quarta-feira, 9 de julho de 2014

O VERDADEIRO SIGNIFICADO DA FÉ


Nós, cristãos,  temos um vocabulário próprio, como, de resto, todas as religiões, e outros ramos do conhecimento.  Quando estudei sobre o Hinduísmo, demorei a entender o significado de Nirvana. Quando estudei no Seminário Teológico Batista Equatorial, demorei a entender a diferença entre Apologia e Apologética. Na teologia bíblica, temos um vasto vocabulário, que usamos normalmente, muitas vezes sem saber o significado das palavras. Termos como Redenção, Remissão, Justificação, Regeneração, Amor, Santificação, dentre outros, muitas vezes usamos sem saber o significado.

Mas hoje quero me debruçar um pouquinho sobre a palavra fé, que, talvez seja a palavra mais usada no meio cristão. Quando perguntamos a alguém o que é fé, a resposta vem imediata, “a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que se não vêem”. (Hb.11:1). Não disse nada. Esse versículo não diz o que é fé. 

Na verdade, o autor de Hebreus, usa duas metáforas, duas figuras de linguagem, duas comparações, para representar a fé. Em algumas traduções não aparecem essas figuras, por isso que as traduções têm de ser fiéis aos originais, sob pena de mudar o sentido, dificultando a interpretação. A primeira figura usada é a do “O FIRME FUNDAMENTO”. Tem a ver a  com a construção de um edifício. Fundamento é o alicerce, o baldrame. Se esse alicerce for firme, forte, fundo, a construção não vai cair, mesmo que seja atingida por  um furacão. É a figura que Jesus usou no encerramento do Sermão do Monte, a casa edificada sobre a rocha.(Mt.7:24). Hebreus está dizendo que o  que o fundamento é para a construção, a fé é para a vida cristã. Se a fé for robusta, essa pessoa não vai fracassar na hora da prova. 

A outra figura que Hebreus 11:1 usa, é a da “PROVA EM UM TRIBUNAL”. Em um  julgamento num  Tribunal, o juiz não viu o que aconteceu, mas julgará baseado nas provas,  “A PROVA DE FATOS QUE NÃO SE VÊEM”. Se as provas forem confiáveis, o juiz julgará com justiça. Assim, se a fé for confiável, as coisas que ainda não são vistas, acontecerão. Quem tem somente Hb. 11:1, não sabe ainda o que é fé. Mas vamos ver agora o que é mesmo fé.

Fé é confiar em alguém, e, por isso mesmo, no que ele disse. Se alguém me promete algo, e eu acredito no que essa pessoa disse, porque eu conheço o seu caráter, isso é fé. Fé em  Deus é Ele dizer algo, e eu acreditar no que Deus disse, a ponto de me arriscar, por confiar nele e no que Ele disse. Começando com Adão, Deus lhe disse “Da árvore do conhecimento do bem e do mal, dela não comerás, porque no dia que dela comeres, certamente morrerás.” (Gn.2:17).  O diabo disse pra Eva, que certamente eles não morreriam. Eva poderia acreditar em Deus ou no diabo. Ela acreditou no diabo. Adão não acreditou no diabo, mas preferiu desobedecer a Deus, para não perder sua mulher. 

Hoje não é diferente, Deus diz uma coisa, o diabo diz outra, e nós temos de escolher em quem acreditar. Aliás, a função do diabo é fazer o ser humano duvidar do que Deus disse. Tomei conhecimento de que no dia 27.6.2014, a Presidenta Dilma sancio –nou a Lei da Palmada, já aprovada pelo Congresso Nacional. Não acredito que alguma família brasileira queira a destruição de seus filhos. Quem aprovou essa lei, acredita que é o melhor, mas estão enganados. O diabo está fazendo o seu papel, enganando o ser humano.  Deus diz “E vós, pais, não provoqueis à ira vossos filhos, mas criai-os na disciplina (vara) e admoestação (palavras) do Senhor. (Ef. 6:4).  Para o sentido de “disciplina” veja Provérbios 23:13 “Não retires a disciplina da criança; porque, fustigando-a com a vara, nem por isso morrerá. Tu a fustigarás com a vara e livrarás a sua alma do inferno.”  Mas as nossas autoridades políticas, preferiram as opiniões de Freud, de Jung, e de outros, e da psicologia humanista, ao conselho de Deus e da sua Palavra. Eva fez a mesma coisa. Isto é fé. Ou você crê no que Deus disse, ou no que o diabo disse, não importando os meios que ele use. No Éden ele usou a serpente, canalizou, incorporou. Hoje ele está usando quem ou o quê?  João diz “E, após o bocado, entrou nele (Judas) Satanás.” E foi vender Jesus por trinta moedas de prata.

Fé em Deus é Ele dizer algo e você crê no que Deus disse. Mas Deus fala de muitas maneiras. Hebreus começa dizendo “Havendo Deus antigamente falado muitas vezes, e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, a nós falou-nos nestes últimos dias pelo Filho” (Hb.1:1).  E, em Hebreus 11:3 “Pela fé entendemos que os mundos foram criados pela palavra de Deus.” Eles tomaram conhecimento do que Deus disse, lendo Gênesis 1:1,3  que Moisés escreveu, dizendo, “No princípio criou Deus os céus e a terra...E Deus disse: Haja luz. E houve luz.” Eles creram que o Que Deus disse estava num livro, a Bíblia. Se nós cremos que o que Deus falou está escrito na Bíblia, podemos escolher crer neste livro ou rejeitá-lo. Neste caso, fé é crê no que está no livro, mesmo que as circunstâncias digam o contrário. 

Mas podemos tomar conhecimento do que Deus disse, não somente pela Bíblia, mas também pelo testemunho de terceiros.  Hb. 11:4 diz que “ Abel pela fé ofereceu a Deus mais excelente sacrifício do que Caim”.  Em que consistiu a fé de Abel?  Em Gn.3:212 diz “E fez o Senhor Deus a Adão e à sua mulher túnicas de peles, e os vestiu.”  Presume-se que esta pele tenha provindo de um animal que que Deus matou. Pode ter sido um cordeiro. Quando desobedeceram a  Deus, Adão e Eva não morreram, mas um animal inocente morreu no lugar deles. Lembra o caso de Isaque, que não morreu, mas um carneiro foi sacrificado em seu lugar. (Gn.22:13). Bem, Adão e Eva devem ter ensinado isto aos seus filhos, pois aprenderam com Deus. Tanto Caim, quanto Abel, devem ter tomado conhecimento dessa tradição.  Quando foram oferecer seus sacrifícios, Abel fez da maneira como ouvira de seus pais, que aprenderam com Deus. Mas Caim fez da sua própria cabeça. Ou seja, Abel creu no que ouviu de seus pais, a respeito do que Deus dissera, Caim não. Por isso Hebreus diz “Pela fé Abel...).

