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segunda-feira, 25 de agosto de 2014

O REINO DE DEUS

Este é o tema preferido de Jesus. Não é a república, nem o império, mas o reino de Deus. Não é a democracia, que é o governo do povo, mas o reino. 

A democracia diz “Todo o poder emana do povo, e em seu nome será exercido”, mas a Bíblia diz “Deus falou isto uma vez, duas vezes eu ouvi: que o poder pertence a Deus”. (Sl. 62:11). Um reino tem um rei, uma lei, que é a manifestação da vontade do rei, uma circunscrição territorial, onde a autoridade do rei vigora ou exerce jurisdição, e um povo, que são súditos, e que se submetem a essa autoridade, obedecendo à sua lei. 

O rei tem um trono, que não é o lugar onde o rei senta para descansar, mas para exercer autoridade de juiz. Creio que foi daqui que derivou a expressão “ex catedra”, de cadeira, onde o professor se assenta para ensinar com autoridade. Jesus disse “Os escribas e  fariseus se assentam na cadeira de Moisés. Portanto, fazei e guardai tudo o que eles vos disserem; mas não lhes imiteis as obras, pois não praticam o que dizem.” (Mt.23:2,3).  A cadeira de Moisés era o lugar de ensinar com autoridade a lei de Moisés, ou de Deus. Isaías disse “No ano em que morreu o rei Uzias, eu vi Jeová assentado sobre um alto e sublime trono, e as abas do seu manto enchiam o templo.” 

No Antigo Testamento, o rei do reino de Deus era Jeová, mas no Novo Testamento é Jesus, porque o Pai delegou ao Filho o direito de julgar e reinar.  Tudo indica que a sede do reino de Deus é um lugar, planeta, ou dimensão, que é chamado na Bíblia de céus, ou céu. Creio que o mundo físico, o que vemos, nos ensina muito do que seja o céu. Só para lembrar: tudo indica que o céu não é visível aos olhos humanos, por isso ele pode estar mais perto de nós do que pensamos, e o fato de não o vermos, não significa que ele não exista, ou que está imensamente distante. 

O nossos sistema solar, segundo se sabe, é constituído de oito planetas girando em torno do sol. Podemos até pensar que os demais planetas não são habitados, mas o que podemos dizer é que eles não tem uma forma de vida semelhante à nossa. Até mesmo o sol pode ser habitado por seres de fogo, pois em Gn.  3:24, a espada flamejante que se revolvia, pode ser uma criatura de fogo, em forma de espada. A “multiforme sabedoria de Deus” pode ser deduzida da variedade de formas de vida existentes só no planeta terra.

Imagine se Deus usou a sua multiforme sabedoria e ilimitado poder, para criar variedade de planetas, e diferentes formas de vida, peculiares a cada planeta. Se o céu é a sede do reino de Deus, ele pode ser a sede de uma federação intergaláctica (de galáxia) de planetas, governados a partir do trono de Deus.

E a terra seria apenas uma província em rebelião. Neste caso, o reino de Deus continua a existir, independentemente da terra em rebelião contra o rei e seu reino. Novamente usando o físico como metáfora do mundo espiritual, Ninrode, o líder da rebelião da torre de Babel, foi o primeiro homem que tentou tentar criar um reino na terra, independente de Deus. A reação do rei foi imediata, pois ele desceu e confundiu a língua deles, criando os idiomas, e espalhando os homens por toda a terra, além de criar os continentes, colocando os mares entre as porções de terra. 

Mas, devemos lembrar que o ser humano foi criado à imagem e semelhança de Deus, e que a rebelião foi induzida por um querubim que já se tinha rebelado no céu. A Bíblia, repetidamente, diz que Deus é longânimo, paciente, misericordioso, compassivo, tardio em irar-se e que se arrepende do mal. Mas não devemos nos iludir com esse lado da personalidade de Deus, pensando que ele é um paizão, permissivo, liberal, e que passa a mão pela cabeça de quem erra. Ele é justo. Ele combina amor e justiça, na sua personalidade, pois também é dito que ele de maneira nenhuma terá o culpado por inocente. Quando sua ira de derrama, saia do meio, pois ninguém pode detê-lo. 

Mas, apesar da terra, isto é, o mundo (kosmo) estar em rebelião “Deus amou o mundo de tal maneira, que deu o seu filho unigênito, para que todo aquele que nele Crer, não pereça, mas tenha a vida eterna.”(Jo.3:16). Deus quer que os humanos voltem a entrar no reino, pois “todos pecaram, e foram destituídos da glória de Deus.” (Rm.3:23). Jesus disse: “Jesus, porém, chamando-as a si, disse: Deixai que as crianças venham a mim e não as impeçais, porque o reino de Deus é dos que são como estas. Em verdade vos digo que quem não receber o reino de Deus como uma criança de modo algum entrará nele.” (Lc. 18:16,17). E mais “Então, vendo-o assim, Jesus disse: Como é difícil para os que têm riquezas entrar no reino de Deus! Pois é mais fácil um camelo passar pelo fundo de uma agulha do que um rico entrar no reino de Deus.” (Lc.18:24,25). Lucas continua no livro de Atos: “Mas, quando creram em Filipe, que lhes pregava acerca do reino de Deus e do nome de Jesus, deixaram-se batizar tanto homens quanto mulheres.” 

