domingo, 10 de julho de 2011

QUANDO JESUS FOI GERADO?

"E, havendo eles cumprido todas as coisas que dele estavam escritas, tirando-o do madeiro, o puseram na sepultura. Mas Deus o ressuscitou dos mortos. E ele, por muitos dias, foi visto pelos que subiram com ele da Galiléia a Jerusalém, e são suas testemunhas para com o povo. E nós vos anunciamos que a promessa que foi feita aos pais, Deus a cumpriu a nós, seus filhos, ressuscitando a Jesus, como também está escrito no salmo segundo: Meu filho és tu; hoje te gerei. E que o ressuscitaria dos mortos, para nunca mais tornar à corrupção, disse-o assim: As santas e fiéis bênçãos de Davi vos darei. Pelo que também em outro salmo diz: Não permitirás que o teu santo veja corrupção.” (At.13:29-35).

Num certo dia eu estava debatendo com uma Testemunha de Jeová, e ela, repetidamente, citava esta expressão do salmo segundo: Tu és meu filho; eu hoje te gerei. Com isso ela – era uma mulher – queria dizer que Jesus foi gerado, e, portanto, ele teve começo, não sendo, por isso, co-eterno com o Pai. Eu rebatia dizendo que o verbo hebraico “barah”, criar do nada, se refere a Lúcifer, e, por extensão aos anjos, mas não a Jesus. Eu não cedi na discussão, pois cria, como creio, que Jesus é eterno, como o Pai e o Espírito Santo.Todavia, naquele tempo eu não sabia o sentido da expressão do salmo segundo. Mas hoje eu creio que o Espírito Santo me revelou o sentido, na Escritura.

No seu discurso em Antioquia da Pisídia, Paulo, claramente, conecta a expressão do salmo segundo “Tu és meu filho; eu hoje te gerei”, com a ressurreição de Jesus. Além do salmo 2:7, Paulo cita também o salmo 16:10, onde o salmista diz “Não permitirás que o teu Santo veja corrupção.” Ele diz que o corpo de Davi apodreceu na sepultura, mas não o de Jesus.

Eu já entrei três vezes no túmulo de Jesus. É uma caverna. Recentemente eu entendi que aquela caverna é um útero. O corpo mortal de Jesus foi plantado naquele útero, assim como o sêmen do homem é plantado no útero da mulher. Depois de nove meses, o filho que foi gerado, nasce, bem diferente da semente que foi plantada. A gestação de Jesus durou três dias. Mas o Jesus que saiu daquele útero, era bem diferente do que foi plantado. O que foi plantado era mortal e corruptível. O que saiu era imortal e com um corpo incorruptível.

O túmulo de Lázaro – João 11 – era também um útero, mas ele ressuscitou ainda mortal, porque não era tempo, pois Jesus tinha de ser “as primícias dos que dormem.” (I Co.15:20). 
“Ouvi-me vós que seguis a justiça, que buscais ao Senhor;olhai para a rocha de onde fostes cortados e para a caverna do poço de onde fostes cavados. Olhai para Abraão , vosso pai, e para Sara que vos deu à luz; porque, sendo ele só, eu o chamei, e o abençoei, e o multipliquei.” (Is.51:1,2).

Durante muitos anos eu não entendi o texto de Romanos 1:3,4 pois eu não tinha esta revelação. Mas agora este texto é de uma clareza meridiana. Veja o que ele diz: 
“acerca de seu Filho, que nasceu da descendência de Davi segundo a carne, declarado Filho de Deus em poder, segundo o Espírito de santificação, pela ressurreição dos mortos, -Jesus Cristo, nosso Senhor”.

Jesus só foi declarado Filho de Deus em poder, depois da ressurreição. Antes disso, assim como nós, era como uma lagarta no casulo, que depois da ressurreição se transforma em borboleta, por meio da metamorfose. O nosso corpo mortal é o corpo da nossa humilhação. Deus é imortal, e só pode ter filhos imortais. E Jesus só se tornou imortal depois da ressurreição, e se cumpriu a palavra: Tu és meu Filho; eu hoje te gerei. Nós também estamos no processo para nos tornarmos imortais, depois da nossa própria ressurreição ou transformação, no arrebatamento da igreja . (I Ts.4:13-18).

A Testemunha de Jeová estava equivocada, pois o Jesus Espírito estava no princípio com o Pai, que também é espírito. Mas o Jesus homem imortal, foi gerado, passando da mortalidade para a imortalidade, assim como o feto e embrião passam do mundo do ventre de sua mãe, para o mundo exterior , no qual vivemos. O Jesus que ressuscitou tinha carne e osso, o que um espírito não tem. “Vede as minhas mãos e os meus pés, que sou eu mesmo; tocai-me e vede, pois um espírito não tem carne nem ossos, como vedes que eu tenho.” (Lc.24:39).

sábado, 18 de junho de 2011

O EVANGELHO DA CURA

“E, convocando seus doze discípulos, deu-lhes poder e autoridade sobre todos os demônios e para curarem enfermidades; e enviou-os a pregar o Reino de Deus e a curar os enfermos...E, saindo eles, percorreram todas as aldeias, anunciando o Evangelho e fazendo curas por toda a parte...E, sabendo-o a multidão, o seguiu; e ele os recebeu, e falava do Reino de Deus, e sarava os que necessitavam de cura.” (Lc.9:1,2, 6, 11).

De acordo com este texto das Escrituras do Novo Testamento, o Evangelho consiste de duas coisas:
           1. “Pregar o Reino de Deus” (Lc.9:2); “anunciando o Evangelho” (9:6); “Falava-lhes do Reino de Deus” (9:11); “anuncia o Reino de Deus” (9:60); 
           2. “para curarem enfermidades” (9:1); “curar os enfermos” (9:2); “fazendo curas por toda parte”; “sarava os que necessitavam de cura” (9:11). 

É claro que tanto a expulsão de demônios, quanto a ressurreição de mortos, estão incluídas nas curas. Se separarmos a pregação do Evangelho, das curas, teremos um Evangelho mutilado, como, de fato, tem acontecido. Mateus resume a mesma doutrina assim: “E percorria Jesus toda a Galiléia, ENSINANDO nas suas sinagogas, e PREGANDO o Evangelho do Reino, e CURANDO todas as enfermidades e moléstias entre o povo.


1. A BASE TEOLÓGICA DA CURA

“Verdadeiramente, ele tomou sobre si as nossas ENFERMIDADES e as nossas DORES levou sobre si; e nós o reputamos por aflito, ferido de Deus e oprimido. Mas ele foi ferido pelas nossas TRANSGRESSÕES e moído pelas nossas INIQÜIDADES; o castigo que nos trás a paz estava sobre ele, e, pelas suas pisaduras, fomos sarados.” (Is.53:4,5). 

