quinta-feira, 17 de julho de 2014

FILHOTES DE ÁGUIA


“Os olhos que zombam do pai ou desprezam a obediência à mãe serão arrancados pelos corvos do vale e DEVORADOS PELOS FILHOTES DA ÁGUIA” – Pv.30:17.

Deus deu ao homem dois livros, que a teologia chama de Revelação Geral e Revelação Especial. A Revelação Especial é a Bíblia, daí Solla Scriptura. Mas, muitas vezes esquecemos de olhar no outro livro, que é a natureza ou a criação. Davi disse “Os céus proclamam a glória de Deus, e o firmamento anuncia as obras das  suas mãos.” (Sl. 19:1). Jesus disse “Olhai para as aves do céu, que não semeiam, nem colhem,  nem ajuntam em celeiros; mas vosso Pai celestial as alimenta. Acaso não tendes muito mais valor do que elas?”  e “Olhai como os lírios do campo crescem; eles não trabalham nem tecem; mas eu vos digo que nem Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como um deles.” (Mt.6:26, 28, 29). Parece um convite para aprendermos com a natureza, as leis da criação. É sabido que os animais ferozes, predadores, que estão no topo da cadeia alimentar, normalmente, na natureza, não se alimentam de presas mortas, mas, de vivas. O leão (ou a leoa) e outros felinos, se alimentam de presas vivas, bem assim a águia, falcão, gavião. Porém, o abutre, o urubu, o corvo, se alimentam de carniça, ou presas mortas, e bem assim, a hiena. Creio eu, que esses animais são tipos ou figuras de realidades do mundo espiritual. Pedro teve uma visão, na qual viu “o céu aberto e um objeto descendo, como se fosse um grande  lençol, baixado pelas quatro pontas sobre a terra. Nele havia todo tipo de quadrúpedes, animais que rastejam pela terra e aves do céu. E uma voz lhe disse: Levanta-te, Pedro, mata e come.” (At. 10:11-13).

Mas quero me reportar ao texto de II Sm. 18:14,15, que diz “E tomou (Joabe) na mão três dardos , e com eles traspassou o coração de Absalão, estando ele ainda vivo no meio do carvalho. Dez jovens que levavam as armas de Joabe o cercaram,  atacaram a Absalão e o mataram.” Este texto está cheio de tipologia, ensinamentos espirituais. Joabe está no topo da cadeia alimentar. Ef. 6:12 descreve a hierarquia do mundo espiritual, em três categorias, a saber: 1. Principados e Potestades; 2. Dominadores deste mundo Tenebroso;  3. Hostes Espirituais da maldade  nos lugares celestiais. Alguém já dividiu a Guerra Espiritual em: 1. Nível Solo; 2. Nível Tático; Nível Estratégico. 

Os três filhos de Zeruia, sobrinhos de Davi, eram: Joabe, Abisai e Asael.  Joabe era do nível mais elevado, Abisai, do nível intermediário, e Asael, do nível mais baixo, ou solo. Abner era do mesmo nível que Joabe, por isso matou Asael. Mas, voltando ao texto, Absalão é uma figura quase perfeita de Satanás. O filho que se rebelou. É dito dele “Não havia em todo o Israel ninguém que fosse tão admirável pela sua beleza como Absalão; ele não tinha defeito algum desde a planta do pé até o alto da cabeça.” (II Sm.14:25). Lúcifer era “cheio de sabedoria e perfeito em formosura...Elevou-se o teu coração por causa da tua formosura, corrompeste a tua sabedoria por causa do teu resplendor.” (Ez. 28:12,17). Ap. 12:7,8 “Então, houve guerra no céu: Miguel e seus anjos batalhavam contra o dragão. E o dragão e seus anjos reagiam, mas estes não prevaleceram e perderam seu lugar no céu.” E no  verso 4 “sua cauda arrastava a terça parte das estrelas do céu, lançando-as sobre a terra”. Alguém já se aventurou a dizer, com certa propriedade, que o exército celestial era formado por três esquadrões. Um sob o comando de Miguel, outro sob o comando de Gabriel, e outro sob o comando de Heilel (Lúcifer). Um terço foi o esquadrão de Lúcifer, que aderiu à sua rebelião, e seguiu a sua liderança. No caso de Absalão é dito que “E de Jerusalém foram com Absalão duzentos homens convidados,  porém, iam na sua simplicidade, porque  nada sabiam daquele  negócio.” (II Sm. 15:11). Será que no caso de Lúcifer aconteceu o mesmo? Pode ser, levando-se em conta o seu caráter. Em Apocalipse 20 está escrito: “para que mais não engane as nações” “E sairá a enganar as nações” “E o diabo que os enganava”. (Ap.20:3,8,10). Mas, voltando ao texto, é dito que Joabe “tomou três dardos, e traspassou com eles o coração de Absalão...E o cercaram dez jovens, que levavam as armas de Joabe. E feriram a Absalão e o mataram.” Esses dez jovens representam os discípulos, levando-se em conta a parábola das dez virgens, os dez jovens enviados por Davi a Nabal, os dez filhos de Jó, e outros. Com três dardos no coração de Absalão, esperava-se que ele morresse. Mas a missão de matar Absalão foi dada aos dez jovens que levavam as armas de Joabe. Foram os discípulos que mataram Absalão. Lembre que ave de rapina não se alimenta de presa morta, mas de viva. Porém, a  águia não vai lançar dentro seu  ninho, para seus filhotes, uma cobra totalmente viva, mas, ferida mortalmente, a fim de treiná-los a caçar. Jesus é a águia, e nós seus discípulos, somos os filhotes de águia, e a terra é um grande ninho de águia. Hebreus diz “E, visto como os filhos participam da carne e do sangue, também Ele participou das mesmas coisas, para que pela morte aniquilasse o que tinha o império da morte, isto é, o diabo.” (Hb.2:14). Apocalipse diz “E foi expulso o grande dragão, a antiga serpente, chamada Diabo e Satanás, que engana todo o mundo. ELE E SEUS ANJOS FORAM LANÇADOS NA TERRA.” (Ap.12:9).  

A terra é um grande ninho de águia. Os discípulos de Jesus são filhotes de águia. Por isso o Espírito Santo disse a Pedro: “Levanta-te, Pedro. Mata e come.”(At.10:13). Satanás foi lançado, ferido, dentro desse ninho, e está cercado de ameaçadores e famintos filhotes de águia, que ameaçam devorá-lo. Mas a situação é perigosa também para os filhotes, pois uma cobra ferida dentro do ninho pode machucá-los, e até matá-los e engoli-los. Por isso Pedro Pedro diz “Sede sóbrios; vigiai; porque o diabo, vosso adversário, anda em derredor, bramando como leão, buscando a quem possa tragar.” Se o filhote dormir, tendo uma cobra ferida dentro do ninho, pode ser surpreendido. É claro que a águia mãe (O Espírito Santo), não abandona o ninho, a não ser para caçar pelo território. Mas ao ouvir os gritos dos filhotes (oração), volta veloz, para socorrê-los. A atitude dos filhotes é decisiva. Se eles se encolherem e ficaram com medo da cobra, ela virá para cima deles. Mas se eles, fazendo jus à sua natureza de aves de rapina, de predador, partirem para cima dela,  a cobra fugirá deles. “Sujeitai-vos pois a Deus, resisti ao diabo, e ele fugirá de vós.” (Tg.4:7). 