Na sequência, Hebreus 11:7 diz “Pela fé Noé, DIVINAMENTE AVISADO das coisas que ainda não se viam, temeu, e, para a salvação da sua família, preparou a arca, pela qual condenou o mundo, e foi feito herdeiro da justiça que é segundo a fé.”  Noé foi avisado por Deus, e creu no aviso que Deus lhe deu. A Bíblia não diz de que modo Deus falou a Noé. Pode ser  que tenha sido por meio do anjo do Senhor, como quando apareceu a Abraão em G. 18:2. Mas pode ter sido em sonhos, como falou com Abimeleque, em Gn.20:3,6.  Pode ter sido em sonhos, pois a expressão que aparece em Hb. 11:7 é muito parecida com a que aparece em Mt.2:12, em que Deus avisa os magos. “E, sendo por divina revelação avisados em sonhos...” “Divinamente avisado das coisas que não se viam...”.  Aliás, o N.T. começa com o anjo do Senhor falando quatro vezes com José, em sonhos, e uma vez com os magos. Parece indicar que a Era Messiânica iria se caracterizar pela comunicação sobrenatural, em sonhos e visões, de Deus com os humanos. De fato, é impressionante como no livro de Atos, Deus fala tantas vezes, por anjos, por sonhos e visões, pelo Espírito Santo, e até por profetas. Quando Deus mandou os discípulos, Ele disse: “Ide por todo o mundo, pregai o Evangelho a toda criatura; quem crer e for batizado, será salvo; quem não crer será condenado.” (Mc.16:15,16). E disse mais “Quem vos recebe, a mim me recebe; e quem me recebe a mim, recebe aquele que me enviou.” (Mt.10:40). Então podemos crer no que Disse: 1. Na Escritura; 2. Em alguém por Ele enviado; 3. Em sonhos e visões (Muitos muçulmanos estão se convertendo assim);  4. Por meio de um anjo; 5. Outros meios que Ele decida usar. Mas tem de discernir se é Deus mesmo que está falando, pois o diabo também fala.  

João disse “Amados, não creiais a todo espírito, mas provai se os espíritos são de Deus; porque já muitos falsos profetas se tem levantado no mundo.” (I Jo. 4:1). Temos também de lembrar que a fé sem obras é morta. A fé em Deus deve ser acompanhada de ação para se tornar efetiva. De Abraão é dito “Pela fé Abraão, sendo chamado, obedeceu, indo para um lugar que havia de receber por herança; e saiu sem saber para onde ia.” (Hb.11:8). Entra-se na vida cristã pela fé, e continua vivendo pela, pois está escrito “Pela graça sois salvos, por meio da fé...O justo, pela sua fé, viverá.” (Ef. 2:8; Hb.10:38).

terça-feira, 8 de julho de 2014

NÃO SAIA DO BARCO


Mt.14:22-36

Pedro tem sido considerado, praticamente, um herói, por  ter saído do barco e andado por sobre as águas. Minha tese é que Pedro errou em sair do barco, e que quando Jesus disse “Homem de pouca fé, por que duvidaste?”, Ele estava se referindo ao fato de Pedro ter duvidado  que era ele, quando disse “Tende bom ânimo, sou eu, não temais”. Senão, vejamos. Observe onde aparece o “se”com o sentido de dúvida. “Se tu és o Filho de Deu, dize a esta pedra que se transforme em pão.” (Lc.4:3). E ainda “Se tu és o Filho de Deus, lança-te daqui abaixo.” (Lc. 4:9). Isto porque Deus tinha falado com Jesus “Tu és meu Filho amado, em ti me tenho comprazido.” (Lc.3:22b). 

O diabo tinha dito, se você é mesmo o Filho de Deus, faça algo para provar. Pedro disse algo parecido “Senhor, se és tu, manda-me ir ter contigo por sobre as águas.” O diabo queria colocar dúvida no coração de Jesus, Pedro tinha dúvida se era Jesus mesmo, ou se ele era o Filho de Deus. Tanto é verdade que, logo em seguida, já dentro do barco, todos disseram “És verdadeiramente o Filho de Deus.” (Mt.14:33). Um pouco antes, eles haviam dito “Que homem é este, que até os ventos e o mar lhe obedecem?”(Mt. 8:27). 

A identidade de Jesus é um assunto controvertido até. O diabo não quer que o mundo saiba quem é Jesus. Ele tenta convencer o mundo de que Jesus é um mero homem, ou tenta convencê-lo de que Jesus é Deus. Não é uma coisa nem outro. Deus disse “Tu és meu Filho amado”.(Lc.3:22b). Os demônios disseram “Que temos nós contigo, Jesus Filho de Deus?” (Mt. 8:29). Os discípulos disseram “És verdadeiramente o Filho de Deus.” (Mt.14:33b). Pedro disse “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo.” (Mt.16:16). Jesus não é Deus. (heresia?). Ele é o Filho de Deus. Isto está por todo o N.T.  Agora se dissermos que Ele é igual ao Pai, em poder, é verdade. Ele disse “tudo o que o Pai faz, o Filho o faz igualmente”. (Jo.5:19). Mas não é verdade que ele é igual ao Pai em autoridade. Ele mesmo disse “O Pai é maior do que eu”. E quando Ele disse “Eu e o Pai somos um”, está se referindo à unidade de propósito. Não há discordância entre eles. Mas o Pai e o Filho são duas pessoas distintas, diferentes. Há duas vontades distintas, mas o Filho subordina a sua vontade a do Pai. Deus não veio à terra morrer na cruz. Mandou o seu Filho. 

O Islamismo não crê que Deus tenha um Filho. O Judaísmo também não crê, apesar de que de o A.T. dizer “Qual é o seu nome, e qual é o nome de seu filho, se é que o sabes?” (Pv.30:4b).  O entendimento sobre monoteísmo, tanto do Judaísmo, quanto do Islamismo, é um pouco diferente do entendimento do Cristianismo. No Cristianismo também há um só Deus, só que Ele tem um filho, e tem também o Espírito Santo. Não podemos dizer que vamos entender tudo que está envolvido nestes conceitos, mas o que está revelado na Escritura, podemos saber. Podemos entender que o Pai enviou seu filho, e o Filho enviou o Espírito Santo. Jesus disse que o enviado é menor do que aquele que o envia. O conceito de família não nasceu na terra. Claro está que a família tradicional constituída de marido, mulher e filho, é uma cópia que veio do Pai, Filho, e Espírito Santo. Até onde vai essa comparação não sabemos. Mas podemos compreender porque o diabo quer destruir esse conceito de família,substituindo-os   por outros modelos alternativos.

Mas voltando a Pedro. Essa travessia dos discípulos num barco, sobre o mar da Galiléia, é representativa da era da igreja. O barco é a igreja, os doze representam os discípulos, e o mar revolto, açoitado pelas ondas e pelo vento, são as adversidades que a igreja enfrenta, no mundo, causadas por demônios. Isto não é animismo, é a cosmovisão bíblica. Aliás, tanto no grego, quanto no hebraico, as palavras vento e espírito, são as mesmas. O vento, a tempestade, são os espíritos imundos, tentando afundar o barco da igreja. 