Em virtude do meu condicionamento teológico denominacional, durante muito tempo eu só via, na profecia de Isaías 53, a menção ao pecado, na forma de transgressões e iniqüidades. O condicionamento teológico me cegava. Até que um dia eu vi que o profeta falava, tanto de pecados, como de doenças. E foi assim que Mateus entendeu quando registrou o seguinte: “E, chegada a tarde, trouxeram-lhe muitos endemoninhados, e ele, com a sua palavra, expulsou deles os espíritos e curou todos os que estavam enfermos, para que se cumprisse o que fora dito pelo profeta Isaías, que diz: Ele tomou sobre si as nossas enfermidades e levou as nossas doenças.”


2. O EVANGELHO MAIS FÁCIL

Em Mc. 2:9 Jesus pergunta aos escribas que o censuravam em seus corações, por ter ele declarado o perdão dos pecados do paralítico: “Qual é mais fácil? Dizer ao paralítico: Estão perdoados os teus pecados, ou dizer-lhe: Levanta-te, e toma o teu leito, e anda?” É claro que é mais fácil declarar o perdão dos pecados, do que ordenar a um paralítico que ande. 

O perdão dos pecados não é de fácil comprovação, enquanto que a cura de um enfermo, é de fácil comprovação, até mesmo por meios científicos, como é o caso dos exames laboratoriais. Aos poucos a igreja foi se afastando da cura, por exigir ela uma demonstração de poder. E as novas gerações só conheceram um Evangelho que pregava o perdão de pecados, que é mais fácil. Porém, o prejuízo que advém, desse ensino, não vale a pena. As pessoas têm sido privadas de um aspecto fundamental do Evangelho. 

Ultimamente tem sido dada muita ênfase na Cura Interior, o que é correto, porém corre-se o risco de se perder de vista a Cura Exterior, isto é, a cura do corpo. O Evangelho trás a Cura do Espírito (perdão dos pecados), a Cura da alma (Cura Interior), e Cura do Corpo (cura das doenças e exorcismos).

3. O QUE SÃO AS CURAS

a) SINAIS 
Um sinal é algo que você pode ver ou ouvir e transmite uma mensagem cifrada ou codificada. Por exemplo, uma placa de sinalização em uma rua proibindo o estacionamento, é um sinal, que só pode ser entendido por quem conhece o seu significado. De outra maneira, seria melhor escrever literalmente “É proibido Estacionar”. Mas aí, só seria entendido por quem sabe ler. Por isso que quem não sabe ler, não pode ter Habilitação para dirigir veículos automotores, deduzo eu. Daí que a escrita é também um sinal cifrado. Quem sabe ler os hieróglifos egípcios? Ou grego? ou hebraico? Mas a curas são sinais, senão vejamos. “E estes SINAIS seguirão aos que crerem: em meu nome, expulsarão demônios; falarão novas línguas; pegarão nas serpentes; e, se beberem alguma coisa mortífera, não lhes fará dano algum; e imporão as mãos sobre os enfermos e os curarão...E eles, tendo partido, pregaram por todas as partes, cooperando com eles o Senhor e confirmando a palavra com os SINAIS que se seguiram.Amem!” E em I Co. 14:22 Paulo preleciona “De sorte que as línguas são um SINAL , não para os fiéis, mas para os infiéis; e a profecia não é SINAL para os infiéis, mas para os fiéis.” Paulo não está dizendo nenhuma novidade, pois Jesus já tinha dito que as línguas eram um Sinal. 

Por isso que quando Paulo chegou à ilha de Malta, por conta de um naufrágio, aconteceu o seguinte: “Aconteceu estar de cama enfermo de febre e disenteria o pai de Públio, que Paulo foi ver, e, havendo orado, pôs as mãos sobre ele e o curou. Feito, pois, isto, vieram também ter com ele os demais que na ilha tinham enfermidades e sararam.” (At.28:8,9). Ninguém na ilha jamais tinha ouvido falar do Evangelho, mas as curas foram um sinal de Deus, para credenciar o Evangelho diante dos nativos, que provavelmente se converteram.

b) UM DIREITO DE ALIANÇA 
Em Mt.15:21-28, Jesus a chama de “pão dos filhos”, isto é, um direito de aliança. Embora ele tenha atendido ao pedido da mulher cananéia , que, é óbvio, não tinha aliança, ela se conformou em receber as migalhas que caem da mesa dos seus senhores, e o fez, em virtude de sua fé. A cura como um direito de aliança, já vem desde o Antigo Testamento, em Ex. 15:26: “E disse: Se ouvires atento a voz do Senhor, teu Deus, e fizeres o que é reto diante dos seus olhos , e inclinares os teus ouvidos aos seus mandamentos, e guardares todos os seus Estatutos, nenhuma das enfermidades porei sobre ti, que pus sobre o Egito; porque eu sou o Senhor, que te sara.” 

Observe que neste caso, da cura como um direito de a liança, a cura está condicionada à obediência aos termos da aliança. Na verdade a promessa é de nem adoecer, mas, em caso de adoecer, “Eu sou o Senhor que te Sara(Jeová-Rafá). Em Deuteronômio 28, Deus promete punir com enfermidades, os que forem desobedientes aos termos da aliança. “Será,porém, que, se não deres ouvidos à voz do Senhor, teu Deus, para não cuidares em fazer todos os teus mandamentos e os seus Estatutos, que hoje te ordeno, então, sobre ti virão todas estas maldições e te alcançarão:...O Senhor te ferirá com as úlceras do Egito, e com hemorróidas, e com sarna, e com coceira, de que não possa curar-te. O Senhor te ferirá com loucura, e com cegueira, e com pasmo de coração.” (v.15,27,28). Neste caso, a cura é um direito de aliança,e a enfermidade, um castigo pela quebra da aliança. Neste caso é só para crente, tanto a cura, como o castigo.

c) UM ATO DE MISERICÓRDIA DE DEUS
No caso da cura do endemoninhado gadareno, Jesus conclui seu diálogo com ele, dizendo: “Vai para a tua casa, para os teus, e anuncia-lhes quão grandes coisas o Senhor te fez e como teve misericórdia de ti.” (Mc.5:19). No caso da ressurreição do filho da viúva de Naim, Lucas registra: “E, vendo-a, o Senhor moveu-se de íntima compaixão por ela e disse-lhe: Não chores.” (Lc.7:13). No caso da ressurreição de Lázaro “Jesus chorou.” (Jo.11:35). No caso da parábola do bom samaritano, que Jesus contou, o samaritano “moveu-se de íntima compaixão” , diante do homem ferido.(Lc.10:33). Em casa de Mateus, Jesus disse aos fariseus: “Ide, porém, e aprendei o que significa: Misericórdia e não sacrifí cio.” E ainda em Mt. 12:7, falando de novo com os fariseus, disse: “Mas, se vós soubésseis o que significa: Misericórdia quero e não sacrifício, não condenaríeis os inocentes.” Jesus curou e cura, motivado por sua compaixão e misericórdia.

