé e vão embora do convívio da igreja, e os que permanecem desviados dentro da igreja. Mas o caso é que a oração poderosa não é só de um profeta, como Elias, nem de um apóstolo como Paulo, mas de qualquer que for justo e não pecador, seja religioso ou mundano.

b)”Irmãos, se algum dentre vós...” (Tg.5:19) – Tiago está falando de um crente da igreja, supostamente justo, pois o mesmo se desviou da verdade. O desvio pode ser geográfico ou na conduta. Neste caso parece ter sido na conduta. Antes ele era convertido, mas deixou de ser convertido, aponto de precisar ser convertido de novo. Se ele não fosse convertido, não poderia ter se desviado da verdade. “Arrependei-vos , pois, e convertei-vos, para que sejam apagados os vossos pecados...” (At.3:19).

c) “Saiba que aquele que fizer converter do erro do seu caminho um PECADOR, salvará da morte uma alma, e cobrirá uma multidão de pecados.” (Tg.5:20). Este “alguém” hipotético é chamado agora de pecador. Pecador, como já vimos não é justo, não é convertido. O verbo desviar indica sair de uma rota original. Tudo indica que esta pessoa era antes convertida, mas desviou-se, voltando à prática do pecado, e aí se tornando de novo pecador. Parece até jogador de futebol, que depois de abandonar o esporte, depois de vários anos, passa a ter saudade da torcida, dos gramados, do glamour, e volta a jogar. No começo está fora de forma, mas depois vai pegando jeito, até se tornar um craque de novo. Tem crente que já até havia deixado de ser um pecador contumaz. Mas sente saudade dos prazeres do mundo e da carne, e volta a praticá-los, até se to rnar de novo um craque na prática do pecado. E não adianta dizer que esta pessoa nunca foi crente, pois este argumento é uma simplificação, na verdade uma fuga de enfrentar um problema difícil. 
Jesus disse “Mas aquele que perseverar até ao fim será salvo”(Mt.24:13). Mas alguns dizem que todo aquele que é salvo já trás a perseverança embutida no pacote. Essa doutrina chama-se A Perseverança dos Salvos. Mas a fórmula de Jesus é: 1. CRER; 2. PERSEVERAR; 3. SER SALVO= FÉ, PERSEVERANÇA. SALVAÇÃO. A outra fórmula inverte as palavras de Jesus e diz: 1. CRER; 2. SER SALVO; PERSEVERAR= FÉ, SALVAÇÃO, PERSEVERANÇA. Não preciso dizer que é um perigo inverter as palavras da Escritura. Até a ordem em que aparecem as palavras tem uma razão de ser. Até o diabo sabe que o crente pode perder a salvação. É por isso que o diabo até a hora da morte do crente, luta para fazê-lo apostatar. Aí está uma boa notícia. O diabo não está interessado em matar você. Ele quer tentá-lo até você blasfemar contra Deus. Eu disse blasfemar, por que o pecado de blasfêmia é o que pode colocar você em maus lençóis com Deus. Toda a luta de Satanás contra Jó era para fazê-lo blasfemar. E até Saulo, quando estava sendo usado pelo diabo fazia isto. “E, castigando-os muitas vezes por todas as sinagogas, os obriguei a blasfemar. E, enfurecido demasiadamente contra eles, até nas cidades estranhas os persegui.” (At.26:11). Em Ex. 32:32, quando Moisés intercede por Israel, Ele diz a Deus: ”Agora, pois, perdoa o seu pecado, se não, risca-me, peço-te, do teu livro, que tens escrito. Então disse o Senhor a Moisés: Aquele que pecar contra mim, a este riscarei do meu livro.” E em Apocalipse 3:5 “O que vencer será vestido de vestes brancas, e de maneira nenhuma riscarei o seu nome do livro da vida.” É melhor ter cuidado para que o seu nome não seja riscado do livro da vida. “Uma vez salvo, sempre salvo” é uma doutrina questionável e perigosa.