Esse cenário é parecido com o da arca de Noé. Noé e sua família estavam protegidos pela arca. Se saíssem dela, seriam apanhados pelo juízo que estava acontecendo fora. Diz o texto de Mateus 14, que o barco era açoitado pelas ondas. Não eram os discípulos, mas o barco era atingido pelas ondas. O barco servia de proteção. Quando Pedro saiu do barco, apesar de ter andado sobre as águas,  o vento batia diretamente nele. “Mas, sentindo o vento forte, teve medo”. Aí, começou a fundar. É como se Pedro tivesse se desviado, saiu da proteção da igreja. Jesus repreendeu Pedro “Homem de pouca fé, por que duvidaste?” Pedro duvidou quando pronunciou o “se”. “Se és tu, manda-me ter contigo”. Satanás usou Pedro em outro cenário,  quando tentou aconselhar Jesus a se desviar da cruz. Mas Jesus o repreendeu de novo “Para trás de mim, satanás, que me serves de escândalo; porque não compreendes as coisas que são de Deus mas só as que são dos homens.” (Mt.16:23).  Pedro incorreu no pecado de tentar a Deus. Jesus já havia dito a Satanás “Também está escrito: Não tentarás o Senhor teu Deus.” (Mt.4:7). Pedro se colocou deliberadamente em perigo, o que obrigou Jesus a salvá-lo. O barco era a proteção. Apesar do vento e das ondas, o barco não afundaria. Os onze discípulos ficaram dentro da proteção do barco. Não saia do barco, que é a igreja. Às vezes a tempestade açoita tanto a igreja, que parece que ela vai afundar. Mas Jesus disse “As portas do inferno não prevalecerão contra ela”. Fique no barco. Não tenha medo. Ele não vai afundar, por mais que o diabo tente.

Mas esse texto tem também um sentido escatológico. Jesus mandou os discípulos entrarem no barco e atravessar o mar da Galiléia. E depois, Ele se despediu da multidão e subiu ao monte para orar. Esse cenário representa toda a era da igreja. O texto diz que Jesus foi ao encontro dos discípulos na quarta vigília da noite. É o retorno de Jesus, para vir ao encontro da igreja. A maneira como Jesus veio foi surpreendente, imprevisível, inesperada. Os discípulos gritaram com medo. Já imaginou isso? Homens gritando com medo? Isso não é normal. Homem gritar com medo?  Esperava-se isso de mulher. Afinal,os discípulos eram pescadores experientes, acostumados com o perigo.  Será que quando Jesus voltar, será de uma maneira tão surpreendente que ficaremos com medo? É o que o texto dá a entender. Mas não vamos imitar Pedro e duvidar, e tentar a Deus, e sair do barco, e afundar. Vamos ficar dentro do barco, porque lá é o nosso lugar. Outra conclusão que se impõe, é que o a tempestade só vai acalmar, quando Jesus voltar. “E, quando subiram para o barco (Jesus e Pedro), acalmou o vento.” Fique firme, porque antes de o barco chegar do outro lado do mar, Jesus virá ao encontro dos discípulos. Outra informação que o texto dá, é que de cima do Monte, Jesus vê tudo o que está acontecendo com o barco. 

segunda-feira, 7 de julho de 2014

A GRANDE TRIBULAÇÃO


Em Dn. 9:24-27, o anjo Gabriel veio a Daniel e lhe entregou a mensagem chamada de As Setenta Semanas de Daniel. Ele divide estas setenta semanas em sete semanas, sessenta e duas semanas, e uma semana. Tem sido entendido que a última semana das setenta, está no futuro, e se refere ao tempo chamado de A Grande Tribulação. Em Mateus 24:9, Jesus parece estar falando desse período, pois diz “ENTÃO VOS HÃO DE ENTREGAR PARA SERDES ATORMENTADOS, E MATAR-VOS-ÃO; E SEREIS ODIADOS DE TODAS AS GENTES POR CAUSA DO MEU NOME.”  E, na sequência, no verso 21, Ele continua “PORQUE HAVERÁ UMA TRIBULAÇÃO MUITO GRANDE, COMO NUNCA HOUVE DESDE O PRINCÍPIO DO MUN DO ATÉ AGORA, NEM JAMAIS HAVERÁ.” 

Esse é o período chamado de A grande Tribulação, e que deve durar sete anos, os últimos da profecia de Daniel. Mas, em seguida, Jesus diz algo, que nos chama a atenção, E SE AQUELES DIAS NÃO FOSSEM ABREVIADOS, NINGUÉM SERIA SALVO; MAS POR CAUSA DOS ESCOLHIDOS ELES SERÃO ABREVIADOS.”  Então a Grande Tribulação não durará mais sete anos, mas menos do que isso. Ele disse que seriam abreviados aqueles dias, mas não disse  quanto. Pode ser que seja reduzido para três anos e meio, como parece indicar Apocalipse, mas isso não está claro. O certo é que haverá um período chamado de Grande Tribulação. 

Sempre ouvi dizer que a igreja não passaria pela Grande Tribulação, mas que seria arrebatada antes disso. Porém, lendo a Bíblia, isto me pareceu não ser verdade. Percebo que há uma grande confusão entre tribulação e o juízo de Deus. Vou dizer de novo, o que já disse alhures. Tribulação é o diabo perseguindo o povo de Deus, e juízo é Deus se vingando das pessoas que foram usadas para perseguir o seu povo. 

No tempo de Noé, tribulação era o que Noé sofria por parte de seus contemporâneos, enquanto construía a arca, e juízo foram as águas do dilúvio. No tempo de Ló, tribulação era o que Ló sofria “AFLIGIA TODOS OS DIAS A SUA ALMA JUSTA, PELO QUE VIA E OUVIA SOBRE AS SUAS OBRAS INJUSTAS” (II Pd. 2:8), e juízo foi fogo descendo do céu. No Egito, tribulação era o que Israel sofria às mãos dos feitores egípcios, e juízo, foram as dez pragas. Em Mateus 24:29 “LOGO DEPOIS DA TRIBULAÇÃO DAQUELES DIAS...” Até aqui foi a tribulação, a perseguição contra o povo de Deus, por  Satanás, usando aqueles que ele controla.É isso que Ap. 13:7 descreve “E FOI-LHE PERMITIDO FAZER AOS SANTOS E VENCÊ-LOS; E DEU-SE-LHE AUTORIDADE SOBRE TODA A TRIBO, E LÍNGUA, E NAÇÃO.” Foi sobre isso que Daniel escreveu “EU OLHAVA, E EIS QUE STA PONTA FAZIA GUERRA CONTRA OS SANTOS, E OS VENCIA.” (Dn.7:21). Aliás, todo o livro de Apocalipse descreve este cenário de perseguição ao povo de Deus, por parte do anticristo e do falso profeta. Em Ap. 6:9 “E, HAVENDO ABERTO O QUINTO SELO, VI DEBAIXO DO ALTAR AS ALMAS DOS QUE FORAM MORTOS POR AMOR DA PALAVRA DE DEUS E POR AMOR DO TESTEMUNHO QUE DERAM.”  