d) RESPOSTA DE ORAÇÃO 
Em Jo. 14: 13,14, Jesus diz “E tudo quanto pedirdes em meu nome, eu o farei, para que o Pai seja glorificado no Filho. Se pedirdes alguma coisa em meu nome, eu o farei.” Mas é claro que é necessário crê, pois ele diz também “Por isso, vos digo que tudo o que pedirdes, orando, crede que o recebereis e tê-lo-eis.” (Mc.11:24). Tiago também diz “Peça-a, porém, com fé, não duvidando; porque o que duvida é semelhante à onda do mar, que é levada pelo vento e lançada de uma para outra parte.” (Tg.1:6).


4. PARA QUEM É A CURA?

Além do que pode ser inferido do que já foi dito, a cura é para os humildes. Em Lc. 4:18, Jesus diz: “O Espírito do Senhor é sobre mim, pois que me ungiu para evangelizar os pobres, ENVIOU-ME A CURAR OS QUEBRANTADOS DE CORAÇÃO.” No Salmo 51, Davi diz “Os sacrifícios para Deus são o espírito quebrantado; a um coração quebrantado e contrito não desprezarás, ó Deus.” (v.17). Um exemplo clássico é o caso de Naamã, o general sírio. Ele tinha lepra, e enquanto se manteve altivo e orgulhoso, não recebeu a cura, mas quando se humilhou, e obedeceu à orientação do profeta Eliseu, foi curado. (II Rs. 5).

quinta-feira, 2 de junho de 2011

CERTAMENTE MORRERÁS

“Mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dela não comerás; porque, no dia em que dela comeres, certamente morrerás.”

O conceito de morte física que conhecemos, acontece quando o sangue para de circular no tecido do corpo, deixando de levar o oxigênio, e este tecido fica necrosado (de Nekrós, em grego, morto). A partir daí começa o processo de apodrecimento, que a Bíblia chama de corrupção. “Pois não deixarás a minha alma no Sheol (inferno), nem permitirás que o teu Santo veja corrupção.” (Salmo 16:10). Pedro, no dia de Pentecoste, usa este Salmo Messiânico como argumento em favor do ressurreição de Jesus, antes que o seu corpo apodrecesse.

Esta é a morte física, que podemos conhecer muito bem, pois pode ser comprovada pela investigação científica. Porém, quando Deus disse "Certamente Morrerás", Ele se referia a dois tipos de morte, a física e a espiritual: “Bem-aventurado e santo aquele que tem parte na primeira ressurreição; sobre estes não tem poder A SEGUNDA MORTE, mas serão sacerdotes de Deus e de Cristo e reinarão com Ele mil anos.” (Ap.20:6). 

Porém, quando Deus deu ordem a Adão que não comesse do árvore do conhecimento do bem e do mal, o homem não sabia de nada disso. E, de fato, ele não caiu fulminado, quando comeu, mas algumas coisas aconteceram. Conheceram que estavam nus, ficaram com medo, pela primeira vez, e se esconderam da presença de Deus. Eu creio que aí começou o processo da morte espiritual. Esta já não é tão fácil de explicar, pois acontece no âmbito do espírito, e não pode ser detectada por exames de laboratório. Mas, como toda realidade é paralela, isto é, podemos entender as coisas do mundo invisível, a partir do seu correspondente no mundo visível, o processo é o mesmo da morte física.

Assim como o sangue e o oxigênio circulavam pelas veias e artérias do Adão, o Espírito de Deus circulava pelo seu organismo espiritual. Assim como o sangue e o oxigênio davam vida ao corpo do Adão, o Espírito de Deus dava vida ao seu corpo espiritual. “Semeia-se corpo animal, ressuscitará corpo espiritual. Se há corpo animal, há também corpo espiritual.” (I Co. 15:44). Se tirarmos o sangue e o oxigênio do corpo físico de alguém, esta pessoa morrerá em poucos segundos. Quando o Adão desobedeceu a Deus, ao comer da árvore proibida, o Espírito de Deus se retirou dele, e o seu organismo espiritual começou a morrer, que veio culminar na sua morte física. “E foram todos os dias que Adão viveu novecentos e trinta anos; e morreu.” (Gn.5:5).

A partir daí, os filhos, descendentes do Adão, já nascem sem o Espírito de Deus, isto é, já nascem acometidos pela corrupção, que um dia culminará na sua morte física, pois espiritualmente já estão mortos. 

No Antigo Testamento alguns homens receberam novamente o Espírito de Deus, mas também o perderam quando a semelhança do Adão, desobedeceram também a Deus. “Então, o Espírito de Deus se apoderou de Saul, ouvindo estas palavras, e acendeu-se em grande maneira a sua ira.” (I Sm.11:6). “ E o Espírito do Senhor se retirou de Saul...” (I Sm. 16:14). “Assim, morreu Saul por causa da sua transgressão com que transgrediu contra o Senhor, por causa da palavra do Senhor, a qual não havia guardado; e também porque buscou a adivinhadora para a consultar e não buscou o Senhor, pelo que o matou e transferiu o reino a Davi, filho de Jessé.” A semelhança com o caso de Adão não é por acaso.

Então a corrupção, que é o apodrecimento, tanto físico quanto espiritual, tem alguns efeitos, tanto no corpo, quanto no espírito. Vamos deixar de lado o efeito da corrupção no corpo físico, e vamos considerar os efeitos da corrupção no espírito humano. Pedro, na sua segunda Carta, diz que os falsos mestres são “escravos da corrupção”, e ainda que eles “perecerão na sua corrupção” e que um dia eles tinham “escapado das corrupções do mundo” pelo conhecimento do Senhor e Salvador Jesus Cristo.(II Pd. 2:12,19,20). 

A corrupção está associada com uma palavrinha muito repetida no Novo Testamento: a concupiscência. “Porque tudo o que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não é do Pai, mas do mundo.” Ora, a concupiscência é desejo. Então, a corrupção suscita desejos no espírito humano, que se forem atendidos, ou, consumados, terão efeitos no corpo físico, como é o caso da doença.