CONCLUSÃO

Agora, irmãos, eu creio que os que ensinam de maneira contrária a esta, estão procurando dar segurança aos seus discípulos, de maneira que eles não vivam atemorizados, com medo de perder a salvação. Mas também tem o perigo de mantê-los confiando numa falsa segurança. Eu creio que é melhor se questionar agora do que no dia final. Agora ainda tem tempo de se consertar, mas no dia final não haverá mais tempo. Paulo não tinha medo de provocar insegurança na igreja de Corinto, pois escreveu: “Examinai-vos a vós mesmos, se permaneceis na fé; provai-vos a vós mesmos. Ou não sabeis quanto a vós mesmos, que Jesus Cristo está em vós? Se não é que já estais reprovados.” E ainda “E, sendo ele (Jesus) consumado, veio a ser a causa da eterna salvação para todos os lhe obedecem.”(Hb.5:9). A fé que salva é a fé que obedece. A expressão “obediência da fé” está duas vezes em romanos. (Rm. 1:5; 16:26).

sábado, 22 de janeiro de 2011

A TRAGÉDIA DO RIO DE JANEIRO

“Mandou, pois, o Senhor a peste sobre Israel; e caíram de Israel setenta mil homens.” (I Cr. 21:14).

Temos visto pela televisão os mortos sendo contabilizados na tragédia do Rio de Janeiro. Não podemos de deixar de perguntar a razão de tal catástrofe. Pois se há uma causa para tal fato, podemos também encontrar a solução. Poderíamos traçar um paralelo com o Dilúvio de Noé, o que seria certamente mais adequado, pois o motivo do dilúvio está declarado em Gn. 6:5,11,12.

“E viu o Senhor que a maldade do homem se multiplicara sobre a terra e que toda a imaginação dos pensamentos de seu coração era só má continuamente...A terra, porém, estava corrompida diante da face de Deus; e encheu-se a terra de violência. E viu Deus a terra, e eis que estava corrompida; porque toda a carne havia corrompido o seu caminho sobre a terra.” Este foi o motivo do dilúvio. Toda a humanidade foi morta pelas águas do dilúvio, com exceção de oito pessoas, Noé e sua família. De Noé é dito “Estas são as gerações de Noé:Noé era homem justo e reto em suas gerações; Noé andava com Deus.” (Gn.6:9).

Mas vamos considerar o texto de I Cr. 21. Tudo começou quando “Então, Satanás se levantou contra Israel e incitou Davi a numerar a Israel.” (I Cr. 21:1). O Diabo tem poder para colocar pensamentos e idéias na mente das pessoas. Levantar o censo de Israel foi uma idéia colocada na mente de Davi, motivada por vaidade, em virtude do grande número de guerreiros. Um milhão e quinhentos e setenta mil homens aptos para a guerra, foi o resultado do censo. Isto que Davi fez desagradou a Deus, que mandou uma peste sobre Israel, matando setenta mil homens. Podemos até pensar que Deus não foi justo, pois Davi pecou e Deus matou o povo. O grande problema nosso em não entender as atitudes de Deus, é a nossa falta de informações. Neste caso, porém, Deus nos dá uma dica. O povo não era inocente. Em II Sm.24, onde a mesma história é contada, há algumas informações adicionais. “E a ira do Senhor se tornou a acender contra Israel, e Ele incitou a Davi contra eles, dizendo: Vai, numera a Israel e a Judá.” (v.1). Afinal, Satanás não tem toda essa liberdade. Ele só pode colocar idéias na mente das pessoas com a autorização de Deus. A ira de Deus contra o povo foi o estopim de toda a tragédia. O motivo da ira não está aqui declinado, mas em outros textos. “Habitando, pois, os filhos de Israel no meio dos cananeus, e heteus, e amorreus, e ferezeus, e heveus , e jebuseus, tomaram de suas filhas para si por mulheres e deram aos filhos deles as suas filhas; E SERVIRAM A SEUS DEUSES...e serviram aos baalins e a Asterote. Então a ira do Senhor se acendeu contra Israel...” (Jz.3:5-8). A adoração de outros deuses, deuses falsos, ídolos, foi a causa da ira de Deus. Essa idolatria viola primeiro mandamento do decálogo, que é “Não terás outros deuses diante de mim.” Também em Rm. 1:18 está escrito “Porque do céu se manifesta a ira de Deus sobre toda a impiedade e injustiça dos homens...E mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível, e de aves, e de quadrúpedes, e de répteis.” Também aqui a idolatria é a causa do juízo de Deus.