Na sequência lhes é dito que outros  servos de Deus deveriam ser mortos como eles o foram.  Em Ap. 11:7, se referindo às duas testemunhas (a igreja), é dito “E, QUANDO ACABAREM O SEU TESTEMUNHO, A BESTA QUE SOBE DO ABISMO (O Anticristo) LHES FARÁ GUERRA, E OS VENCERÁ, E OS MATARÁ.”  E, com respeito à segunda besta ( O Falso Profeta), é dito “E FIZESSE QUE FOSSEM MORTOS TODOS OS QUE NÃO ADORASSEM A IMAGEM DA BESTA.” (Ap.13:15). E ainda em Ap. 20:4 “E VI AS ALMAS DAQUELES QUE FORAM DEGOLADOS PELO TESTEMUNHO DE JESUS, E PELA PALAVRA DE DEUS, E QUE NÃO ADORARAM A BESTA, NEM A SUA IMAGEM, E NÃO RECEBERAM O SINAL EM SUAS TESTAS NEM EM SUAS MÃOS; E VIVERAM, E REINARAM COM CRISTRO DURANTE MIL ANOS.”  E mais ainda “E eles o venceram pelo sangue do cordeiro e pela palavra do seu testemunho, E NÃO AMARAM AS SUAS VIDAS ATÉ A MORTE.”(Ap.12:11). Então a igreja vai ou não vai passar pela Grande Tribulação? Quem ensina que a igreja não vai passar pela tribulação, pode estar querendo consolar o povo, mas está enganado. É o mesmo que um pai ou uma mãe dizer ao filho que ele, no mundo, não vai passar por sofrimento. Parece que o pai do Buda fez isso. Essa cultura que rejeita o sofrimento é humanista, hedonista, epicurista, mas não é bíblica. A cosmovisão bíblica inclui o sofrimento e a morte. O sofrimento, muitas vezes, revela a amorosa disciplina de Deus, a fim de sermos participantes de sua santidade. No caso de Jó, foi Satanás quem o afligiu, mas com o consentimento de Deus.

Mas voltando a Mateus 24:29 “Logo depois da tribulação daqueles dias, O SOL ESCURECERÁ, E A LUA NÃO DARÁ A SUA LUZ; AS ESTRELAS CAIRÃO DO CÉU E OS PODERES DO CÉU SERÃO ABALADOS.” Acaba a tribulação, começa o juízo de Deus sobre os ímpios. Apocalipse tem muito a dizer sobre isto. “SE ALGUÉM ADORAR A BESTA, E A SUA IMAGEM, E RECEBER O SINAL NA SUA TESTA, OU NA SUA MÃO, TAMBÉM O TAL BEBERÁ DO VINHO DA IRA DE DEUS, QUE SE DEITOU, NÃO MISTURADO,NO CÁLICE DA SUA IRA; E SERÁ ATORMENTADO COM FOGO E ENXOFRE DIANTE DOS SANTOS ANJOS E DIANTE DO CORDEIRO. E O FUMO DO SEU TORMENTO SOBE PARA TODO SEMPRE; E NÃO TÊM REPOUSO NEM DE DIA NEM DE NOITE OS QUE ADORAM A BESTA E A SUA IMAGEM, E AQUELE QUE RECEBER O SINAL DO SEU NOME .” (Ap.14:9-11). Em seguida, ele prossegue, dizendo “E VI OUTRO GRANDE E ADMIRÁVEL SINAL NO CÉU; SETE ANJOS, QUE TINHAM AS SETE ÚLTIMAS PRAGAS; PORQUE NELAS É CONSUMADA A IRA DE DEUS.” (Ap. 15:1). Na sequência, vem uma série de pragas ou flagelos, muito semelhantes aos do Egito, no tempo de Moisés. Mas assim como no Egito, Israel não foi atingido pelas pragas, a igreja (os que restarem vivos) não será atingida por essas pragas. E o anjo diz “VISTO COMO DERRAMARAM O SANGUE DOS SANTOS E DOS PROFETAS, TAMBÉM TU LHES DESTES SANGUE A BEBER; PORQUE DISTO SÃO MERECEDORES.” (Ap.16:6).  

Então, a igreja vai passar pela Grande Tribulação, assim como os judeus passaram pelo Holocausto Nazista, e vai haver sofrimento e morte. Hítler era um tipo do anticristo. Mas a igreja não vai sofrer os juízos de Deus, que serão muito piores do que a tribulação, pode ter certeza. Você pode escolher o que irá enfrentar, a ira do diabo, ou a ira de Deus. Veja isto “AI DOS QUE HABITAM NA TERRA E NO MAR; PORQUE O DIABO DESCEU A VÓS, E TEM GFRANDE  IRA, SABENDO QUE JÁ TEM POUCO TEMPO.”  Jesus disse “NO MUNDO TEREIS AFLIÇÕES, MAS TENDE BOM ÂNIMO , EU VENCI O MUNDO.” (Jo.16:33). Hebreus diz mais “OLHANDO PARA JESUS, AUTOR E CONSUMADOR DA FÉ, O QUAL PELA ALEGRIA QUE LHE ESTAVA PROPOSTA SUPORTOU A CRUZ, DESPREZANDO A AFRONTA, E ASSENTOU-SE À  DIREITA DO TRONO DE DEUS. CONSIDERAI POIS AQUELE QUE SUPORTOU TAIS CONTRADIÇÕES DOS PECADORES CONTRA SI MESMO, PARA QUE NÃO ENFRAQUEÇAIS,  DESFALECENDO EM VOSSOS ÂNIMOS. AINDA NÃO RESISTISTES ATÉ AO SANGUE, COMBATENDO CONTRA O PECADO.” (Hb.12:2,3). 

Jesus tinha em vista a recompensa, por isso desprezou a afronta. Devemos fazer o mesmo, pois Pedro disse “ORA, POIS, JÁ QUE CRISTO PADECEU POR NÓS NA CARNE, ARMAI-VOS TRAMBÉM VÓS COM ESTE PENSAMENTO, QUE AQUELE QUE PADECEU NA CARNE JÁ CESSOU DO PECADO.” (I Pd. 4:1). A disposição para enfrentar o sofrimento é uma arma. De Moisés também é dito “PELA FÉ MOISÉS...PELA FÉ MOISÉS...RECUSOU SER  CHAMADO NETO DE FARAÓ, ESCOLHENDO ANTES SER MALTRATADO COM O POVO DE DEUS DO QUE POR UM POUCO DE TEMPO TER O PRAZER DO PECADO...PORQUE TINHA EM VISTA A RECOMPENSA.” A nossa recompensa não é aqui, nem agora. Por isso é pela fé. De Moisés também é dito que ele parecia ver o invisível. Devemos fazer o mesmo. Ver o invisível, pela fé, baseados somente no que Deus disse em sua Palavra.

sexta-feira, 4 de julho de 2014

O PECADO DE JÓ


Desde a minha conversão, tenho ouvido explicações ou justificativas para o fato de Deus ter  permitido que Satanás afligisse Jó. Diziam que Jó tinha o pecado da falta de fé, baseados no que ele disse: “Porque o que eu temia me veio, e o que receava me aconteceu. Nunca estive descansado, nem sosseguei, mas veio sobre mim a perturbação.” (Jó 3:25,26). Mas essa explicação nunca me pareceu convincente. Outros diziam que Deus afligiu Jó, para que os que viessem depois dele, as futuras gerações, pudessem ser consolados no meio dos sofrimentos, a exemplo dele. Mas isto nunca me pareceu convincente, nem justo, e não pareciam fazer justiça ao caráter de Deus.  