Li a história de um filhote de águia que foi criado no meio de galinhas. Pelo condicionamento cultural ele aprendeu a se comportar  como galinha. Mas um dia, um treinador de águias passou por ali e o reconheceu. Depois de várias tentativas, o filhote se convenceu da sua natureza de águia, olhou firmemente para o sol, e voou em sua direção. Somos filhotes de águia dentro de um ninho, com uma cobra ferida, que temos de matar (no sentido espiritual)para nos alimentar dela. A nossa atitude definirá o resultado dessa convivência. “E o Deus de Paz esmagará em breve Satanás debaixo dos vossos pés.” (Rm.16:20).

quarta-feira, 16 de julho de 2014

VESTIDO COM AS ROUPAS DO IRMÃO MAIS VELHO

Gn. 27

Quando Jacó trouxe a Isaque, seu pai, um guisado saboroso, estava vestido com as roupas de Esaú, seu irmão mais velho, ou primogênito.  “Depois tomou Rebeca os vestidos de gala de Esaú, seu filho mais velho, que tinha consigo em casa, e vestiu a Jacó, seu filho menor.” (Gn.27:15).  Se Jacó não estivesse vestido com as roupas de Esaú, teria sido amaldiçoado, em vez de abençoado, como ele mesmo reconheceu. “Porventura me apalpará o meu pai e serei em seus olhos enganador; assim trarei sobre mim maldição, e não bênção.” (Gn.27:12). Então Rebeca, sua mãe, respondeu “Meu filho, sobre mim seja a tua maldição”. (v.13).  Assim vestido, Jacó recebeu de seu pai, a bênção da primogenitura. “Assim pois te dê Deus do orvalho dos  céus, e das gorduras da terra, e abundância de trigo e de mosto; sirvam-te povos, e nações se encurvem a ti; sê senhor de teus, e os filhos da tua mãe se encurvem a ti; malditos sejam os que te  amaldiçoarem, e benditos sejam os que te abençoarem.” (Gn.27:28,29). Isto é uma parábola, “ sombras e figuras”, de realidades que o Novo testamento veio trazer. Neste caso, Isaque representa Deus, Esaú representa Jesus, o Filho primogênito, e Jacó representa todos nós. O N. T. diz “Porque todos quantos  fostes batizados em Cristo já vos revestistes de Cristo...E, se sois de Cristo, então sois descendência de Abraão, e herdeiros conforme a promessa.” (Gl.3:27,29). Todos nós, seres humanos, que comparecermos diante de Deus, para nos submeter ao seu justo julgamento, seremos condenados, por causa do pecado. A Bíblia diz que não há justo, nenhum sequer. (Rm.3:10).  A não ser que também, como Jacó, estejamos vestidos com as roupas do nosso irmão mais velho, Jesus. (Roupas espirituais).  Dele é dito “TODOS OS TEUS VESTIDOS CHEIRAM A MIRRA, A ALOÉS E A CÁSSIA, DESDE OS PALÁCIOS DE  MARFIM DE ONDE TE ALEGRAM.” (Sl. 45:8).

Quando Jacó levou o guisado saboroso, este era feito de “dois bons cabritos das cabras”, preparado por sua mãe.(Gn.27:9).  Ora, os cabritos eram animais domésticos,  filhotes de bode com cabra. O guisado que foi trazido por Esaú, pelo contrário, era de animais selvagens, já que ele fora caçá-los fora da propriedade de seu pai. Os cabritos também representam Jesus, que foi morto e oferecido a Deus, como pagamento pelos nossos pecados. Se qualquer outro ser humano pecador fosse oferecido a Deus em sacrifício, seria rejeitado, pois Jesus era sem pecado. Temos de nos certificar se estamos vestidos com as vestimentas do nosso  irmão mais velho, para não sermos condenados. Assim como Jacó foi submetido a um rigoroso escrutínio, nós também o seremos, na presença de Deus. Jacó também teve suas mãos e seu pescoço cobertos com a pele dos cabritos. “E com as peles dos cabritos das cabras cobriu as suas mãos e a lisura do seu pescoço...E não o conheceu, porquanto as suas mãos estavam cabeludas, como as mãos de Esaú seu irmão; e abençoou-o.” (Gn.27:16,23). As peles dos cabritos também são uma figura da cobertura espiritual, que Jesus nos proporcionou, quando foi morto. Adão e Eva fizeram para si vestes de folhas de figueira, quando pecaram, e descobriram que estavam nus.  Mas, Deus providenciou vestes de peles de animais, e os vestiu. (Gn. 3:7,21). Na Parábola das Bodas, há um registro interessante. “E o rei, entrando para ver os convidados, viu ali um homem que não estavas trajado com vestidos de núpcias. E disse-lhe: Amigo, como entraste aqui, não tendo vestido nupcial? E ele emudeceu. Disse então o rei aos servos: Amarrai-o de pés e mãos, levai-o, e lançai-o nas trevas exteriores: ali haverá pranto e ranger de dentes.” (Mt. 22:11-13).

Tanto Esaú como Jacó, precisaram levar uma oferta de um guisado saboroso, a seu pai,  antes de pleitear receber a bênção da primogenitura. Isto nos ensina que devemos levar a Deus um sacrifício, uma oferta, antes de pleitear  receber a bênção da salvação ou qualquer outra bênção. Esta oferta é o Senhor Jesus Cristo, representado, tanto na figura do irmão mais velho, quanto na dos dois  cabritos. Quem se apresentar a Deus em qualquer outra base, não será aceito, mas amaldiçoado. Siga o exemplo de Jacó.