No dilúvio de Noé, uma das causas, pelo menos foi a violência. No caso de Davi e outros textos, foi a idolatria. Resta perguntar: No Rio de Janeiro tem violência? Tem idolatria? Com certeza a resposta é afirmativa, pois não somente no Rio de Janeiro, mas em todo o Brasil, certamente tem muita violência e muita idolatria. Muito sangue inocente tem sido derramado diante de um Deus justo. A idolatria no Brasil se disfarça por trás de um sincretismo religioso, sendo os deuses chamados de santos, mas nem por isso menos odiosa diante de Deus. A norma bíblica é “Porque há um só Deus e um só mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo, homem.” (I Tm.2:5). “E a vida eterna é esta: que conheçam a ti só por único Deus verdadeiro e a Jesus Cristo, a quem enviaste.” (Jo.17:3). “Porque eles mesmos anunciam de nós qual a entrada que tivemos para convosco, e como dos ídolos vos convertestes a Deus, pa ra servir ao Deus vivo e verdadeiro e esperar dos céus a seu filho, a quem ressuscitou dos mortos , a saber, Jesus, que nos livra da ira futura.” (I Ts. 1:9,10). O caminho para consertar o que está errado é o arrependimento. Arrependimento é mudança, de pensamento e de comportamento. “Convertei-vos a mim de todo o vosso coração; e isso com jejuns, com choro e com pranto. E rasgai o vosso coração e não as vossas vestes, e convertei-vos ao Senhor vosso Deus; porque Ele é misericordioso, e compassivo, e tardio em irar-se, e grande em beneficência , e se arrepende do mal.” (Joel 2:12,13).

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

A IGREJA DE DAVI

“Então, Davi se retirou dali e se escapou para a caverna de Adulão; e ouviram-no seus irmãos e toda a casa de seu pai e desceram ali para ele. E ajuntou-se a ele todo homem que se achava em aperto, e todo homem endividado, e todo homem de espírito desgostoso, e ele se fez chefe deles; e eram com ele uns quatrocentos homens.” (I Sm. 22:1,2).



INTRODUÇÃO

Estamos na era do crescimento da igreja. Por todo lado, vemos e ouvimos estímulos para que a igreja cresça. Is. 60:22 dá o tom da motivação de hoje, dizendo “O menor virá a ser mil, e o mínimo, uma nação forte. Eu, o Senhor, a seu tempo o farei prontamente.” Como na época do Egito, “o povo cresceu e se multiplicou no Egito.” (At. 7:17). E ainda “E a palavra de Deus crescia e se multiplicava”, aludindo ao crescimento da igreja. (At.12:24). Vejamos alguns princípios de crescimento da igreja, que podemos aprender com a igreja de Davi.

1. EVANGELISMO POR AFINIDADE

“Seus irmãos e toda a casa de seu pai” foram as pessoas que inicialmente se uniram a ele. O motivo, certamente, era a afinidade que já existe naturalmente entre parentes.

Muitas vezes tentamos atrair pessoas que não nos conhecem, e que nós também não conhecemos. Não há nenhum vínculo entre nós. O evangelismo de porta em porta, e de casa em casa, não dá muito resultado. Não digo que não faça, pois se está sem fazer nada, qualquer tipo de evangelismo é preferível. Todavia, com respeito à eficácia, não é o melhor método. Em Atos 10:24, no começo da primeira igreja gentílica, o mesmo princípio está registrado. “E CORNÉLIO OS ESTAVA ESPERANDO, TENDO JÁ CONVIDADO OS SEUS PARENTES E AMIGOS MAIS ÍNTIMOS.” Além dos parentes, aqui é acrescentado os amigos mais íntimos. É lógico que os parentes e amigos tem uma motivação a mais para aceitarem o nosso convite, pois já nos conhecem. O estranho não tem essa motivação, mas, pelo contrário, há aquela desconfiança natural contra quem não conhecemos. Aliás, parece ser propósito de Deus, que cada pessoa que se converte, seja enviada como missionário para a sua própria família. Assim, Jesus falou para o gadareno “Vai para a tua casa, para os teus, e anuncia-lhes quão grandes coisas o Senhor te fez e como teve misericórdia de ti.” Parece fazer eco com as palavra de I Pd. 2:9 “para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz.” Portanto, faça como Davi, tente atrair para a sua igreja, seus parentes, consanguínios ou por aliança, e seus amigos, ou qualquer pessoa com quem você tenha alguma afinidade.