Porém, mais recentemente, me ocorreu que a verdade é bem outra. Jó tinha um pecado sim, e era um pecado grave, pelo menos aos olhos de Deus, embora pareça não o ser aos olhos da igreja de hoje. Hoje,  a igreja, ou parte dela, parece adotar a psicologia do sucesso, ou a filosofia, ou a cultura do sucesso, que diz que os fins justificam os meios. Mas será essa a cosmovisão  Bíblica, ou de Deus? Pelos padrões de hoje, Jó seria o pastor de uma mega igreja. Afinal ele tinha “sete mil ovelhas”.  A totalidade dos animais de Jó, era de onze mil e quinhentos. Simbolicamente falando, esse era o tamanho do seu rebanho. Os dez filhos de Jó, são um simbolismo dos  discípulos. Lembre da parábola das dez virgens (Mt.25:1-13), dos dez moços de Davi (I Sm.25:5), das palavras de Elcana a Ana, sua esposa estéril, “Não te sou eu melhor do dez filhos?” (I Sm. 1:8b). Jó era, sem dúvida, um pastor bem-sucedido, pelos padrões de hoje. Além de ter um mega rebanho, ou uma mega igreja, Jó era íntegro de caráter. Cair em pecado sexual? Nem pensar. Jó não faria isso, pois ele mesmo disse “Fiz pacto com os meus olhos; como, pois, os fixaria numa virgem?” (Jó 31:1). Jó também não tinha fraqueza por dinheiro, pois Satanás o acusou disto mesmo, de servir a Deus em troca de prosperidade. Depois que a prosperidade lhe foi tirada, ele disse “Nu saí do ventre de minha mãe, e nu tornarei para lá. O Senhor deu, e o Senhor tirou; bendito seja o nome do Senhor.” (Jó 1:21).  “ Era homem íntegro e reto, que temia a Deus e se desviava do mal.” (Jó 1:1). Falta de integridade não era problema para Jó. 

Cuidado aqui, pois hoje, em face do mal caratismo de alguns (ou seria de muitos?), pastores e igrejas têm buscado o aperfeiçoamento do caráter, como sendo a panacéia espiritual de hoje. De certo modo está correto, mas não é tudo. Paulo diz “segundo a justiça que há na lei, (fui) irrepreensível.”(Fl. 3:6).  Mas era um fariseu perseguidor da igreja. Jesus era íntegro e honesto, mas, além disto, era “manso e humilde de coração”. (Mt.11:29). Observe os adjetivos aplicados a Jó. Íntegro, reto, temente a Deus, se desviava do mal. Mas não diz que ele era justo. Porque? Porque essas qualidades são de alguém que se justiçava pela lei, pelo merecimento, era justiça de fora para dentro, era a justiça dos fariseus. Esse tipo de justiça gera orgulho. Foi desse tipo de justiça que Jesus falou “Porque vos digo que, se a vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus, de modo nenhum entrareis no reino dos céus.” Veja o que diz Jó 32:1 “Então aqueles três homens cessaram de responder a Jó; PORQUE ERA JUSTO AOS SEUS PRÓPRIOS OLHOS.” Eis o pecado de Jó. Justiça própria. 

Justiça própria gera orgulho. O pecado de Jó era orgulho. Dele é dito “DE MANEIRA QUE ESTE HOMEM ERA MAIOR DO QUE TODOS OS DO ORIENTE”. Jó era o maior de todos e sabia disto. Muito tempo depois, os discípulos de Jesus queriam saber quem era o maior. “Naquela mesma hora chegaram os discípulos ao pé de Jesus, dizendo: QUEM É O MAIOR NO REINO DOS CÉUS? E Jesus, chamando um menino, o pôs no meio deles, e disse...aquele que se tornar humilde como este menino, esse é o maior  no reino dos céus.” (Mt.18:1,2,4). Na escala de valores do reino de Deus, a humildade está no topo. Mas hoje se perguntarmos quem  é o maior, a resposta certamente será “quem tem a maior igreja,  quem tem o maior número de discípulos”. Aliás, já ouvi, mais de uma vez,  que se alguém quiser discutir com você, pergunte quantos discípulos ou quantas células ele tem. Mas será que isto está certo?

Não será isto orgulho? Afinal, quantidade tem valor diante de Deus, mas não mais do que a humildade. Quem é o maior, corre grande perigo, como Jó, se não cultivar a humildade. A maneira de tratar os pequenos diz muito. Nem todos os que são pequenos, são infiéis, preguiçosos, ou incompetentes. É bom lembrar do rei da assíria, que Deus usou para abater nações. Ele pensava que a virtude era dele, que o poder era dele, e não percebia que Deus o estava usando, que ele era apenas um instrumento nas mãos de Deus. Deus disse “Por isso acontecerá que, havendo o Senhor acabado toda a sua obra no Monte de Sião e em Jerusalém, então visitarei o fruto do arrogante coração do rei da assíria e a pompa da altivez dos seus olhos...Porventura gloriar-se-á o machado contra o que corta com ele? Ou presumirá a serra contra o que puxa por ela?” (Is.10:12,15).

Mas, prosseguindo no argumento de que o pecado de Jó era o orgulho, veja o que diz Jó 41:34, a respeito do Leviatan: “Ele vê tudo o que é alto; é rei sobre todos os filhos da soberba.”É possível que o Leviatan seja o próprio Satanás, como parece dizer Isaías 27:1 “Naquele dia o Senhor castigará com a sua dura espada grande e forte, a Leviatan, a serpente veloz, e a Leviatan, a serpente tortuosa, e matará o dragão que está no mar.” Em Apocalipse Satanás é chamado tanto de dragão, como de serpente (Ap.12:9). Estaria o Leviatan influenciando Jó, instilando nele o seu orgulho, já que “é rei sobre todos os filhos da soberba”? É possível e provável. Mas voltemos a Jó 32:1, onde diz ”PORQUE JÓ ERA JUSTO AOS SEUS PRÓPRIOS OLHOS.”  Em Lc. 18:9 “E disse também esta parábola A UNS QUE CONFIAVAM EM SI MESMOS, CRENDO QUE ERAM JUSTOS,  e desprezavam os outros.” Percebi que a atitude do fariseus era muito parecida com a de Jó. O fariseu dizia “Ó Deus, graças te dou, porque não sou como os demais homens, roubadores, injustos,  e adúlteros; nem ainda como este publicano. Jejuo duas vezes por semana, e dou os dízimos de tudo quanto possuo.” (Lc.18:9-14). Não é por acaso que Jesus disse que o publicano desceu JUSTIFICADO para a sua casa e não e fariseu. Jó era como este fariseu. Será que nós também não somos?