terça-feira, 15 de julho de 2014

JESUS E O PRINCÍPIO DE AUTORIDADE


1.       AUTORIDADE FAMILIAR
A família é uma instituição divina, como vemos desde que Deus criou Adão e Eva, que tiveram filhos.  Jesus nasceu a na família de José e Maria, e com certeza conhecia  o mandamento que está em Ex. 20:12 “Honra a teu pai e a tua mãe, para que se prolonguem os teus dias na terra que o Senhor teu Deus, te dá”, e em Deuteronômio 5:16 “Honra a teu pai e a tua mãe, como o Senhor teu Deus te ordenou, para que se prolonguem os teus dias, e para que te vá bem na terra que te dá o Senhor teu Deus.”Lucas registra o episódio de Jesus com doze anos de idade, na festa da páscoa, em Jerusalém, quando seus pais voltaram para buscá-lo, com as seguintes palavras: “E desceu com eles, e foi para Nazaré,  E ERA-LHES SUJEITO.”  (Lc.2:51). Jesus respeitava o princípio de autoridade, sendo sujeito a seus pais. Porém, no caso do casamento em Caná, da Galiléia, Jesus parece  fugir a esse padrão. Depois de sua mãe comunicar-lhe que o vinho tinha acabado, ele lhe responde: “Mulher, que tenho eu contigo? Ainda não é chegada a minha hora.” Geralmente, as traduções se apressam em colocar uma nora explicativa, dizendo “Mulher não é um termo desrespeitoso”.  Com certeza não,  mas  é normal? Por que Jesus se dirigiu assim a sua mãe. Ou por que qualquer filho se dirigiria assim a sua mãe? O rei Salomão respondeu à sua mãe: “PEDE, MINHA MÃE, PORQUE NÃO TE FAREI VIRAR O ROSTO.” (I Rs. 2:20). Esperava eu que Jesus respondesse nestes termos. Porém, vejamos onde aparece a expressão no Novo Testamento:
Mt.15:28 “Então respondeu Jesus, e disse-lhe:Ó mulher! Grande é a tua fé: seja isso feito para contigo como tu desejas. E desde aquela hora a sua filha ficou sã.”
Lc. 13:12 “E, vendo-a Jesus chamou-a a si, e disse-lhe: Mulher, estás livre da tua enfermidade.”
Jo. 4:21 “Disse-lhe Jesus: Mulher, crê-me que a hora vem, em que nem neste monte nem em Jerusalém adorareis o Pai.”
Jo.8:10b “Mulher, onde estão aqueles teus acusadores? Ninguém te condenou?”
Jo.19:26 “Ora Jesus, vendo ali sua mãe, e que o discípulo a quem ele amava estava presente,  disse à sua mãe: Mulher, eis aí o teu filho.”
Jo. 20:15 “Disse-lhe Jesus: Mulher, por que choras? Quem buscas?”

Em todos esses textos, Jesus parece estar, deliberadamente, evitando, dar um caráter de intimidade.  Maria, sua mãe, e Maria Madalena, ele conhecia bem. Mas parece estar dando uma mensagem para elas.É como se estivesse dizendo “Vocês me conheceram como um homem normal, mas é chegada a hora de vocês me conhecerem como o Messias, como o Filho de Deus.”  Para Maria, é como se ele estivesse dizendo “Embora você me tenha conhecido como seu filho, agora já não o sou mais, mas sou Filho de Deus”. Paulo parece ter captado esse fato , quando escreveu: “Assim que daqui por diante a ninguém conhecemos segundo a carne, e, ainda que tenhamos conhecido a Cristo segundo a carne, contudo agora já não o conhecemos deste modo.” Mulher não é um termo desrespeitoso, mas não é um termo de intimidade, é como você trata uma estranha. Então, a autoridade na família foi respeitada por Jesus, que era o primogênito, e tinha o direito de herdar a autoridade do pai, depois da morte deste.

2.       A AUTORIDADE RELIGIOSA
Jesus estava também debaixo da autoridade religiosa, no seu caso, o Judaísmo. O Sumo Sacerdote era a maior autoridade dentro do Judaísmo. Quando da maioridade de Jesus, o sumo sacerdote era Caifás. Embora Lucas diga que havia dois sumos sacerdotes, Anás e Caifás, sendo Anás sogro deste último, certamente somente um era legítimo, pois é impossível que Deus respaldasse tal coisa, à luz do Antigo Testamento. Era como se houvesse dois maridos na família e dois Imperadores romanos. A autoridade não pode ser dividida igualmente por duas pessoas, mas repousa somente sobre uma. Até mesmo na Trindade, o Pai manda no Filho, e Este manda no espírito Santo, que manda em nós. Só o diabo quer criar cobra de duas cabeças para gerar confusão. No ocidente moderno, o marido e a mulher têm a mesma autoridade, dentro de casa, e só poderia dar no que temos visto, confusão. Então, só Caifás era o sumo sacerdote legítimo. Tanto é que Jesus fala com Anás com uma liberdade, que não usa quando fala com Caifás. (Jo 18:2024). Paulo afrontou o sumo sacerdote, mas segundo as suas palavras, foi sem querer. “Mas o sumo sacerdote, Ananias, mandou aos que estavam junto dele que o ferissem na boca. Então Paulo lhe disse: Deus te ferirá, parede branqueada; tu está aqui assentado para julgar-me conforme a lei, e contra a lei me mandas ferir? E os que ali estavam  disseram: Injurias o sumo sacerdote de Deus? E Paulo disse: Não sabia, irmãos, que era o sumo sacerdote; porque está escrito: não dirás mal do príncipe do teu povo.”  Parece que Paulo se arrependeu de ter desrespeitado o sumo sacerdote. Bem, agora Jesus está diante do sumo sacerdote Caifás. “E, levantando-se o sumo sacerdote, disse-lhe: Não respondes coisa alguma ao que estes depõem contra ti? Jesus, porém, guardava silêncio. E, insistindo o sumo sacerdote, disse-lhe: Conjuro-te pelo Deus vivo que nos digas se tu és o Cristo, o Filho de Deus. Disse-lhe Jesus: Tu o disseste; digo-vos, porém, que vereis em breve o filho do homem assentado à direita do poder, e vindo sobre as nuvens do céu.” (Mt.26:62-64). Jesus não desrespeitou a autoridade do sumo sacerdote, nem se defendeu, mesmo sabendo que era inocente. Na sequência, está escrito “ENTÃO O SUMO SACERDOTE RASGOU OS SEUS VESTIDOS”. Parece que Caifás não andava lendo a sua Bíblia, pois Levítico 21:10, diz “E o sumo sacerdote entre seus irmãos, sobre cuja cabeça foi derramado o azeite da unção, e que for sagrado para vestir os vestidos, não descobrirá a cabeça NEM RASGARÁ OS SEUS VESTIDOS.” O sumo sacerdote transgrediu a lei, e condenou a Jesus, que era inocente. Mesmo assim, Jesus não o desacatou, mas se submeteu a ele. Será que temos respeitado as autoridades religiosas legítimas, instituídas por Deus?