O corpo humano foi feito originalmente por Deus, para ser a habitação do espírito humano e do Espírito de Deus. Uma vez que o Espírito de Deusa se retirou do adão, ficou um vazio nele, que, fatalmente, deveria ser preenchido por outro espírito. Mais uma vez vamos lançar mão da analogia, com o caso de Saul. “E o Espírito do Senhor se retirou de Saul, e o assombrava um espírito mau, da parte do Senhor.” É questão matemática. Saiu um espírito, e entrou outro. O corpo não pode ficar somente com o espírito humano, pois não foi planejado originalmente para isso. Outro texto:
 “E, quando o espírito imundo tem saído do homem, anda por lugares áridos, buscando repouso, e não o encontra. Então, diz: Voltarei para a minha casa donde saí. E, voltando, acha-a desocupada, varrida e adornada. Então, vai e leva consigo outros sete espíritos piores do que ele, e , entrando, habitam ali; e são os últimos atos desse homem piores do que os primeiros. Assim acontecerá também a esta geração má.” (Mt.12:43-45).
A casa do espírito é o corpo, e estava desocupada porque o espírito de Deus não a estava ocupando. Quando o Espírito de Deus ocupa a sua casa o corpo humano, os efeitos são evidentes na vida dessa pessoa. “Mas o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, domínio próprio.”(Gl.5:22). 

Ora, se a habitação do Espírito de Deus num ser humano produz esses efeitos, os efeitos contrários só podem ser produzidos por espíritos imundos, que são a antítese do Espírito Santo. A corrupção, que é aqui chamada de Carne, produz os seguintes efeitos, por meio da concupiscência ou desejos: “prostituição, impureza, lascívia, idolatria, feitiçarias, inimizades, porfias, emulações, iras, pelejas, dissensões, heresias, invejas, homicídios, bebedeiras, glutonarias.” (Gl.5:19-21). Veja ainda estes versos: “Não sabeis vós que sois o templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?” (I Co. 3:16). “Ou não sabeis que o nosso corpo é o templo do Espírito Santo, que habita em vós, proveniente de Deus, e que não sois de vós mesmos?” (I Co. 6:19). 

O Evangelho de Jesus Cristo veio restaurar o homem à condição anterior ao pecado de Adão, com a ressalva da morte, pois o homem ainda morre. Paulo também diz “Porque em esperança somos salvos. Ora, a esperança que se vê não é esperança; porque o que alguém vê, como o esperará?”(Rm.8:24). Ainda morremos, até chegar a redenção do nosso corpo, na ressurreição.

O ponto que quero chegar é que os desejos impuros provocados pela corrupção da nossa natureza espiritual, se forem consumados, provocam a morte espiritual. Somente o poder de Jesus Cristo ressuscitado pode interromper o processo de apodrecimento moral e espiritual que acometeu o ser humano com o pecado. O homossexual é tão necessitado de cura quanto o adúltero, o fornicário, o beberrão, o glutão, o ladrão, o homicida, e outros pecados semelhantes a estes. 

A grande questão é que não existe um movimento organizado de fornicários, de adúlteros, de glutões, de ladrões, de beberrões, tentando impor a sua maneira de viver ao conjunto da sociedade, através da intimidação. Poderíamos até criar uma lei criminalizando a conduta discriminatória contra os adúlteros, os fornicários, os glutões, os beberrões, e outros, que têm o direito de praticar seu estilo de vida particular, sem ameaçar impor sua maneira de pensar e viver ao restante da população. 

A questão da raça é outra faceta do problema, já que muitos negros foram libertados do poder do pecado pela habitação do espírito de Deus, sem precisar mudar de cor. A libertação da corrupção inclui todos os efeitos danosos do pecado na natureza humana. 

Seja o homossexual, seja o fornicário, seja o adúltero, seja o glutão, o beberrão, o ladrão, precisam igualmente de libertação, mas não precisa mudar a cor da pele. Se um negro for homossexual, glutão, beberrão, adúltero, mentiroso, precisa de libertação. Mas se ele for santo, tendo sido justificado, mediante o arrependimento e o perdão, e santificado, mediante a habitação do Espírito de Deus no seu corpo, ele é livre, sem precisar mudar a cor da pele. 

Quando o homossexual se associa com o negro, reivindicando tratamento igual, a comparação não é justa. A Escritura coloca no mesmo barco o homossexual, o glutão, o beberrão, o mentiroso, o fornicário, o adúltero, seja ele de que cor for. No outro barco estarão o negro, e branco, o índio, o amarelo, o asiático, o Porto-Riquenho, e seja qual raça for, desde que seja santo. 

O Comandante de um barco é Adão, o do outro é Cristo. Paulo diz: “Acho então esta lei em mim: que quando quero fazer o bem,o mal está comigo. Porque segundo o homem interiortenho prazer na lei de Deus. Mas vejo nos meus membros outra lei que batalha contra a lei do meu entendimento e em prende debaixo da lei do pecado que está nos meus membros. Miserável homem que eu sou! Quem me livrará do corpo desta morte? Dou graças a Deus por Jesus Cristo nosso Senhor.” ( Rm.7:21-25). 

E ainda Jesus diz “e conhecereis a verdade e a verdade vos libertará...todo aquele que comete pecado é escravo do pecado...Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente, sereis livres.”(Jo.8:32,34,36). A verdade continua sendo a do princípio, pois, se desobedecermos a Deus, com fez Adão, certamente morreremos; se, porém, obedecermos a Deus, como fez Jesus, seremos libertos por ele, e certamente viveremos.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

AS DUAS ALIANÇAS

“o que se entende por alegoria; porque estas são as duas alianças: uma, do monte Sinai, gerando filhos para a escravidão, que é Agar.” (Gl. 4:24).

Aliança (diatêkai, no grego koinê) também significa Pacto, Concerto e Testamento. A Bíblia fala de várias Alianças, mas, principalmente de duas. A Lei e a Graça; O Judaísmo e o Evangelho; A Velha e a Nova Aliança.

A velha Aliança está bem clara no texto de Gálatas, pois aconteceu no Monte Sinai, na outorga da Lei a Moisés, quando recebeu as duas Tábuas do Testemunho,contendo os Dez Mandamen-tos. “E aconteceu ao terceiro dia, ao amanhecer, que houve trovões e relâmpagos sobre o monte, e uma espessa nuvem, e um sonido de buzina mui forte, de maneira que estremeceu todo o povo que estava no arraial.” (Ex.19:16). A Velha Aliança, a aliança da Lei, começou em Ex. 19, tendo sua vigência a partir daí, até o Novo Testamento, indo, por assim dizer, até o dia de Pentecoste. 