No livro de Jó é dito que os sete filhos de viviam em banquetes, e convidavam sua três irmãs. O simbolismo é que o estilo de vida dos filhos de Jó, revelava sua condição espiritual. Viviam em banquetes. Jesus disse que nos dias de Noé “comiam e bebiam, casavam  e davam-se em casamento” e nos dias de Ló “comiam e bebiam, compravam e vendiam, plantavam e edificavam”, (Lc. 17:26-28). Ou seja, um estilo de vida voltado para os valores deste mundo. Qualquer semelhança com os dias atuais, não é mera coincidência. Jesus também disse “E olhai por vós, não aconteça que os vossos corações se carreguem de glutonaria, de embriaguês, e dos cuidados da vida, e venha sobre vós de improviso aquele dia.” Tanto os dias de Noé, quanto os dias de Ló, quanto os dias do filho do homem, precedem juízos de Deus. Assim também, os dias de Jó e seus filhos precedeu um juízo de Deus. Os dez filhos foram mortos por causa do estilo de vida carnal que levavam. 

Os discípulos de hoje terão o mesmo destino? Se adotarem o mesmo estilo de vida...Mas, a conclusão é que um líder orgulhoso, gera um rebanho carnal. O pastor orgulhoso Jó, gerou filhos carnais, que foram mortos por Satanás. Mas esta história tem um final feliz, pois, depois que Jó se tornou humilde, Deus lhe deu um rebanho que tinha o dobro de animais. Como sabemos que Jó se tornou humilde? Veja isto: “Com os ouvidos eu ouvira falar de ti; mas agora te vêem os meus olhos. Pelo que me abomino, e me arrependo no pó e na cinza.” (Jó 42:5,6). Deus deu a Jó um rebanho de vinte e três mil  animais, no lugar dos onze mil e quinhentos, que tinha no princípio. Deus também deu mais sete filhos e três filhas. Há uma novidade nos filhos de Jó, que não havia nos primeiros dez. Aqui é dito que “em toda a terra não se acharam  mulheres tão formosas como as filhas de Jó.” A beleza física das filhas de Jó, representa a beleza espiritual, o estilo de vida santo, diferente do estilo de vida carnal dos primeiros filhos. A conclusão é que um pastor humilde, gera um rebanho santo. 

quinta-feira, 3 de julho de 2014

O ESPINHO NA CARNE


E, para que não me exaltasse pelas excelências das revelações, foi-me dado um espinho na carne, a saber,  um mensageiro de Satanás para me esbofetear, a fim de não me exaltar.” (II Co.12:7).

Desde a minha conversão, ouvi vários tipos de explicações  a respeito do espinho na carne de Paulo. Uma delas era a de que era uma doença tropical, e nos olhos. Porém, depois de tanto tempo, posso olhar para o texto, e dar a minha própria opinião. Aproveitando  o ensejo,  vou opinar sobre outros assuntos,  que também estão no texto. 

Em primeiro lugar, vamos examinar  o sentido da palavra “espinho”, em outro texto.  “Pelo que também eu disse: Não os expulsarei de diante de vós; antes estarão quais ESPINHOS nas vossas ilhargas, e os seus deuses vos serão por laço.” (Juízes 2:3). Está se referindo aos povos cananeus, que Deus deixou para provar a Israel, comparando-os a espinhos nas ilhargas. Os inimigos de Israel no A.T. são seres humanos de carne e osso, mas no N.T.  são principados e potestades, demônios, espíritos imundos, como Jesus os chamava. Seria o espinho na carne de Paulo um demônio? Parece que sim. Outro argumento podemos tirar do próprio texto, onde aparece a expressão “um mensageiro de Satanás”,  que no original grego é “um anjo de Satanás”. A palavra é “angelos” traduzida por mensageiro, mas literalmente significa anjo. É mesma palavra que aparece em Apocalipse 12:7 onde diz que “Miguel e seu anjos batalhavam contra o dragão, e batalhava o dragão e os seu anjos.” Duas vezes a palavra anjo aparece aqui, só que na forma plural, ANGELOI, sendo a mesma  palavra de II Co. 12:7, onde aparece no singular, ANGELOS.  Então o espinho na carne de Paulo era “um anjo de Satanás”, literalmente. 

Alguém pode se escandalizar, e achar impossível que o apóstolo Paulo tivesse um encosto. Perceba que o espírito não estava dentro dele, mas estava ao lado “para me esbofetear”. Veja que depois que Satanás tentou Jesus três vezes, está escrito: “Assim, tendo o diabo acabado toda sorte de tentação, retirou-se dele até ocasião oportuna.”  (Lc.4:13). “Ocasião oportuna” é o tempo KAIRÓS, que é o tempo espiritual, e não KRONOS, que é o tempo cronológico.  O diabo ficou vigiando Jesus para as próximas oportunidades de tentação. Esse demônio que acompanhava Paulo, também tinha a função de atacá-lo, sempre que tivesse oportunidade. Lembre que o sofrimento de Jó, não aconteceu por acaso, mas tinha alguém bem definido, providenciando tudo. Quem você acha que estava providenciando os sofrimentos de Paulo, quando ele diz “em açoites, mais do que eles; em prisões, muito mais; em perigo de morte muitas vezes. Recebi dos judeus  cinco quarentena de açoites menos um. Três vezes fui açoitado com varas, uma vez fui apedrejado, três vezes sofri naufrágio, uma noite e um dia passei no abismo...” (II Co. 11:23-26).