3.       AUTORIDADE POLÍTICA
Lucas registra que foi no décimo quinto ano do reinado de Tibério césar, que João Batista começou o seu ministério (Lc. 3:1), e que Pôncio Pilatos era o governador da Judéia. Tenho ouvido dizer que a família e a igreja são instituições divinas. Não significa que são instituições isentas de erro, pois muitas vezes têm errado muito. O Estado também é uma instituição divina, Isto é, criado por Deus. E por ter, muitas vezes, errado tanto, têm sido visto, quase como maligno, isto é, criado pelo diabo. Paulo diz,  em Romanos 13,  que as autoridades do estado foram constituídas por Deus. Ele chama de magistrados, porque naquele tempo, ainda não havia a divisão tripartite dos poderes.  Ele diz “Por isso quem resiste à autoridade resiste à ordenação de Deus”. (Rm. 13:2). Pedro chama de “ordenação humana” (I Pd. 2:13), não porque tenha sido criada pelo homem, mas porque constituídas por humanos, embora tenha sido criada por Deus. Pilatos perguntou a Jesus “Tu és o rei dos judeus? Respondeu-lhe Jesus: Tu dizes isto de ti mesmo, ou disseram-te outros de mim? Pilatos respondeu: Porventura sou eu judeu? A tua nação e os principais dos sacerdotes entregaram-te a mim; que fizeste?  Respondeu Jesus: O meu reino não é deste mundo; se o meu reino fosse deste mundo, pelejariam os meus servos, para que eu não fosse entregue aos judeus; mas agora o meu reino não é daqui. Disse-lhe pois Pilatos: Logo tu és rei? Jesus respondeu: Tu dizes que eu sou rei. Eu para isso nasci, e para isso vim ao mundo, a fim de dar testemunho da verdade. Todo aquele que é da verdade ouve a minha voz. Disse-lhe Pilatos: Que é a verdade? “(Jo. 18:33-38). Em Jo.19:9-11, há outro diálogo entre Jesus e Pilatos. “E entrou outra vez na audiência e disse a Jesus: Donde és tu? Mas Jesus não lhe deu resposta. Disse-lhe pois Pilatos: Não me falas a mim? Não sabes tu que tenho autoridade para te crucificar e para te soltar? Respondeu Jesus: Nenhuma  autoridade terias sobre mim, se de cima não te fosse dada; por isso aquele que me entregou a ti maior pecado tem.”  Jesus reconheceu que Pilatos tinha autoridade sobre ele. Essa autoridade tinha sido dada pelo Imperador romano, que a tinha recebido de Deus. Parece coisa dos povos atrasados do passado, cujos governantes derivavam sua autoridade dos deuses, para enganar o povo. Mas aqui é a Escritura. Pode ser, e com certeza é, que os homens tenham abusado desse princípio, mas não podemos descartá-lo, pois o mesmo Deus que respalda a autoridade do governante, também  lhe pede contas. Belsazar, o rei dos caldeus, por ter abusado da sua autoridade, e profanado os vasos sagrados do templo de Jerusalém, foi julgado por Deus. No auge do Banquete sacrílego, “apareceram uns dedos de mão humana que escreviam no reboco da parede do palácio real, defronte do castiçal; e o rei via os dedos que estavam escrevendo.” Nessa hora toda a altivez do monarca caiu por terra, pois percebeu que tinha chegada a sua hora. “Então a fisionomia do rei mudou, e seus pensamentos o perturbaram; suas pernas ficaram fracas e seus joelhos batiam um no outro.” Daniel foi chamado para ler a inscrição, e leu: “Deus contou os dias do teu reino e pôs fim nele. Foste pesado na balança e foste achado em falta. O teu reino está dividido e entregue aos medos e persas.”  Seria bom que os nossos governantes meditassem nessas palavras, pois a história termina com estas palavras: “Naquela mesma noite foi morto Belsazar, o rei dos babilônios.” (Dn.5). Façamos a nossa parte, respeitando a autoridade legítima, constituída por Deus, e oremos para que Ele faça justiça. Herodes matou o apóstolo Tiago, à espada, mas a vingança de Deus veio logo, em resposta à oração da igreja. “E no mesmo instante feriu-o o anjo do Senhor, porque não deu glória a Deus; e, comido por vermes, morreu.” (At.12:23).

segunda-feira, 14 de julho de 2014

O PRINCÍPIO DE AUTORIDADE II


Quando a nação de Israel era vassala da Pérsia, no tempo do rei Assuero,  foi assinado um Decreto de extermínio de todos os judeus. “E em todas as províncias aonde a palavra do rei e a sua lei chegava, havia entre os judeus grande luto, com jejum,  e choro, e lamentação; e muitos estavam deitados em sacos e cinzas.” (Et. 4:3). Esta situação é muito semelhante ao que Hitler fez com os judeus, durante a Segunda Guerra Mundial, no que ficou conhecido como Holocausto. Mas há um princípio espiritual envolvido aqui, que pode ser aplicada a cada ser humano, individualmente. 

Quando recebemos uma má notícia, podemos até nos desesperar, como Israel fez,  mas é prudente procurar saber o que ocasionou tal situação. No caso de Israel na Pérsia, havia um motivo. Quem desencadeou a tragédia foi Mardoqueu, quando não soube lidar com o princípio de autoridade. Antes disso acontecer, a Escritura narra o seguinte: “Depois destas coisas o rei Assuero engrandeceu a Hamã, filho de Hamedata, o agagita, e o exaltou, pondo-lhe o assento acima dos de todos os príncipes que estavam com ele.”  (Et. 3:1). 

Lembrando que a autoridade estava sobre o rei Assuero, e ele, usando dessa autoridade, exaltou a Hamã. Então, depois do rei, Hamã era a maior autoridade, e quem desobedecesse a Hamã, estaria, por tabela, desonrando o rei. Vejamos o que diz o Novo Testamento: “Sujeitai-vos pois a toda a ordenação humana por amor do Senhor: quer ao rei, como superior; quer  aos governadores, como por ele enviados para castigo dos malfeitores, e para o louvor dos que fazem o bem. Porque assim é a vontade de Deus...Honrai a todos. Amai os irmãos. Temei a Deus. HONRAI O REI.”  (I Pd. 2:13,14,17). E mais ainda: “Toda alma esteja sujeita  às autoridades superiores; porque não há autoridade que não venha de Deus; e as que existem foram ordenadas por Deus. Por isso quem resiste à autoridade  resiste à ordenação de Deus; e os que resistem trarão sobre si mesmos a condenação.” (Rm.13:1,2).  Foi o que Mardoqueu fez. 

O texto de Ester diz: “O todos os servos do rei, que estavam à porta do rei, se inclinavam  e se prostravam diante de Hamã, PORQUE  ASSIM TINHA ORDENADO O REI ACERCA DELE.” Era ordem do rei que se inclinassem diante de Hamã. Quem não fizesse isso, estaria ofendendo o rei, antes de Hamã. Mardoqueu não obedeceu ao rei, pois está escrito: “PORÉM MARDOQUEU NÃO SE INCLINAVA  NEM SE PROSTRAVA.” (Et.3:  2b).  Mardoqueu teve oportunidade de se retratar, de se arrepender, mas não o fez, pois os servos do  rei, o interpelaram, dizendo: “POR QUE TRASPASSAS O MANDADO DO REI?  Sucedeu pois que, dizendo-lhe eles isto de dia em dia, e não lhe dando ele ouvidos, o fizeram saber a Hamã...” É claro que Hamã, orgulhoso como todo ser humano, não tolerou tal comportamento. Conseguiu, junto ao  rei, autorização para matar, não somente Mardoqueu,  mas também a todo o povo de Mardoqueu , pois soubera que este era judeu.  Mardoqueu afrontou a autoridade do rei e a de Hamã. Mardoqueu foi inconseqüente, e, somente depois que soube do decreto de extermínio de todo o seu povo, foi que caiu em si. 