2. PESSOAS PROBLEMÁTICAS

“E ajuntou-se a ele todo homem que se achava em aperto, e todo homem endividado, e todo homem de espírito desgostoso.” É o público-alvo que a igreja de Davi alcançou. Pessoas com graves problemas na vida. Não eram pessoas que estavam satisfeitas com a sua condição. Eram pessoas que estavam sofrendo. Estavam com o espírito amargurado e em apertura. Só é especificado um dos motivos do sofrimento, dívida. Muitos estavam endividados. Certamente o sofrimento os levou a procurar a igreja de Davi, porque tinham uma esperança de resolver seus problemas de ordem material. Se a nossa igreja não der esperança de solução dos problemas materiais, as pessoas, normalmente, não estão conscientes de suas necessidades espirituais. A solução dos problemas que as af lige é uma isca para atraí-las para um lugar onde seus problemas espirituais serão também resolvidos. Era o que Jesus fazia. No caso do paralítico de Cafarnaum, ele foi levado a Jesus buscando solução para a sua paralisia. Mas Jesus lhe disse “Filho, perdoados estão os teus pecados.” (Mc. 2:5). Veja também estes versículos. “Porque, vede, irmãos, a vossa vocação, que não são muitos os sábios segundo a carne, nem muito os poderosos, nem muito os nobres que são chamados. Mas Deus escolheu as coisas loucas deste mundo para confundir as sábias; e Deus escolheu as coisas fracas deste mundo para confundir as fortes. E Deus escolheu as coisas vis deste mundo, e as desprezíveis, e as que não são para aniquilar as que são; para que nenhuma carne se glorie perante ele.” (I Co. 1:26-29).



CONCLUSÃO

Para que sua igreja cresça, adote esses dois princípios da igreja de Davi. Procure atrair pessoas com quem você tem afinidade, e pessoas que estão passando por dificuldades seja de ordem financeira, familiar, profissional, sentimental, psicológica, física(doença), pois Deus sabe o que passamos e quer ajudar, mas precisamos procurá-lo.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

A ALIANÇA E A CONFIRMAÇÃO

“Irmãos, como homem falo; se a aliança de um homem for confirmada, ninguém a anula nem a acrescenta.” (Gl.3:15).


INTRODUÇÃO
A Bíblia é o livro das alianças. Desde o início até o fim, ela fala de alianças. Quem não entende o que é uma aliança, também não pode entender a Bíblia. De maneira geral, a cultura ocidental também não entende bem o que é uma aliança. Em particular, o povo brasileiro não sabe bem o que é uma aliança. Até mesmo o povo de Deus, isto é, a igreja, também não sabe bem o que é uma aliança. Até porque, o conhecimento da doutrina, não depende da capacidade humana, mas de revelação. 
Neste tempo, o Espírito Santo está derramando uma verdadeira chuva de revelação, para que se cumpra o que está escrito no livro do profeta Daniel: “E tu, Daniel, encerra estas palavras e sela este livro, ATÉ AO FIM DO TEMPO; muitos correrão de uma parte para a outra, e o conhecimento se multiplicará.” (Dn.12:4). Tudo indica que estamos no fim do tempo (kronos). Vou escrever sobre três tipos de alianças, como fazê-las, e como confirmá-las.

1. ALIANÇA DE PROSPERIDADE - ESAÚ E JACÓ.
Esaú era o primogênito, já nasceu assim, não dependeu dele, mas era uma dádiva de Deus para ele, e, portanto, tinha direito à porção dobrada da herança, dupla honra. “Mas ao filho da desprezada reconhecerá por primogênito, dando-lhe dobrada porção de tudo quanto tiver.” (Dt.21:17). Mas Esaú não valorizou a Bênção que Deus lhe deu. Parece que aquilo que não nos custa nada, temos a tendência de não valorizar. Por isso, porque estava com fome, vendeu a sua primogenitura a seu irmão, por um prato de comida.


a) O RITO DA ALIANÇA – Em Gn. 25:29-34, Jacó disse a Esaú “Jura-me hoje. E jurou-lhe e vendeu a sua primogenitura a Jacó.” (v.33). No Antigo testamento, onde fala de juramento, fala de aliança, pois as alianças eram feitas por meio de juramento, invocando Deus por testemunha. No Novo Testamento, Jesus proibiu isso, quando disse: “de maneira nenhuma jureis...Seja, porém, o vosso falar: sim, sim; não, não; porque o que passa disto é de procedência maligna.” (Mt. 5:33-37). A palavra do crente empenhada, tem a força de uma juramento e de uma aliança. (Pelo menos deveria ter). Esaú fez aliança com Jacó, vendendo a sua primogenitura, mesmo que não soubesse de todas as implicações.