Mas tinha um motivo em tudo isso. Paulo disse “E para que não me exaltasse pelas excelências das revelações...a fim de não me exaltar.” (12:7). Deus sabe que o ser humano tem a tendência de se exaltar. Exaltação é orgulho. Jesus sabia que o diabo era um querubim e caiu no pecado do orgulho. Deus disse dele “Tu és o aferidor da medida, cheio de sabedoria e perfeito em formosura.” (Ez. 28:12). Sabedoria e beleza. Sabedoria tem o sentido de intelecto privilegiado para adquirir conhecimento intelectual, seja de ordem filosófica, científica, teológica, ou artística. De Jesus é dito “E crescia Jesus em sabedoria, e em estatura, e em graça para com Deus e os homens.” (Lc.2:52).  De Satanás é dito “Elevou-se o teu coração por causa da tua formosura, corrompeste a tua sabedoria por causa do teu resplendor.” (Ez. 28:17). Jesus não queria que Paulo caísse no pecado do diabo. No caso de Paulo, o problema não era sabedoria nem formosura. Mas ele disse “Pelas excelências das revelações”. Paulo recebeu revelações privilegiadas, que poucos receberam, e poderia, por causa disto, se exaltar.  Por isso o espinho na carne. As revelações a que ele se refere, ele declara  também “foi arrebatado até ao terceiro céu...Foi arrebatado ao paraíso.” (II Co.12:2,4). O paraíso é o Jardim do Éden, onde Adão e Eva estiveram. Aqui é chamado também de terceiro céu. Jesus disse ao ladrão crucificado ao seu lado “ Hoje mesmo estarás comigo no paraíso.” O ladrão foi lá em espírito. Paulo diz que não sabe se foi lá no corpo ou fora do corpo. Nós também não sabemos. Lá, Paulo ouviu palavras inefáveis, de que ao homem não é lícito falar. Paulo poderia, por causa disto, se exaltar, se tornar orgulhoso. Por isso o espinho na carne. O sofrimento, a aflição, a perseguição. 

Aliás, o motivo de Deus ter entregue Jó na mão de Satanás, foi o orgulho. Mas disto falarei em outro dia. Paulo orou três vezes, pedindo que o Senhor  afastasse o espinho dele, mas as três vezes, o pedido foi indeferido. Mas o Senhor Jesus Cristo disse “A minha graça te basta, pois o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza.” Não é fraqueza espiritual em face do pecado, mas desamparo em face do sofrimento e da perseguição. Nenhum socorro humano. Então não é verdade que Deus sempre diz sim, às orações por livramento do sofrimento. O orgulho é uma doença terrível, e a cura é dolorosa. Aliás, Jesus também pediu três vezes em oração ao Pai, que lhe permitisse não ir a cruz, mas também teve suas orações indeferidas. Lembremos que Paulo não menciona doença, na sua lista de sofrimentos. Então, o sofrimento pode ser preventivo, para evitar um mal maior, que é ir para o inferno junto com Satanás. Mas é melhor nos esforçarmos para sermos  humildes, para evitar sofrimento maior.  Com certeza, corre mais perigo de se exaltar, quem recebe mais. Quem é mais bonito, quem é mais inteligente (o caso de Satanás), quem é mais bem-sucedido, quem é mais rico, quem é mais santo, quem é mais forte, quem é mais carismático,quem  mais simpático, etc. 

quarta-feira, 2 de julho de 2014

AS DUAS IGREJAS RICAS


Estamos vivendo em um tempo em que a igreja, pela menos parte dela, tem adotado um estilo de vida materialista e consumista. Vamos examinar duas igrejas mencionadas em Apocalipse 2 e 3, para ver o que podemos aprender.

Lembrando que as Sete Igrejas da Ásia, são tidas como representando  sete tipos de igrejas, que pontificaram, em ordem cronológica, nos dois mil anos de história eclesiástica. Assim sendo, Éfeso seria a Igreja Apostólica, e Laodicéia, a Igreja dos últimos dias. Também pode ser entendido que as sete Igrejas da Ásia, podem representar sete tipos de igrejas, que estariam presentes em cada  período da história. Neste caso, hoje mesmo os sete tipos de igrejas existiriam no mundo. Pelo visto, pelo menos no primeiro século, existiram ao mesmo tempo, os sete tipos de igrejas reveladas no Apocalipse. Não seria de estranhar, então, que os mesmos sete tipos, existam no último período da era da igreja. Mas vamos considerar as duas igrejas ricas de Apocalipse 2 e 3.

1.       A IGREJA DE SMIRNA  -  Ap. 2:8-11.

Essa igreja enfrentava Tribulação e Pobreza, que Jesus afirmou conhecer. Tribulação confirma o que Jesus disse em João 16:33b “no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo.” Então a igreja sofrer tribulação, aflição, no mundo, é normal, faz parte do pacote. O mundo jaz no maligno, e é hostil a tudo que pertence a Deus. Aliás, quero falar para os pastores, já que essas cartas são endereçadas “ao anjo da igreja”. Não podemos nos iludir, o mundo odeia pastores. Em Gn. 46:34b, José diz diz para seus irmãos: “PORQUE TODO PASTOR DE OVELHAS É ABOMINAÇÃO PARA OS EGIPCIOS.” Isto é um princípio espiritual. O Egito é um tipo do mundo, e os irmão de José, que são pastores de ovelhas, são tipos dos pastores da igreja, e José, naturalmente, é um tipo de Jesus. Lembremos também que a primeira pessoa que Satanás matou na terra, foi Abel, um pastor. Sim, porque em Jo. 8:44, Jesus diz que o diabo “foi homicida desde o princípio”, e, creio eu, se referir ao assassinato de Abel, pois em I Jo.3:12 diz que Caim “era do maligno, e matou a seu irmão.” Então, a igreja de Smirna estar sofrendo tribulação, é, de certa forma, normal. Mas em Ap.2:9, Jesus também diz conhecer a pobreza do anjo da  igreja de Smirna. Em seguida Ele diz “MAS TU ÉS RICO”. Aliás, apesar de Jesus começar cada carta se dirigindo ao anjo da igreja, sempre termina dizendo “QUEM TEM OUVIDOS, OUÇA O QUE O ESPÍRITO DIZ ÀS IGREJAS.” Portanto, Ele fala, por meio do Espírito Santo, às igrejas, por meio do seu líder. (v.t. At. 1:2). Então, apesar de a igreja ser pobre, o Senhor diz “MAS TU ÉS RICO”. Claro está que a igreja era pobre materialmente, mas rica espiritualmente. Surpreendentemente, Jesus não diz  que vai tirá-la da pobreza, mas, pelo contrário, a situação vai piorar, pois, até então, a tribulação não incluía prisão e morte. Então Ele diz “Nada temas das coisas que hás de padecer. Eis que o diabo lançará alguns de vós na prisão, para que sejais provados; e tereis uma tribulação de dez dias. Sê fiel até a morte, e dar-te-hei a coroa da vida.” (Ap.2:10). A riqueza da igreja de Smirna não foi afirmada por ela, mas foi  Jesus quem disse “MAS TU ÉS RICO”. Neste caso, o Senhor parece desdenhar das riquezas materiais, e colocar em evidência as riquezas espirituais. Será que a igreja de hoje está fazendo o contrário? E se está, quem está ensinando essa cosmovisão?