“Quando Mardoqueu soube tudo quanto se havia passado, rasgou Mardoqueu os seus vestidos, vestiu-se de um saco com cinza, e saiu pelo meio da cidade, e clamou com grande a amargo clamor.” Nestes tempos de anarquia, convém atentarmos para os ensinamentos da palavra de Deus, para não termos de lamentar depois. Para encurtar a história, sabemos que o Decreto foi anulado, e Israel foi salvo, mas há dois atos que foram realizados, e que foram responsáveis pela anulação.

Diz-se que cada atitude  de honra, anula uma atitude desonra. Pode ser, pois antes de desonrar o rei, Mardoqueu praticou uma atitude de honra para com ele. Dois eunucos do rei, fizeram uma conspiração para matá-lo, tendo sidos denunciados por Mardoqueu, atravás da rainha Ester. Isto foi escrito nas crônicas perante o rei. Muito tempo depois, o rei perdeu o sono, e mandou trazer  o livro das memórias das crônicas, e se leram perante o rei. (Et. 6:1-14). (A televisão ainda não tinha sido inventada).  A partir daí o rei tinha um motivo para gostar de Mardoqueu, e o recompensou. Outra atitude nobre de Mardoqueu, foi que ele criou Hadassa, que é Ester, sua prima, que ficara órfã de pai e mãe.  No decorrer da história, Ester se tornou rainha,  esposa do rei Assuero.  Apesar de Hamã ter se tornado poderoso no reino, junto ao rei, havia uma pessoa mais poderosa do que ele, a esposa Ester, que conquistara o coração de seu marido. Foi por meio desse relacionamento que Israel foi salvo. Ester  honrava seu marido. 

Aliás, há um deliberado contraste entre a atitude rebelde da esposa Vasti, que desonrou seu marido, ao recusar atender ao seu chamado, e atitude submissa de Ester, que foi ao rei sem ser chamada. O ato rebelde de Mardoqueu foi uma desonra, que resultou no decreto de extermínio de todo o seu povo.  Se você perceber alguma semelhança com o caso de Adão, não é mera coincidência. Mas dois atos de honra de Mardoqueu, um em relação ao rei, e outro em relação à rainha, e um ato de honra de Ester, em relação ao rei, anularam o decreto de extermínio.  Se você está sofrendo por ter desonrado a autoridade de alguém, comece a praticar atitudes de honra, para anular as conseqüência da desonra. “Honrai a todos. Amai os irmãos. Temei a Deus. Honrai o rei.”

sexta-feira, 11 de julho de 2014

O ALTAR DE DOZE PEDRAS


No tempo do profeta Elias, Israel estava  com sua lealdade dividida entre Iavé e Baal. Elias disse ao povo “Até quando coxeareis entre dois pensamentos? Se Iavé é Deus, seguí-o; e se Baal, seguí-o. Porém o povo não lhe respondeu nada.”( RS. 18:21). Porém, depois do confronto de Elias com os profetas de Baal, tendo Elias orado, Deus respondeu com fogo. Só então o povo se decidiu, e disse: “Só Iavé é Deus! Só Iavé é Deus!” (I Rs. 18:39). Mas, antes disso, é dito de Elias: “E reparou o altar do Senhor, que estava quebrado.” 

Será que hoje tem crente com sua lealdade dividida? Será que tem crente com seu altar quebrado? Elias começou consertando o altar. “E Elias tomou doze pedras, conforme ao número das tribos dos filhos de Jacó, ao qual veio a palavra do Senhor, dizendo: Israel será o teu nome.” Era um altar de doze pedras. Também em Josué 4:8,9, Deus mandou Josué Levar doze pedras do leito seco do rio Jordão, por meio de doze homens, e depositá-las no outro lado, na terra de Canaã. Além disso, mandou também, que doze pedras fossem erguidas no meio do rio Jordão, ficando essas encobertas, depois que as águas voltaram ao seu lugar. Mas Elias consertou o altar usando doze pedras. 

Sabemos que um altar é feito para se oferecer algo em cima dele, para alguma divindade. Os profetas de Baal, ofereceram um bezerro sobre a lenha do altar, e invocaram o nome do seu deus. E nada aconteceu. Elias fez o altar de doze pedras, armou lenha sobre o altar, e cavou um rego em redor do altar, dividiu o bezerro em pedaços e o pôs sobre a lenha. Em seguida mandou que fosse derramada muita água, sobre o altar. Lembremos que a água era de muito valor naqueles dias, pois a três anos e meio não chovia. Algo de valor estava sendo oferecido sobre o altar. Os profetas de Baal ofereceram um bezerro, mas não ofereceram água. Foram doze cântaros de água que foram oferecidos sobre o altar. Em seguida Elias orou, e Deus respondeu com fogo. Holocausto é uma oferta queimada. Normalmente o fogo era providenciado  pelo ofertante, como no caso de Abraão. “E tomou Abraão a lenha do holocausto, e pô-la sobre Isaque seu filho; e ele tomou o fogo e o cutelo na sua mão, e foram ambos juntos.” (Gn.22:6). No caso de Elias, quando ele orou, Deus mesmo providenciou o fogo. “Então caiu fogo do Senhor, e consumiu o holocausto, e a lenha, e as pedras, e o pó, e ainda lambeu a água que estava no rego.”

Aliás, isto já havia acontecido antes, quando Davi edificou um altar, na eira de Ornã, o jebuseu, e ofereceu holocaustos e sacrifício pacíficos  “e invocou o Senhor, o qual lhe respondeu com fogo do céu sobre o altar do holocausto.” (I Cr. 21:26). Esta é a cosmovisão do Antigo Testamento. Vamos ver agora como se aplica isto no Novo Testamento.