A maneira de entrar no reino de Deus, é adotando a autoridade do rei Jesus sobre si, se submetendo a ele e à sua lei, começando em se submeter ao batismo.

terça-feira, 19 de agosto de 2014

A LEI E A GRAÇA


Mt. 5:17-20

Vamos começar lembrando que não entraremos no reino de Deus por guardarmos a lei de Deus, dada a Moisés no monte Sinai, no Antigo Testamento, resumida nos Dez Mandamentos. Tiago diz “Porque qualquer que guardar toda a lei, e tropeçar em um só ponto, tornou-se culpado de todos.” (Tg.2:10). Paulo diz “porquanto pelas obras da lei nenhuma carne será justificada.” (Gl.2:16b). Então vamos dividir o assunto em três pontos:

1.       COMO ENTRAR NO REINO DE DEUS  -  “Porque eu vos digo que, se a vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus, de modo nenhum entrareis no reino dos céus.” Veja que Mateus escreveu “Porque a vós é dado conhecer os mistérios do reino dos céus...” (Mt.13:11) e Marcos escreveu “A vós vos é dado saber os mistérios do reino de Deus...” (Mc.4:11). Então a conclusão é que a expressão “reino dos céus e” e “reino de Deus” são sinônimas, sendo que Mateus usa a primeira porque está escrevendo aos judeus, e estes tem medo de usar o nome o nome Deus, por causa do mandamento de não tomar o nome de Deus em vão. Mas como entrar no reino de dos céus ou de Deus? Paulo diz “pela graça sois salvos, por meio da fé, e isto não vem de vós, é dom de Deus.” (EF.2:8). E Gn. 15:6 diz “E creu Abrão em Deus, e isto lhe foi imputado como justiça.” E Ap. 21:27 diz “E não entrará nela coisa alguma que contamine, e cometa abominação e mentira; mas só os que estão inscritos no livro da vida do Cordeiro.” Está se referindo â nova Jerusalém. O certo é que não entrará no reino de Deus pecado, que é crime espiritual, ou transgressão da lei de Deus. O remédio para isso se chama Justificação, que demanda justiça, e deriva de uma visão jurídica da salvação. Outras figuras são usadas na Bíblia para falar do mesmo assunto, e temos de identificar que tipo de linguagem está sendo usada, para não fazermos confusão. Uma figura que é usada é a da morte e ressurreição (Rm.6:4), e da plantação (Rm.6:5), da crucificação (Rm.6:6). Mas tem também a figura do novo nascimento, que o próprio Jesus usa em Jo. 3:3,5 “Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus...Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus.” Os escribas e fariseus não podiam entrar no reino porque procuravam entrar por guardar a lei. A lei dizia “Faze estas coisas, e por elas viverás”, mas a graça diz “O justo viverá pela fé”. Mas “nascer da água” é o batismo nas águas, e “nascer do Espírito” é o batismo no Espírito Santo. Jesus disse “quem crê e for batizado será salvo”. Quando os apóstolos começaram a pregar, todos eles, a exemplo de João Batista e Jesus, exigiram o arrependimento, como primeiro passo para se entrar no reino de Deus. “Arrependei-vos, e sede batizados em nome de Jesus Cristo para perdão dos pecados...” (At.2:38). Então, três palavras são usadas: Perdão dos pecados(At. 2:38); apagados os pecados (At.3:19); lavados os pecados (At. 22:16). Perdoar, apagar, e lavar, são palavras fortes para mostrar a maneira como Deus lida com o pecado humano. Tudo isso se chama Justificação, que é o termo jurídico e teológico. Tudo isso envolve fé, e precisamos entender que fé não um mero assentimento como o levantar de mão, mas se submeter ao plano de Deus, obedecendo a cada uma dessas etapas. Mas observe que, na sequência de cada um dos textos de Atos, que fala da justificação, segue-se o recebimento do Espírito Santo, também chamado de batismo no espírito Santo, que é a doutrina da santificação. Então, para entrar no reino de Deus não é preciso guardar a lei, mas crê no que Jesus fez, e se submeter a isso, mediante arrependimento e batismo. Esses dois passos são decisão humana, mas o batismo no Espírito Santo é decisão de Deus, que vê o coração, e sabe se você creu de todo coração. (At.8:37). Hebreus 6:1 chama esses dois passos iniciais de “arrependimento de obras mortas e fé em Deus.” Jesus disse que se alguém não nascer da água e do espírito, não pode entrar no reino de Deus. Procure entrar, pois Jesus disse “Porfiai por entrar pela porta estreita; porque eu vos digo que muitos procurarão entrar, e não poderão.” (Lc. 13:24). Não vai ser fácil. Jesus disse mais “entre os que de mulher têm nascido, não apareceu alguém maior do que João Batista, mas aquele que é o menor no reino dos céus é maior do que ele. E, desde os dias de João Batista até agora, se faz violência ao reino dos céus, e pela força se apoderam dele.” Mas já estamos dentro do reino, sem cumprir a lei. Mas, e agora, para serve a lei?