Assim, o Velho Testamento não é a Velha Aliança, mas a contém. Nem tampouco, o Novo Testamento é a Nova Aliança, mas a contém. Aliás, existe uma grande confusão, em virtude dos termos envolvidos. Como já vimos, a palavra “Testamento” significa aliança. O Velho Testamento é chamado de Escritura; Escrituras; Lei de Moisés, Profetas, e Salmos. Os escritos do apóstolo Paulo são chamados de Escrituras em II Pe 3:16. Assim, podemos dizer que a Bíblia é constituída de duas partes, que são as Velhas Escrituras e as Novas Escrituras. As Velhas Escrituras contém a Velha Aliança, e as Novas Escrituras contém a Nova Aliança. As duas Escrituras são complementares, mas as duas Alianças são excludentes. 

Devemos lembrar de que a Aliança é uma lei, como está em Hb. 7:12 “Porque, mudando-se o sacerdócio, necessariamente se faz também mudança da lei.” É o conflito de leis no espaço. Duas leis não podem ocupar o mesmo espaço, Lex Posteri Revogat priori. A Lei mais nova revoga a lei mais velha, automaticamente.

Os judeus do tempo de Paulo, estavam tendo dificuldade em separar as duas alianças. Queriam circuncidar os crentes gentios. Tinha até uma certa coerência, pois a Circuncisão foi instituída em Gn.17, com Abraão, antes da Outorga da Lei a Moisés. Mas a circuncisão não cabe na Nova Aliança, porque as antigas Escrituras são sombra e figura das realidades que as Novas Escrituras vieram revelar: “Ora, se Ele estivesse na terra, nem seria sacerdote, havendo já os que oferecem dons segundo a lei, os quais servem àquilo que é figura e sombra das coisas celestiais...” (Hb.8:5); “e demonstrar a todos qual seja a dispensação do mistério, que, desde os séculos,, esteve oculto em Deus, que tudo criou.” (Ef.3:9). Se misturarmos as duas aliança, sem fazer distinção entre elas, incorreremos em erro, como os judeus do tempo de Paulo estavam incorrendo.

Paulo argumenta que o fato de Abraão ter tido duas mulheres, que lhe deram dois filhos, é uma alegoria. As mulheres, Sara e Agar, são as duas alianças. Agar é a aliança do Sinai, que dá à luz filhos para a escravidão. Agar e Sinai correspondem à Jerusalém física, que é escrava com seus filhos. Sara é a nova aliança, como Jesus disse “Este cálice é a Nova aliança no meu sangue, que é derramado por vós.” (Lc.22:20). A Velha Aliança foi inaugurada no Sinai, quando Moisés recebeu a Lei. A Nova Aliança foi Inaugurada no Pentecoste, quando o Espírito Santo veio para ficar com os discípulos. A velha aliança é da letra, a nova é do Espírito. 

Paulo argumenta com os judeus dizendo que os judeus naturais, que estão sob a égide da velha aliança são escravos. Somente os judeus que se batizam em Cristo, entrando na nova aliança, é que são livres, juntamente com os gentios que também crêem. Tanto os gentios que estão sem lei, quanto os judeus que têm a lei da velha aliança, estão perdidos. Mas os judeus e os gentios que crêem em Jesus, são livres.

Os judeus achavam que cumpriam a lei,e por isso estavam salvos. Mas, em Mateus 5, Jesus demonstra a eles que a lei não era o que eles pensavam, pois, se somente olhasse para uma mulher para cobiçá-la, o homem já teria quebrado a lei, no mandamento de "não adulterarás". Jesus demonstrou que era impossível um homem pecador cumprir a lei. Por isso disse aos discípulos “Se a vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus, de modo nenhum entrareis no reino dos céus.” 

A Lei, como meio de justificar o homem, foi descartada. É pela justiça da fé. O justo viverá da fé. Os termos da Nova Aliança estão no Novo Testamento, ou Novas Escrituras. O nosso sacerdócio é o de Melquisedeque, não o de Arão. O nosso Sumo-Sacerdote é da tribo de Judá, não da de Levi. Abraão é o nosso pai, e exemplo de fé e de obediência. Creu no que Deus disse, e obedeceu ao que Deus lhe mandou, até oferecendo o seu único filho Isaque, para ser sacrificado. 

Defina em que aliança você está. É na lei de Moisés, ou na Nova aliança, de Jesus Cristo? Os apóstolos escreveram nas Cartas os mandamentos de Jesus.(At.1:1,2). “Porque a lei foi dada por Moisés; a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo.” (Jo.1:17).

sábado, 21 de maio de 2011

A BÍBLIA É A CONSTITUIÇÃO DO CRISTIANISMO?

Acabei de assistir a uma entrevista na TV SBT, no Programa do apresentador Jorge Said, onde foram entrevistadas três pessoas, sendo uma delas um pastor. O assunto em pauta era a questão homossexualismo, ou como se costuma dizer hoje, homofobia. Acompanhei atentamente os argumentos de todos, mas, principalmente os do pastor. E, diga-se de passagem, pareceu-me uma pessoa muito bem instruída, tanto na cultura secular, quanto na religiosa. Porém, como sou da área, detectei um detalhe, que pode ter passado despercebido por um leigo em matéria de religião.

O pastor disse, e com muita propriedade, que a Bíblia diz no Pentateuco, que a criança rebelde contra os pais, deveria ser apedrejada, e que o homem que mantivesse relação sexual com mulher menstruada, deveria ser também punido, do mesmo modo que diz que o homem que se deitasse com outro, como se fosse mulher, deveria ser morto. E que os cristãos, para serem coerentes, deveriam adotar todos os textos, e não somente o que diz respeito ao homossexualismo. Ele está certo. Disse também que Jesus, em momento algum, condenou o homossexualismo. Ele também está certo nisto. Na verdade, Jesus não condenou os pecadores, mas repreendeu fortemente os líderes religiosos de seu tempo, pela sua hipocrisia. Até aqui tudo bem. Falou também que, na interpretação da Bíblia, deveria ser levado em conta as questões culturais, históricas e gramaticais. É a exegese e a hermenêutica, que devem ser consideradas na interpretação de um texto, seja religioso ou secular. Agora vamos fazer a correção.

A Bíblia não é a constituição do cristianismo. O Judaísmo adota o Velho Testamento, e é problema dos judeus, harmonizar sua Escritura com os problemas da sociedade. Reforço o meu argumento de que a Constituição do Cristianismo é o Novo testamento, a Nova Aliança, que começou oficialmente no Dia de Pentecoste, e que os Preceitos Constitucionais da Igreja são as epístolas (Cartas) dos Apóstolos de Jesus Cristo. “Fiz o primeiro tratado, ó Teófilo, acerca de tudo que Jesus começou, não só a fazer, mas a ensinar, até ao dia em que foi recebido em cima, depois de ter dado mandamentos, pelo Espírito Santo, aos apóstolos que escolhera.” 