O conceito de pedra do A.T. , muda para pedras vivas , no N.T.  Pedro diz “E, chegando-vos para ele, pedra viva, reprovada, na verdade, pelos homens, mas para com Deus eleita e preciosa.  Vós também, como pedras vivas, sois edificados casa espiritual e sacerdócio santo, para oferecer sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por Jesus Cristo.”  (I Pd. 2:4,5). É muito interessante, que quando Jesus encontrou Simão, mudou o seu nome para Pedro, que significa pedra. “Quando Jesus olhou para ele(Simão), disse: “Tu és Simão, o filho de João; tu serás chamado Cefas (que quer dizer Rocha). “ (BKJA). “Cefas” (como o apóstolo Paulo o chamava – I Co.9:5; Gl 1:18): Kepha, em aramaico ou Kephem hebraico – rocha (Jó 30:6; Jr.4:29), ou ainda petros, em grego. Portanto, Pedro significa pedra ou rocha (Is.51:1). Mas, como para o nome de um homem era necessário usar a forma masculina, permaneceu petros.” (Nota de rodapé da BKJA). Em Mt. 10:2 é dito que os nomes dos doze apóstolos são estes : “O primeiro, Simão, chamado Pedro...). “ O primeiro” tem o sentido de primogênito, o que revela uma hierarquia de autoridade. É muito sugestivo que Jesus tenha mudado o nome do primeiro dos seus discípulos, para pedra. Como o conceito de pedra do Antigo Testamento, muda para pedras vivas, no Novo, Simão é a primeira pedra que Jesus tomou, para construir o altar de doze pedras, como Elias também fez. Mateus registra como Jesus chamou os discípulos de maneira individual, ou por dupla.  “E Jesus , andando junto ao mar da Galiléia, viu a dois irmãos, Simão, chamado Pedro, e André...E disse-lhes: Vinde após mim, e eu vos farei pescadores de homens...viu outros dois irmãos, Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão...e chamou-os...E Jesus, passando adiante dali, viu assentado na alfândega um homem, chamado Mateus, e disse-lhe: Segue-me. E ele, levantando-se o seguiu.”  (Mt.4:18-21; 9:9). Lucas registra a chamada dos doze. “E, quando já era dia, chamou a si os seus discípulos, e escolheu doze deles, a quem deu também o nome de apóstolos.” (Lc.6:13). Teria Jesus completado o altar de doze pedras vivas? Sabemos que Satanás descompletou os doze, tirando Judas Iscariotes. “E, acabada a ceia, tendo já o diabo posto no coração de Judas Iscariotes, filho de Simão, que o traísse...E, após o bocado, entrou nele Satanás. Disse pois Jesus: O que fazes, fá-lo depressa.” (Jo.13:2,27). Mas o altar tinha de ser de doze pedras. Depois da partida de Jesus, Pedro tomou a iniciativa de eleger Matias no lugar de Judas, completando novamente as doze pedras. E, como no caso de Elias, eles estavam orando. “Todos estes perseveravam unânimemente em oração e súplicas, com as mulheres, e Maria mãe de Jesus, e com seus irmãos.” (At.1:14). 

No caso de Elias e de Davi, desceu fogo do céu, e consumiu o holocausto, que é o padrão do Antigo Testamento. Mas, neste caso, foi o Espírito Santo que desceu, que é o padrão do Novo Testamento, pois o altar é construído  de pedras vivas. Pedro diz que Jesus “derramou” o Espírito Santo (At. 2:33), e Atos 10:44 é dito que “caiu o Espírito Santo sobre todos os que ouviam a palavra.” Isto é mudança de paradigma. 

O altar do Novo Testamento é de pedras  vivas, e no lugar do fogo, quem cai sobre quem cai é o Espírito Santo, para consumir, não as pessoas, mas o pecado. Isto é santificação. Então, os crentes devem parar de pedir fogo, pois é melhor pedir o Espírito Santo. As línguas que foram vistas no dia de Pentecoste não eram de fogo, mas “como que de fogo”. Só pareciam, mas não eram. Foi sobre isto que Malaquias escreveu. “Mas quem suportará o dia da sua vinda? E quem subsistirá, quando ele aparecer? Porque ele será como o fogo do ourives e como o sabão dos lavandeiros. E assentar-se-á, afinando e purificando a prata; e purificará os filhos de Levi, e os afinará como ouro e como prata. Então ao Senhor trarão ofertas  de justiça.” (Ml.3:2,3) . 

Paulo disse “Que seja ministro de Jesus Cristo entre os gentios, ministrando o Evangelho de Deus, PARA SEJA AGRADÁVEL A OFEERTA DOS GENTIOS , SANTIFICADA PELO ESPÍRITO SANTO.”  (Rm.15:16). A oferta que Paulo entregou a Deus, foram os gentios que ele ganhou, e o sinal de que Deus recebeu a oferta, foi o Espírito Santo ter descido sobre eles. Como Deus respondeu com fogo sobre o altar, atendendo à oração de Elias. Podemos até ganhar muitas pessoas para Deus, como oferta sobre o altar, mas só saberemos se Deus recebeu, quando o Espírito Santo cair sobre elas. Filipe ganhou os samaritanos, batizou-os, mas não sabia se Deus havia aceitado a sua oferta, pois “Porque sobre nenhum deles tinha ainda descido; mas somente eram batizados em nome do Senhor Jesus.” Foi somente depois que Pedro e João oraram por eles,e  lhes impuseram as mãos que  “receberam o Espírito Santo.”(At.8:12,16,17).

A oferta de Pedro foram os gentios da casa de Cornélio, pois enquanto Pedro falava, “caiu o Espírito Santo sobre todos os que ouviam a palavra.” O padrão de doze pedras parece repetir-se em Éfeso, onde Paulo Evangeliza doze discípulos de João Batista. “E os que ouviram foram batizados  em nome do Senhor Jesus. E, impondo-lhes Paulo as mãos, veio sobre eles o Espírito Santo; e falavam línguas e profetizavam. E estes eram,  ao todo,  uns doze homens.” (At.19:1-7). Nós somos o altar, ou, pelo menos, uma das pedras do altar de pedras vivas. “sacrifícios espirituais” (I Pd.2:5), “sacrifício vivo” (Rm12:1), no lugar de sacrifícios materiais e sacrifícios mortos, do Antigo Testamento.  Hb.13:15,16,  fala de “sacrifício de louvor” e de “sacrifício da beneficência e comunicação”,  mas o sacrifício que sobressai, são as almas ganhas e colocadas sobre o altar, pois é sobre este tipo de oferta que o Espírito Santo desce, como desceu fogo sobre o altar de Elias. 

Mas devemos nos certificar se realmente o Espírito Santo desceu sobre os nossos convertidos, pois Elias só soube que Deus recebeu o seu sacrifício, depois que o fogo desceu sobre ele. 

quinta-feira, 10 de julho de 2014

O PRINCÍPIO DE AUTORIDADE I


O Brasil é uma nação em que o cristianismo tem exercido muita influência religiosa, seja na sua forma católica, seja na sua forma protestante ou evangélica. Na verdade, não somente o Brasil, mas, de resto, toda a América Latina. Digo influência religiosa, porque não significa, necessariamente, influência moral. O cristianismo bíblico, ou até mesmo os valores morais do judaísmo, estão misturados com várias formas de religiosidade popular. 

Diante da derrota acachapante da seleção brasileira de futebol,  diante da seleção alemã, na Copa do Mundo, tenho ouvido e lido várias opiniões, comparando a cultura da Alemanha com a do Brasil. Mas a cultura Alemã não foi formada da noite para o dia. 