2.       OS QUE VIOLAM A LEI DENTRO DO REINO  -  “Qualquer pois que violar um destes mais pequenos mandamentos, e assim ensinar aos homens, será chamado o menor no reino dos céus.” Se a lei não serve para nos colocar dentro do reino, mas a fé, agora que já estamos dentro, a lei tem o seu papel a cumprir. Em primeiro lugar, não diz que perde a salvação, quem transgride a lei, dentro do reino. Mas o que diz é que ocupará um lugar inferior, ou seja, o status dentro do reino de Deus, é concedido na proporção do cumprimento da lei. E não é só cumprir, mas também ensinar. Tem lógica, pois Hb. 8:8-12, citando Jeremias 31:31, diz “Dias virão em que estabelecerei  com a casa de Israel e com a casa de Judá uma nova aliança...Porei as minhas leis na sua mente e as escreverei no seu coração...” o homem natural não pode deixar de se irar, nem de olhar para uma mulher sem cobiçá-la, mas o crente cheio do Espírito de Deus pode. Paulo escreveu “Porque a lei do espírito de vida, em Cristo Jesus, te livrou da lei do pecado e da morte.” (Rm. 8:2). Se a lei reflete o caráter de Deus, o filho de Deus, redimido, reflete o caráter da lei em sua conduta. Quando Ef. 2:8,9 diz que o homem não será salvo (justificado) pelas obras (da lei), acrescenta no verso dez “Pois fomos feitos por Ele, criados em Cristo Jesus para as boas obras (da lei), previamente preparadas por Deus para que andássemos nela.” Não somos salvos pelas obras (da lei), mas para as boas obras (da lei). Paulo diz mais “O amor não faz mal ao próximo. De modo que o amor é o cumprimento da lei.” (Rm.13:10). E mais “o amor de Deus foi derramado em nosso coração pelo Espírito Santo que nos foi dado.” (Rm.5:5). Jesus também diz “Portanto, tudo o que quereis que os homens vos façam, fazei também a eles; porque esta é a lei e os profetas.” (Mt.7:12).

3.       OS QUE CUMPREM A LEI DENTRO DO REINO  -  “aquele, porém, que os cumprir e ensinar será chamado grande no reino do céu.” No livro de Esdras está escrito o seguinte: “Porque Esdras tinha-se disposto no coração a estudar a lei do Senhor e a praticá-la, e a ensinar em Israel os seus estatutos e normas.” Esdras era sacerdote, descendente do sumo sacerdote Arão, e nessa condição era um tipo e figura do crente do novo Testamento. Se Esdras já tinha sido justificado pela fé, isto é, já estava dentro do reino de Deus, adotou a atitude certa em estudar, praticar, e ensinar a lei de Deus, embora estivesse no regime da velha aliança. Jesus disse que quem cumprir a lei, dentro do reino de Deus, e assim ensinar aos homens, será chamado grande no reino de Deus. A lei não serve para justificar o homem, mas para, depois de justificado pela fé, dar balizamentos de como é o caráter de Deus, e tentar imitá-lo. “Meus filhinhos, estas coisas vos escrevo, para que não pequeis; e, se alguém pecar, temos um advogado para com o Pai, Jesus Cristo, o Justo. No regime da lei não tem advogado, mas no da graça tem. O crente, porém, que aprendeu a lidar com o pecado para a justificação, tem de aprender a lidar com o mesmo pecado, para a santificação. O pecado não deve ser uma constante na vida do crente, mas um acidente, uma exceção. João diz “Se dissermos que não temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos, e não há verdade em nós.” (I Jo. 1:8). Então, temos de nos examinar constantemente para ver se tem algum pecado em nós. “Se dissermos que não temos pecado, fazemo-lo mentiroso, e a sua palavra não está em nós.” Se constatarmos algum pecado em nós, o caminho é semelhante ao do princípio. “Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo, para nos perdoar os pecados(justificação) e nos purificar de toda a injustiça (santificação).” (I Jo. 1:9). A confissão demonstra arrependimento, e deve ser feita a Deus, ou a um outro ser humano. Então não despreze a lei, pois embora ela não sirva para nos justificar, nem para nos colocar dentro do reino de Deus, uma vez dentro, ela serve para alcançarmos galardão dentro do reino. Um estrangeiro que quer ser cidadão brasileiro, não o conseguirá por cumprir a lei do Brasil, mas por outro processo. Todavia, uma vez se tornando cidadão brasileiro, está obrigado a cumprir a lei do país, sob pena de ser punido, ainda que possa não ser expulso.