A Igreja é de Jesus, que lhe deu mandamentos, por meio do Espírito Santo, aos apóstolos, que escreveram esses mandamentos nas Cartas e os enviaram às igrejas. (At.1:1,2). Portanto, se queremos saber o que o Legislador da Nova Aliança fala sobre homossexualidade, devemos buscar nas Cartas Apostólicas. As Cartas são normativas para a Igreja. E não é a opinião de Paulo, de Pedro, ou de João, mas os mandamentos do próprio Cristo. Já começa com Romanos 1:24-27: 
“Pelo que também Deus os entregou às concupiscências do seu coração, à imundícia, para desonrarem o seu corpo entre si; pois mudaram a verdade de Deus em mentira e honraram e serviram mais a criatura do que o criador, que é bendito eternamente. Amém! Pelo que Deus os abandonou às paixões infames. Porque até as suas mulheres mudaram o uso natural, no contrário à natureza. E, semelhantemente, também os varões, deixando o uso natural da mulher, se inflamaram em sua sensualidade uns para com os outros, varão com varão, cometendo torpeza e recebendo em si mesmos a recompensa que convinha ao seu erro.” 

E ainda, o mesmo apóstolo, em I Co. 6:10,11: 

“Não erreis: nem os devassos, nem os idólatras, nem os adúlteros, nem os efeminados, nem os sodomitas, nem os ladrões,nem os avarentos, nem os bêbados, nem os maldizentes, nem os roubadores herdarão o reino de Deus. E é o que alguns têm sido, mas haveis sido lavados, mas haveis sido santificados, mas haveis sido justificados em nome do Senhor Jesus e pelo Espírito do nosso Deus.” 

É interessante que Paulo não inclui nesta lista de pecados, nem os negros, nem os gordos, nem as mulheres, que têm sido alvo de discriminação. Porque ser negro não é pecado,nem o negro precisa ser lavado até ficar branco, para poder entrar no céu. E aqui, Paulo não fala de apedrejar, nem de discriminar, mas adverte, que os que não forem libertos daqueles pecados, não entrarão no reino de Deus. 

Ser justificado fala de perdão, mediante arrependimento. Lavado, santificado, fala de uma ação direta do Espírito Santo, sobre um hábito enraizado, reforçado por forças espirituais do mal. A pessoa está escravizada. Ela quer se libertar, mas não pode. Ela precisa de um Libertador. Mas, para que alguém peça ajuda, ela precisa se convencer de que precisa de ajuda, que ela está cativa. Jesus disse “todo aquele que comete pecado é escravo do pecado.” E “Se o filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres.” E veja que o texto de I Corintios não fala só de pecado sexual, nem só de pecado homossexual. É verdade que todos os pecadores devem estar na igreja, buscando ajuda, pois é onde deveriam encontrá-la. 

Mas a igreja pode não ter poder para libertar os cativos. E nesse caso, erra quem não admite seu pecado, e erra também, quem não admite que a igreja precisa do poder do Espírito Santo. Talvez deva haver arrependimento de ambos os lados, e os dois grupos juntos devem clamar por socorro a Deus, pois “todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo.” O que não se pode é iludir pessoas, dizendo que está tudo bem, quando não está. “E curam a ferida da filha de meu povo levianamente, dizendo: Paz, paz; quando não há paz.” (Jr.8:11).

No caso de Romanos 1, fica claro que o homossexualismo é um castigo de Deus, contra os que cometeram o pecado de idolatria, adorando a imagem de homem, de aves, de quadrúpedes, e de répteis. Este ensino se harmoniza com Provérbios 22:14 “Cova profunda é a boca das mulheres estranhas; aquele contra quem o Senhor se irá cairá nela.” Neste caso, o pecado sexual é a conseqüência de um pecado anterior, que pode ser idolatria, orgulho, ou outro qualquer, que provocou a ira de Deus. É interessante que Romanos 1 também diz o mesmo “Porque do céu se manifesta a ira de Deus sobre toda a impiedade e injustiça dos homens...”(Rm.1:18). De Deus não se zomba, diz Gálatas 6:7. A criança já pode nascer sob o domínio de espíritos imundos, por causa do pecado dos pais. É o que se chama de maldição hereditária. Mas o caminho da libertação é por meio do arrependimento. E isto é um princípio, que é válido em qualquer tempo ou lugar.

sábado, 14 de maio de 2011

OS FILHOS DE DEUS E A DISPERSÃO

“E não somente pela nação, mas também para reunir em um corpo os filhos de Deus que andavam dispersos.” (Jo.11:52).

Segundo este texto, a morte de Jesus tinha um duplo propósito: ele deveria morrer pela nação, e reunir em um corpo os filhos de Deus que andavam dispersos. Vamos examinar o segundo propósito.

1. OS FILHOS DE DEUS

Precisamos entender o significado da expressão “filhos de Deus”. Para isso, iremos ver se a linguagem do Antigo Testamento se harmoniza com a do Novo. Em Gn.4:1, está escrito “E conheceu Adão a Eva, sua mulher, e ela concebeu, e teve a Caim, e disse: Alcancei do Senhor um varão.” O verbo conhecer aqui tem o sentido de fazer sexo. No Novo Testamento, em Mt. 1:25 está escrito: “e não a conheceu até que deu à luz seu filho, o primogênito; e pôs-lhe o nome de Jesus.” Aqui também o sentido de conhecer é fazer sexo.

Em Gn. 6:2 aparece, pela primeira vez, na Bíblia, a expressão filhos de Deus, com a seguinte redação: “e viram os filhos de Deus que as filhas dos homens eram formosas; e tomaram para si mulheres de todas as que escolheram.” Há fortes indícios de que estes filhos de Deus aqui, são anjos. Em Jó 38:7 diz “quando as estrelas da alva juntas alegremente cantavam, e todos os filhos de Deus rejubilavam?” E aqui o tempo é o momento em que Deus criava a terra, bem antes da criação do homem, e se refere certamente aos anjos. Em Jó 1:6 está escrito “E vindo um dia em que os filhos de Deus vieram apresentar-se perante o Senhor, veio também Satanás entre eles.” E em 2:1 “E, vindo outro dia, em que os filhos de Deus vieram apresentar-se perante o Senhor, veio também Satanás entre eles apresentar-se perante o Senhor.” O fato de Satanás estar no meio dos filhos de Deus, pode indicar que mesmo os anjos caídos, são chamados de filhos de Deus. Esta é a linguagem do Antigo testamento.