Em 1517, um monge alemão,  Martinho Lutero, começou um movimento que ficou conhecido como Reforma Protestante, baseado nos valores de um livro chamado Bíblia. Lutero ensinou os valores desse livro, e traduziu a Bíblia no idioma do povo comum. Lutero colocou a Bíblia nas mãos do povo. Respeitando as características próprias de cada povo, é inegável que há muita influência da Bíblia na cultura alemã. 

Tenho ouvido que o jeitinho brasileiro, a malandragem, e outros defeitos, são próprios do nosso povo. Será? Na verdade o pecado deformou o caráter de todas as nações, mas a Bíblia nos foi dada para corrigirmos os nossos defeitos, seja de maneira individual, seja coletiva. Mas não adianta muito encher a nação de religiosidade, seja cristã, seja de qualquer outra, se não observarmos, cuidadosamente os princípios que são ensinados no livro de Deus. 

Recentemente foi aprovada no Brasil a chamada Lei da palmada, em flagrante  desrespeito aos princípios ensinados na Bíblia, seja no Velho, seja no Novo Testamento. Não adianta o ser humano querer ser mais sábio do que Deus. Mas se não conseguimos mudar os valores da nação, e adotar os princípios bíblicos, podemos fazê-lo de forma individual. 

Vou falar um pouco sobre o Princípio da autoridade. A primeira criatura que quebrou esse princípio foi o próprio Satanás, quando se rebelou contra Deus. Depois, ele induziu Adão a fazer a mesma coisa. A partir daí ele fez muitos discípulos. Mas podemos dizer não às suas sugestões.

Tomemos o caso já bem conhecido de Davi e Urias. Sabemos que Davi cometeu dois pecados, e Urias um. Urias morreu e Davi ficou vivo. (II Sm.11,12). Os pecados de Davi foram adultério e homicídio ou assassinato, o de Urias foi rebeldia. Depois de ter engravidado a mulher de Urias, que estava na guerra, Davi mandou buscá-lo, tentando esconder o seu pecado, de maneira que ele pensasse que o filho era seu. Havia uma hierarquia envolvida na trama. Davi era o rei, Joabe era o general comandante do exército, e Urias era um guerreiro debaixo da autoridade de Joabe. Mas Urias teve dificuldade de discernir os graus de autoridade debaixo dos quais ele estava. Quando Urias chegou diante de Davi, este lhe disse “Desce a tua casa, e lava os teus pés.” (11:8). Era uma ordem, não era uma sugestão, nem um conselho. A Urias restava somente dizer, no bom estilo militar: Sim, senhor! Mas Urias era folgado. Na verdade ele não disse nada, não se rebelou com palavras, mas com atitude, pois “saindo Urias da casa real...não desceu a sua casa.” (11:8,9). Havia pessoas observando tudo, pois alguém disse a Davi “Urias não desceu a sua casa.” (11:10). Mas Davi confrontou o desobediente, dizendo-lhe “Por que não desceste a tua casa?”(11:10). Confrontado, Urias replicou com palavras, dizendo: “A arca, e Israel, e Judá ficam em tendas; e Joabe meu senhor e os servos de meu senhor estão acampados no campo; e hei de eu entrar na minha casa, para comer e beber, e para me deitar com minha mulher? Pela tua vida, e pela vida da tua alma, NÃO FAREI TAL COISA.” Vendo que Urias estava obstinado na sua desobediência, Davi não insistiu mais, pois “E Davi o convidou, e comeu e bebeu diante dele...PORÉM NÃO DESCEU A SUA CASA.” (11:13). 

Não vou hoje entrar nos detalhes, pois quero apenas demonstrar que a rebeldia tem trágicas conseqüências. “Então os frecheiros atiraram contra os teus servos desde o alto do muro, e morreram alguns dos servos do rei, e também morreu teu servo Urias, o heteu.” A Bíblia diz que toda a autoridade procede de Deus, que, na verdade, é a única autoridade que existe, sendo as demais, delegadas. No Brasil, mas não somente aqui,  este princípio está longe de ser respeitado. Tudo o que Deus fez está debaixo de autoridade, ou seja, a criação é hierarquizada. Até Jesus recebeu autoridade de Deus, pois disse “Toda a autoridade me foi dada nos céus e na terra”. Onde não há autoridade, há anarquia, ou seja, ausência de autoridade. Será que essas crianças que serão criadas sem disciplina, não se voltarão, no futuro, contra o próprio governo  e o Congresso que as liberou. Não estarão correndo perigo de ignorar o princípio de autoridade, e sofrer as conseqüências? Como o apóstolo Paulo disse “Vós , filhos, sede obedientes a vossos pais no Senhor, porque isto é justo. Honra a teu pai e a tua mãe, que é o primeiro mandamento com promessa; para que te vá bem, E VIVAS MUITO TEMPO SOBRE A TERRA.” (Ef.6:1-3). 

Respeite e autoridade de Deus, esteja ela delegada, na família, no Estado, na igreja, ou em qualquer outro lugar. Davi se arrependeu de seus pecados, Urias não. Por isso morreu. Afrontar a autoridade em qualquer nível, não é sábio, só os loucos fazem isso.

A HERANÇA DA IGREJA


A Bíblia fala muito de herança, e, geralmente no sentido de uma porção de terra. Por exemplo, no caso de Acabe e Nabote. Este tinha uma vinha(um sítio, uma chácara) próxima do palácio do rei Acabe, de Israel, que quis comprá-la. Nabote respondeu “Guarde-me o Senhor de que eu te dê a herança de meus pais.” (I Rs. 21:3). Mas a Bíblia fala de herança de nações também. Gn. 10:32 diz o seguinte: “Estas são as famílias   dos filhos de Noé, segundo as suas gerações, nas suas nações; e destes foram divididas as nações na terra depois do dilúvio.” No verso 25 diz  que Éber teve dois filhos, sendo um deles chamado Peleg “porquanto em seus dias se repartiu a terra”. E em deuteronômio 32:8 “Quando o Altíssimo distribuía as heranças às nações, quando dividia os filhos de Adão uns dos outros, pôs os limites do povos, conforme ao número dos filhos de Israel.”

A nação de Israel foi gerada na terra do Egito, a partir da família de Jacó, que chegou lá com setenta almas. (Ex.1:5). Eles saíram do Egito, com destino à terra de Canaã, tendo peregrinado durante quarenta anos no deserto. Canaã já tinha a sua herança, sendo ele um neto de Noé, na verdade, o filho mais Novo de Cão. Deus tomou a terra de Canaã, e a deu a Israel, em herança, por causa dos pecados dos povos cananeus. “Com nenhuma destas coisas vos contamineis, porque em todas estas coisas  se contaminaram as gentes que eu lanço fora de diante da vossa face. Pelo que a terra está contaminada; e eu visitarei sobre a sua iniqüidade, e a terra visitará os seus moradores...Porque todas estas abominações fizeram os homens desta terra, que nela estavam antes de vós, e aterra foi contaminada. Para que a terra não vos vomite, havendo-a contaminado, como vomitou a gente que nela estava antes de vós.” 