b) A CONFIRMAÇÃO DO LÍDER (OU SACERDOTE) - Em Gn.27, O líder, o pai, o sacerdote, Isaque, se dispõe a abençoar Esaú, seu filho predileto, talvez não sabendo que ele já não era o dono da primogenitura. No enredo que se segue, eu creio que Deus usou Rebeca para dar a Jacó, a bênção da primogenitura, que ele legalmente havia comprado. Esaú não valorizou a primogenitura porque não lhe custou nada, mas Jacó pagou um preço por ela, por isso a valorizou. É verdade que Isaque foi enganado, e abençoou Jacó pensando ser Esaú, mas Deus estava fazendo justiça. A confirmação da aliança foi esta: “Que Deus te dê do orvalho do céu, e dos lugares férteis da terra, e abundância de trigo e de mosto; sirvam-te povos, e nações se encurvem a ti; sê senhor de teus irmãos, e os filhos de tua mãe se encurvem a ti; sejam malditos os que te amaldiçoarem, e benditos sejam os que te abençoarem .” (Gn.27:28,29). Esta foi a confirmação da autoridade humana, ou do líder humano.
Observe que a bênção do líder foi precedida de uma oferta por parte do postulante à bênção. Isaque era rico e não tinha falta de nada, mas não pode dispensar a oferta, que é um princípio. Ainda que tenha pedido somente um guisado saboroso. Na verdade os dois jovens trouxeram cada um a sua oferta, mas foi abençoado aquele que chegou primeiro. Portanto, seja rápido em primiciar no seu líder.

c) A CONFIRMAÇÃO DIVINA - tem coisas na aliança que não está dentro da capacidade humana, só Deus pode fazer. Esaú passou a primogenitura para seu irmão, Isaque profetizou a bênção sobre Jacó, mas tudo poderia ficar só em palavras se Deus não fizesse a sua parte. A confirmação divina sobre a prosperidade do primogênito só foi confirmada muito tempo depois, como está escrito sobre Jacó: “E cresceu o homem em grande maneira, e teve muitos rebanhos, e servas, e servos, e camelos e jumentos.” (Gn.30:43). Jacó prosperou tanto, que somente um presente que ele mandou a Esaú, representa uma fortuna. “Duzentas cabras e vinte bodes; duzentas ovelhas e vinte carneiros; Trinta camelas de leite com suas crias, quarenta vacas e dez novilhos; vinte jumentos e dez jumentinhos.” (Gn.32:14,15). Você gostaria de ter um irmão assim?

2. ALIANÇA DE SALVAÇÃO 
a) O RITO DA ALIANÇA - é o batismo, como está em At. 8:12 “Mas, como cressem em Filipe, que lhes pregava acerca do reino de Deus, e do nome de Jesus Cristo, se batizavam, tanto homens como mulheres.” Se fosse hoje, o processo pararia aí, pois todos chegariam aos novos convertidos e dariam os parabéns, dizendo que agora está tudo certo. Mas lá não foi assim. Ainda faltava a confirmação da aliança, em duas partes, a humana e a divina.
b) A CONFIRMAÇÃO DO(S) LÍDER(ES) - apesar de que Filipe foi o evangelista que batizou aqueles samaritanos, foram os apóstolos Pedro e João, que foram enviados de Jerusalém para fazer a confirmação humana. Creio que o que aconteceu aqui, é o mesmo princípio que está em II Sm. 12:26-31 “Ora pelejou Joabe contra Rabá, dos filhos de Amon, e tomou a cidade real. Então mandou Joabe mensageiros a Davi, e disse: Pelejei contra Rabá,e também tomei a cidade das águas. Ajunta, pois, agora o restante do povo, e cerca a cidade, e toma-a, para que tomando eu a cidade, não se aclame sobre ela o meu nome. “ A ausência de vaidade e a nobreza de Joabe é um modelo para hoje, dentro do discipulado. Honrou o líder, embora soubesse de sua recente queda. De fato, Filipe, como o general Joabe, tomou a cidade de Samaria, embora a arma da conquista não fosse mais espada e lança, mas a Palavra de Deus.
Mas a glória da conquista não ficou com Filipe, mas com seus líderes, os apóstolos. “Os quais, tendo descido, oraram por eles para que recebessem o Espírito Santo...Então lhes impuseram as mãos...” (At. 8:15,17). Os líderes fizeram o que eles podiam para confirmar a aliança, oraram e impuseram as mãos. Como autoridade humana, eles fizeram a sua parte. A parte dos samaritanos foi se submeter e obedecer. Mas tudo poderia ter ficado somente em palavras e rituais, sem nenhum efeito na vida dos samaritanos, se Deus não fizesse a sua parte, a qual o homem não pode fazer.