No Novo Testamento, a expressão filhos de Deus passa a se referir ao homem. Em Jo.1:11,12 diz “Veio para o que era seu, e os seus não o receberam. Mas a todos quanto o receberam deu-lhes autoridade para se tornarem filhos de Deus, a saber, aos que crêem no seu nome.” Será que todos os homens que crêem no nome de Jesus, podem se tornar, como os anjos, filhos de Deus? É o que o texto diz. Só que os anjos são espíritos, imortais, enquanto que o homem é carne. Deus é espírito, e os anjos, como filhos de Deus, também são espíritos. Como pode o homem de carne mortal, ser filho de Deus, que é espírito e imortal? Mas pode.

Em Gl. 4:5 diz que Jesus veio na plenitude do tempo, para nos adotar como filhos de Deus. Em Rm.8:14-17 diz que a prova de que Deus nos adotou como filhos, é que nos deu o seu Espírito, para habitar em nós. Em Lc.3:38 diz que Adão era filho de Deus, apesar de ter sido feito do pó da terra.

Os espíritas, adotando as doutrinas do Hinduísmo, crêem na reencarnação. Eu creio na doutrina da encarnação. Jesus era espírito, e vivia com o Pai, antes de se encarnar, num corpo humano. Será que houve a mesma coisa conosco. Se os anjos eram filhos de Deus, e foram seduzidos por Lúcifer, e caíram, Deus os abandonou à sua própria sorte? Ou será que Deus os está enviando à terra, sem memória, para dar-lhes uma oportunidade de se arrependerem de sua rebelião? Em hebreus há um texto curioso, que diz “Porque os que isso dizem claramente mostram que buscam uma pátria. E se, na verdade, se lembrassem daquela de onde haviam saído, teriam oportunidade de tornar. Mas, agora, desejam uma melhor, isto é, a celestial, . Pelo também Deus não se envergonha deles, de se chamar seu Deus, porque já lhes preparou uma cidade.” (Hb.11:14-16).

Bem, Jesus veio à terra, sem memória, e para saber, teve de aprender nas Escrituras, ou receber revelação do Espírito Santo. Por isso, no seu batismo, o Pai lhe disse “Tu és meu Filho amado; em ti me tenho comprazido.” Deus estava confirmando a ele que era realmente o Messias. (Lc.4:22). E o diabo tentou colocar dúvida em Jesus, dizendo-lhe “Se tu és filho de Deus...” Será que pode ter acontecido o mesmo conosco? Não estou dogmatizando, mas buscando a verdade, para responder à pergunta “quem são os filhos de Deus?” No Antigo Testamento, os filhos de Deus são os anjos, até os caídos, e, no Novo, são os homens que se arrependem, e voltam para Deus, por meio de Jesus, o filho Primogênito de Deus. Se temos de voltar para Deus, é porque, um dia saímos da companhia de Deus, como o filho pródigo.

2. A DISPERSÃO DOS FILHOS DE DEUS

Em Jo. 11:52 diz que os filhos de Deus estão dispersos. A dispersão é mencionada várias vezes na Bíblia, e é a palavra Diáspora, em grego Koinê, embora, em João 11, seja um palavra derivada desta.

a) A dispersão da Torre de Babel - em Gn. 11:1-9 diz que Deus espalhou os homens sobre a face de toda a terra. Esta dispersão foi decorrente de juízo de Deus, por desobediência humana. Deus mandou que se espalhassem, e eles não quiseram, mas começaram a fazer uma cidade e uma torre, para não se espalharem. Na ocasião, Deus confundiu a linguagem de toda a terra. No dia de pentecoste, houve um fenômeno inverso, pois o Espírito Santo capacitou os discípulos de Jesus, a falarem em outras línguas. Deus estava começando a reunir os filhos de Deus, que andavam dispersos.

b) A dispersão do cativeiro Babilônico – Em Ester 3:8 Hamã diz ao rei Assuero “Existe espalhado e dividido entre os povos em todas as províncias do teu reino um povo cujas leis são diferentes das leis de todos os povos...” Os judeus foram dispersos, expulsos de sua terra, sua herança, por causa de desobediência a Deus. Com Esdras e Neemias, Deus tornou a trazer os dispersos de volta a sua terra, que Ele havia dado a Abraão e à sua descendência. Deus dá uma segunda oportunidade.

c) A dispersão do ano setenta D.C. - No ano setenta da era cristã, O general Tito do Império Romano, destruiu Jerusalém, e mandou os judeus que restaram para a dispersão entre as nações. No século dezenove, Deus começou a ordenar que os judeus voltassem para a sua terra. Hitler e o Nazismo mataram seis milhões de judeus da Europa, e foi isso que convenceu os judeus de que precisavam de uma terra própria. Isto aconteceu no século vinte. O movimento Sionista começou a chamar os judeus de volta para a sua terra. Deus estava reunindo o seu povo que estava disperso? Em 1947 uma Assembléia Geral ONU aprovou uma Resolução reconhecendo o direito de os judeus terem uma pátria. Em 1948 nasceu a nação de Israel. Deus estava reunindo o seu povo? Tg.1:1 diz “Tiago, servo de Deus e do Senhor Jesus Cristo, às doze tribos que andam dispersas: Saúde.” Em I Pd.1:1 diz “Pedro, apóstolo de Jesus Cristo, aos estrangeiros dispersos no Ponto,Galácia, Capadócia, Ásia e Bitínia...”. A igreja é a ação de Deus reunir os seus filhos que andam dispersos.

D) A dispersão dos anjos - Em Apocalipse 12:4 diz que a cauda do dragão levou após si um terço das estrelas do céu. A expressão “após si” lembra o dito de Jesus “se alguém quer vir após mim” chamando pessoas para segui-lo. Podemos deduzir que Lúcifer seduziu um terço dos anjos a segui-lo na sua rebelião contra Deus. “E foi precipitado o grande dragão, a antiga serpente, chamada o diabo e Satanás, que engana todo o mundo; ele foi precipitado na terra, e os seus anjos foram lançados com ele.” (Ap.12:9). Se ele engana todo o mundo, enganou também os anjos. Sabendo da misericórdia de Deus, que deu ao homem a oportunidade de se arrepender de seus pecados, não daria também a mesma oportunidade aos anjos? Não é o caso de Lúcifer, de quem é dito “Perfeito eras nos teus caminhos, desde o dia em que fost e criado, até que se achou iniqüidade em ti.”

Suponhamos, e isto é apenas uma suposição, que Deus resolveu dar uma oportunidade aos anjos de se arrependerem, ele faria isso, enviando-os a terra, sem memória, em forma humana, como enviou Jesus . Então, estaria harmonizada a expressão filhos de Deus, do Velho Testamento, com a mesma expressão, no Novo, se referindo aos pecadores humanos que se arrependem. 