A maneira que Deus usou para tomar a terra dos filhos de Canaã, e dá-la aos filhos de Israel, foi por meio da guerra, pela liderança de Josué. Depois de conquistar a terra, por ordem de Deus, Josué a repartiu, por herança, entre as tribos. “Reparte, pois, agora esta terra por herança às nove tribos, e à meia tribo de Manassés, com quem os rubenitas e os gaditas já receberam a sua herança, a qual lhes deu Moisés dalém do Jordão para o oriente; como já lhes tinha dado Moisés, servo do Senhor.” (Js.13:7,8).  Porque duas tribos e meia tinham preferido receber a sua herança no deserto, além do Jordão, a terra de “Siom, rei dos amorreus, que habitava em Hesbom...Ogue, rei de Basã,  que era do resto dos refains...Moisés, servo do Senhor, deu esta terra aos rubenitas, e aos gaditas, e à meia tribo de Manassés em possessão.” (Js. 12:2, 4, 6). Porém, a tribo de Levi não recebeu herança, pois o seu serviço não era cultivar a terra, como as outras tribos, mas cuidar do serviço sagrado do santuário, seja ele móvel ou fixo. Os sacerdotes  eram da tribo de Levi, da família de Arão, e tinham a incumbência do altar, do sacrifício, e da arca da aliança. Por isso, esta tribo era sustentada pelas demais, através dos dízimos e das ofertas. “Porém à tribo de Levi Moisés não deu herança; o Senhor Deus de Israel é a sua herança, como já lhe tinha dito.” (Js.13:33). Então, cada nação recebeu de Deus uma herança, uma porção de terra, para morar, até mesmo a nação de Israel. 

A Bíblia diz que a terra pertence ao Senhor. “Do Senhor é a terra e a sua plenitude; o mundo e aqueles que nele habitam.” Tem um outro texto que diz “Os céus são os céus do Senhor, mas a terra deu-a ele aos filhos dos homens.” (Sl.115:16). Mas Deus deu no sentido de arrendar. Ele continua sendo o dono, se reservando o direito de tomar de volta, quando os inquilinos não cumprirem as regras. (Mt.21:33-41). 

Quando chegamos ao N.T. , a terra de Canaã já é chamada de “terra de Israel”. “Morto, porém Herodes, eis que o anjo do Senhor  apareceu num sonho a José no Egito, dizendo: Levanta-te, e toma o menino e sua mãe, e vai para terra de Israel...” (Mt.2:19,20). Israel  ainda mantém a sua herança, apesar de já estar debaixo da autoridade de Roma, da qual é vassalo. Somente no ano setenta d.C.,  eles perdem totalmente a posse da terra, quando Jerusalém é destruída, pelo exército de Tito, general romano, filho de Vespasiano. Jesus profetizou o seguinte, sobre Israel “Portanto, eu vos digo que o reino de Deus vos será tirado, e será dado a uma nação que dê os seus frutos.” (Mt.21:43). Está se referindo à igreja. Portanto a igreja é uma nação. Veja este outro texto “Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, A NAÇÃO SANTA, o povo adquirido, para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz.”

A igreja é uma nação (Etnos). Apocalipse fala de cento e quarenta e quatro mil judeus, doze mil de cada tribo, que são assinalados na testa. Eles são judeus. Em seguida, para contrastar com os cento e quarenta e quatro mil judeus, aparece uma multidão, que ninguém podia contar, DE TODAS AS NAÇÕES, E TRIBOS, E POVOS, E LÍONGUAS,que estavam diante do trono, e perante o Cordeiro, trajando vestidos brancos, e com palmas nas mãos.” (Ap.7:9). Estes não são judeus, são gentios convertidos de todas as nações. A pergunta é: Se a igreja é uma nação, onde está a sua herança? Qual é o pedaço de terra que pertence à igreja? Ou ela não tem herança, como os levitas? Ou a herança da igreja Jesus vai dar quando voltar? Veja este texto: “Então dirá o rei aos que estiverem à sua direita: Vinde, benditos de meu Pai, possuí por herança o reino que vos está preparado desde a fundação do mundo.” (Mt.25:34). A herança da igreja é toda a terra, mas não esta terra contaminada com o pecado, e será dada quando Jesus voltar. “Sobre dez cidades terás autoridade...Sê tu também sobre cinco cidades.”(Lc.19:17,19).  “e viveram, e reinaram com Cristo durante mil anos.” (Ap.20:4b).  A igreja vai herdar a terra, mas não é agora. “Bem-aventurados os mansos, porque eles herdarão a terra.” (Mt.5:5). “mas aqueles que esperam no Senhor, herdarão a terra...os mansos herdarão a terra...Porque aqueles  que ele abençoa herdarão a terra...os justos herdarão a terra... Espera no Senhor, guarda o seu caminho, e te exaltará para herdares a terra.” (Salmo 37:9,11,22,29,34). A igreja herdará terra, mas não é agora. Então, por que tem tanto crente tentando herdar a terra agora? O mundo não tem esperança, e não admira que queira assumir o governo do mundo agora. O crente está sendo tentado quando tenta assumir o governo do mundo agora, e geralmente, por meio da política. Paulo diz “Mas os homens maus e enganadores irão de mal a pior, enganado e sendo enganados.” 

Não sei porque a igreja se admira da corrupção do governo e dos políticos. Deus não se admira que o mundo seja corrupto. Mas se admira de  que a igreja esteja cobiçando poder, que o diabo ofereceu a Jesus, que rejeitou a oferta. Pedro diz “E por avareza farão de vós negócio com palavras fingidas.” Deus não se admira de que o mundo seja corrupto, pois “o mundo inteiro jaz no maligno” (I Jo.5:19). Mas Deus se admira que a igreja seja corrupta. Jesus não deixou a igreja no mundo para consertar o mundo, mas para salvar alguns, desse sistema que o diabo governa.  “E apiedai-vos de alguns, que estão na dúvida, e salvai-os, arrebatando-os do fogo.” (Jd.22,23). 

A igreja não deve se preocupar com a herança agora, mas se preocupar em cumprir a missão que Jesus lhe deu, representada nas palavras a Paulo: “Eu te envio aos gentios, para lhes abrires os olhos, e das trevas os converteres à luz, e da autoridade de Satanás a Deus; a fim de que recebam o perdão dos pecados, e herança entre os santificados pela fé em mim.” Baseado em At. 2:38 e 3:19, o que vem depois do perdão dos pecados, é o recebimento do Espírito Santo. A herança do crente da igreja agora é o Espírito Santo. Será que alguns estão negociando a sua herança por uma sopa de lentilhas, como fez Esaú? Nem o poder  temporal, nem o financeiro, vale a pena,  se a igreja perder o Espírito Santo.