c) A CONFIRMAÇÃO DIVINA - “e receberam o Espirito Santo. E Simão, vendo que pela imposição das mãos dos apóstolos era dado o Espírito Santo...”. (At.8:17,18).
Essa é a confirmação divina, o batismo no Espírito Santo. Como está escrito em Mt. 3:11 “E eu, em verdade, vos batizo com água, para o arrependimento; mas aquele que vem após mim é mais poderoso do que eu; cujas alparcas não sou digno de levar; ele vos batizará com o Espírito Santo, e com fogo.” Jesus é o que batiza no Espírito Santo. A igreja Católica tem o batismo (de criança e por aspersão e efusão), a Primeira Comunhão, e a Crisma. A palavra Xrisma é uma palavra grega que aparece em I Jo. 2:20 e 27 (é semelhante à palavra Xristo –pronuncia-se Crisma e Cristo -), e é traduzida em português por UNÇÃO, que é, de fato, o espírito Santo. Portanto, a igreja Católica traz no seu arcabouço teológico, as três fases de uma aliança, embora nos detalhes, pode destoar do eu estou ensinando. Também a Assembléia de Deus, justiça seja feita, desde o princípio tem ensinado e praticado as três fases da aliança da salvação. O batismo nas águas e o batismo no Espírito Santo, com oração e imposição de mãos. É claro que o objetivo da aliança de salvação é a geração de discípulos, pois Jesus disse “Ide, fazei discípulos.” O fruto da aliança de salvação é a multiplicação de discípulos, que é o resultado da ação do Espírito Santo na vida do aliançado, e da bênção de Deus. “O povo cresceu e se multiplicou no Egito.”(At.7:17b). “E a palavra de Deus cresc ia e se multiplicava.”(At.12:24).

3 - A ALIANÇA DE CASAMENTO
a)O RITO DA ALIANÇA - é a cerimônia propriamente dita que é feita por um juiz de paz ou por um ministro religioso, em que os dois dizem sim, selando a aliança.
b) A CONFIRMAÇÃO HUMANA - É a co-habitação sexual que deve ocorrer depois do casamento, sob pena de até o casamento ser anulado pela lei humana, se não houver essa consumação. Observe que até aqui tudo depende de uma ação humana.
c) A CONFIRMAÇÃO DIVINA - É a geração de filhos, embora pareça ser que não. Todavia, na Bíblia há pelo menos seis mulheres estéreis, e que só puderam conceber, pela intervenção divina , em resposta à oração do líder espiritual, no caso, o marido. Sara, Rebeca, Raquel, Ana, mãe de Samuel, a mãe de Sansão; e no N.T. Isabel, a mãe de João Batista. Eu sei que nem em todos os casos mencionados, está revelado que o marido orou, mas nos que estão revelados, o princípio se estabelece. Também no A.T. o castigo de Deus, o seu desagrado, a maldição, se manifestam pela esterilidade. (Gn.20:18; II Sm. 6:23).

CONCLUSÃO
Observe que estes três tipos de alianças estão relacionados. O casamento deve gerar filhos biológicos; a salvação deve gerar filhos espirituais, ou seja, discípulos; e a aliança de prosperidade é para sustentar a família, dentre outros objetivos. A ignorância sobre os princípios que regem a aliança, tem levado muita gente a quebrá-los, trazendo sobre sua vida e a de seus filhos, maldição em forma de doença, pobreza, miséria, ruína, esterilidade, e outros males sem fim. A palavra da aliança é fidelidade. Por todo lugar vejo nos carros a expressão DEUS É FIEL. E fico pensando se eles sabem o que isto significa. Deus é fiel porque Ele jamais quebra uma aliança. Se formos fiéis em nossas alianças, bênçãos sem medida virão sobre nós.