A verdade é que Jesus morreu para reunir em um corpo, os filhos de Deus que andam dispersos. Se você é um desses filhos de Deus, seja qual for a sua origem, volte para Deus, através de Jesus.

sexta-feira, 13 de maio de 2011

A MORTE DE BIN LADEN E O DEUS DO ISLAM

“Alá é a palavra em árabe para “Deus”como Yahweh é a palavra em hebreu para “Deus” usada no Velho Testamento?”

Com a morte de Bin Laden, a discussão a respeito do Islam, e de suas doutrinas, é novamente colocada em evidência. Digo “novamente” porque em 11 de setembro de 2001, com o ataque terrorista às Torres Gêmeas do W.T. Center, esse mesmo interesse se fez sentir. A pergunta em epígrafe, feita pelo repórter de Veja, deve ter sido respondida por John L. Esposito, professor de religião e relações internacionais da Universidade Georgetown, em Washington D.C.(Pergunta nº 12, pg.109, de 11 de maio de 2011). Dentre outras coisas ele diz “São interpretações distintas de uma mesma divindade”.Darei a minha opinião também.

Em primeiro lugar, a palavra “Deus”, ou mesmo “deus”, é a designação de um ser superior. Se for o maior de todos, usa-se a palavra em maiúscula, “Deus”. Se não for, usa-se a palavra em minúscula, “deus”. Isto depende da crença de cada pessoa, ou religião. Em hebraico a palavra para “Deus” é “El”, e Elohim (plural), que também significa “deuses”. Os anjos são chamados de “deuses”. Por exemplo, no Salmo 82:1: “Deus está na congregação dos poderosos; julga no meio dos deuses.” Elohim aqui é o presidente desta assembléia de deuses. Só que, além de serem deuses, os anjos, cada um tem um nome próprio. Miguel é o nome próprio do Arcanjo, enquanto Gabriel, é o nome próprio do anjo mensageiro, que aparece tantas vezes no Antigo, como no Novo Testamento. Esses são os únicos nomes de anjos que aparecem na Bíblia. 

No livro de Enoque, considerado apócrifo, não canônico, aparecem muitos nomes. Alguns acham que o nome “Heilel”, que aparece em Isaías 14:12, é o nome próprio do Querubim, que ficou conhecido como Lúcifer. No Antigo Testamento aparecem nomes de deuses adorados pelas nações, como Milcom e Moloque(amonitas), Quemos(moabitas), Sucote-Benote(Babel), Nergal(Cuta), Asima(Hamate), Nibaz e Tartaque(Aveus), Adrameleque e Anameleque(Sefarvaim).

O nome próprio do Deus da Bíblia é, de fato, Yhaweh, e só aparece no Antigo testamento, em hebraico. Nas versões modernas das bíblias em português, o nome próprio da divindade é traduzido como Senhor. É complicado, pois, a palavra Senhor, não é nome próprio de ninguém, mas um título. A maneira de escrever e pronunciar varia em Jeová, Iavé, Yhaweh. 

Traduzir o nome próprio de Deus, pelo título Senhor, gera uma série de confusões. Senhor em hebraico é Adonai. Observe essa tradução: “Eu sou o Senhor. E eu apareci a Abraão, e a Isaque, e a Jacó, como o Deus Todo-Poderoso; mas pelo meu nome, o Senhor, não lhes fui perfeitamente conhecido.” Vejamos agora a tradução mais literal: “Eu sou Iavé. E eu apareci a Abraão, e a Isaque, e a Jacó, como o Deus Todo-Poderoso; mas pelo meu nome, Iavé, não lhes fui perfeitamente conhecido.” (Êxodo 6:2,3). Essa confusão deriva de dois fatores: o medo dos judeus de quebrarem o terceiro mandamento do decálogo “Não tomarás o nome de Iavé, teu Deus, em vão”; e a adoção, pelo Novo Testamento, da Septuaginta(LXX), ou versão dos setenta, a tradução grega do Antigo Testamento, que traduz Iavé por Kyrios, que em grego, significa Senhor.

Só que os judeus sabiam, ou deveriam saber, que o Deus que lhes fora revelado tinha um Filho. “Quem subiu ao céu e desceu? Quem encerrou os ventos nos seus punhos? Quem amarrou as águas nas suas roupas? Quem estabeleceu todas as extremidades da terra? Qual é o seu nome, e qual é nome de seu filho, se é que o sabes?” (Pv.30:4).

Quando Jesus apareceu na terra, Ele disse ser esse Filho de Deus, em carne humana, já que a divindade é espírito. Jesus não usou o nome próprio de Deus, mas o chamava de Pai, bem como ensinou seus discípulos a fazerem o mesmo. O título de Cristo que Jesus recebeu, não se confunde como o seu nome próprio. Cristo é o Messias, o Ungido, mas seu nome próprio é Jesus. Já o Espírito Santo, que é a terceira pessoa da trindade, seu nome não é revelado na Bíblia.

O Islamismo crê que há um só Deus, que não existe trindade, e que Alá não tem um filho. A palavra Alá, ou é um título, ou é o nome próprio da divindade do Islam. Todavia, pela devoção e o respeito que os muçulmanos têm por esse nome, parece mais ser o nome próprio do Deus deles. O título “Deus” não tem poder, mas sim o nome próprio da divindade que se adora. “Iavé te ouça no dia da angústia; o nome do Deus de Jacó te proteja.”(Sl.20:1).

Cada Cristão, quando precisa de ajuda, clama pelo nome de Jesus, e não pelo título Cristo. O judeu deveria clamar por Iavé, que é o nome do Deus de Jacó. O Judeu adora Iavé, o Deus Pai. O Cristão adora o mesmo Deus, por meio de seu Filho Jesus Cristo. Um dos dois está errado. Bem, Jesus disse “Eu sou o Caminho, e a Verdade, e a Vida. Ninguém vem ao Pai senão por mim.” Porém, apesar da diferença, Tanto Iavé, quanto Jesus têm uma conexão no mesmo livro, a Bíblia. O Novo Testamento é uma evolução do Velho testamento. Só não podemos misturar o tempo da lei com o tempo da graça. 

Todavia, no Islam, a diferença é muito grande. Eles têm um outro livro, o alcorão; têm um outro profeta, Maomé; tem um outro Deus, Alá. Por causa da dificuldade do ocidente com a língua árabe e a hebraica, os ocidentais podem, por ignorância, pensar que Alá é o Deus da Bíblia, mas não é. Alá é um outro Deus. 

Você é livre para escolher o Deus em quem vai confiar. Você pode escolher confiar em Alá como o Deus da sua aliança; ou você pode escolher Iavé diretamente, como o Deus da sua aliança, como os judeus fazem; ou você pode escolher Iavé, por meio de seu Filho, Jesus Cristo, como o Deus da sua aliança. Eu escolho Jesus para me levar ao Deus Pai, Iavé, e você?