2.       A IGREJA DE LAODICÉIA  -  Ap.3:14-22.

A essa igreja Jesus diz, como já havia dito à igreja de Smirna, “conheço as tuas obras”.  Em seguida passa a acusá-la de ser morna, não sendo quente nem fria. Morno é um meio termo entre quente e frio. Essa igreja não pode ser acusada de radical (concernente à raiz), nem de fundamentalista (concernente ao fundamento, alicerce, baldrame), mas é um meio termo. É como se estivesse em cima do muro. Não saltou para o lado do mundo, nem para o lado de Deus. Está tentando agradar aos dois lados. Não se definiu nem pelo marido, nem pelo amante. Mas é uma igreja rica, pois Jesus diz a ela: “COMO DIZES: RICO SOU, E ESTOU ENRIQUECIDO, E DE NADA TENHO FALTA”.  Esse diagnóstico é auto-afirmado, é a visão que ela tem de si mesma. No caso da igreja de Smirna, foi Jesus quem disse “MAS TU ÉS RICO”, porém, no caso da igreja de Laodicéia, é o anjo da igreja quem diz “RICO SOU”.  Mas a avaliação de Jesus não é esta, pois Ele diz “E NÃO SABES QUE ÉS UM DESGRAÇADO, E MISERÁVEL, E POBRE, E CEGO, E NU”.  Jesus via de um modo, o anjo da igreja via de outro. O anjo da igreja via a riqueza material da igreja como importante, mas Jesus via a riqueza espiritual como importante. O fascínio da riqueza material parece cegar o anjo da igreja para a importância da riqueza espiritual, pois Jesus diz “e não sabes”. Pelo visto a igreja e seu líder estavam cegos para a sua própria condição, pois, não sabiam que eram “desgraçado, miserável, e pobre, e cego, e nu”. Que tragédia é essa! A igreja está cega para a sua própria condição espiritual. Mas Jesus não está cego. Ele vê exatamente como a igreja está. Seria melhor não confiar em nosso próprio discernimento, que o diabo pode enganar, mas pedir ao Senhor que nos abra os olhos para vermos a nós mesmos como Ele nos Vê.  

Será que a igreja de hoje está assim? Confundindo riqueza material com riqueza espiritual. Pensando que a prosperidade material é sinal da bênção de Deus? Eu fico me perguntando o que Abraão quis dizer  quando disse ao homem rico “Filho, lembra-te de que recebestes os teus bens em tua vida, e Lázaro somente males; e agora este é consolado e tu atormentado.” Julgue você mesmo, à luz do contexto,o sentido dessas palavras, pois é preocupante. Mas ainda há esperança para a igreja de Laodicéia, Pois Jesus disse a ela “Aconselho-te que de mim compres ouro provado no fogo, para que te enriqueças; e vestidos brancos, para que te vistas, e não apareça a vergonha da tua nudez; e que unjas os teus olhos com colírio, para que vejas.” Assim como a riqueza material, a espiritual também tem preço, pois o Senhor diz “Aconselho-te que de mim compres...” Parece ressoar a Parábola das Dez Virgens, quando as sábias disseram às loucas “ide antes aos que o vendem(o azeite), e comprai-o para vós.” (Mt.25:9). 

A riqueza espiritual também tem preço, mas deve ser buscada em tempo hábil. Jesus é quem pode vender essa riqueza, pois Ele diz “Aconselho-te que DE MIM compres”. É uma questão de inversão de valores. Deus valoriza uma coisa, o diabo tenta fazer o ser humano valorizar outra, usando de engano. 

Bem, temos aí duas igrejas ricas. Uma rica espiritualmente, e outra rica materialmente. Mas, dirá alguém, não dá para conciliar a riqueza espiritual com a material? Se puder eu também quero. Mas, parece não ser ocaso. A nossa riqueza é o Senhor. Eu também gostaria de ser rico, mas quero mais do que isso, ser salvo, e ter Deus comigo, pois, o pouco com Deus é muito, e o muito sem Deus é nada. Que igreja iremos adotar como modelo? A de Smirna ou a de Laodicéia?

terça-feira, 1 de julho de 2014

UM OUTRO EVANGELHO?


Em Gálatas 1:6, Paulo escreveu “Maravilho-me de que tão depressa passásseis daquele que vos chamou à graça de Cristo para OUTRO EVANGELHO.”  E  no verso 8, ele pontifica “Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie OUTRO EVANGELHO além do que já vos tenho anunciado, seja anátema.” E no verso 9 “Assim como já vo-lo dissemos, agora de novo também vo-lo digo. Se alguém  vos anunciar OUTRO EVANGELHO  além do que já recebestes, seja anátema.” 

Ele fala de um outro Evangelho QUE VÁ ALÉM, se referindo aos judaizantes, que queriam que os discípulos gentios fossem circuncidados e guardassem a lei de Moisés. Mas, como diz o ditado popular, “Quando não é oito, é oitenta”. O perigo de um Evangelho QUE VÁ ALÉM é tão grande quanto o de outro Evangelho QUE FIQUE AQUÉM.  Paulo alertou, de maneira contundente, a igreja daquele tempo: “E de novo protesto a todo homem, que se deixa circuncidar, que está obrigado a guardar toda a lei. Separados estais de Cristo, vós os que vos justificais pela lei; da graça tendes caído.” (Gl. 5:3,4). O que diria Paulo à igreja de hoje?  Se naquele tempo era o Evangelho do ALÉM, hoje é o Evangelho do AQUÉM. Pois estamos vendo e ouvindo  um Evangelho voltado somente para os valores deste mundo. É um Evangelho que diz que você vai ser próspero financeiramente, vai ser feliz no casamento, e  vai ter tudo do bom e do melhor. É um Evangelho sem cruz, com um conceito  temporal de felicidade, diferente da definição que Jesus apresenta nas Bem-Aventuranças (Mt.5:1-12). Conceitos esses, tirados geralmente do Antigo Testamento, sem levar em consideração a cosmovisao do Novo Testamento. Lembremos que a revelação é progressiva, e que, a medida que nos encaminhamos para o final da Bíblia, a revelação fica mais clara.

Mas, antes de entrar especificamente na questão do sofrimento, quero esclarecer um ponto, que julgo necessário. Em Tiago 5:13 está escrito: “Está alguém entre vós aflito? Ore. Está alguém contente? Cante louvores. Está alguém entre vós doente? Chame os presbíteros da igreja...”  São três tipos de situações diferentes. O pronome “vós”, limita a sua aplicação aos crentes, à igreja, isto é, “às doze tribos que andam dispersas” (1:1). Mas são três tipos diferentes de situações.  

Na igreja tem o grupo dos aflitos, o grupo dos contentes, e o grupo dos doentes. Isto é normal. Os dirigentes do louvor tem de aprender isto. A reunião da igreja não é o Rock In Rio ou Woodstock, nem a reunião da Ivete Sangalo nem da Cláudia Leite. É a reunião do povo de Deus, onde tem gente sofrendo aflição, gente doente, e também gente contente. Não se pode obrigar a cantar quem está sofrendo, ou quem está doente. Se quiserem fazer isto pela fé, podem, mas Deus manda o grupo dos sofredores orar, e o dos doentes pedir oração aos presbíteros. Mas quero ressaltar que os doentes não estão tecnicamente na mesma categoria dos  aflitos. O Evangelho tem provisão para a cura das doenças, pois, de fato, Jesus as levou sobre si na cruz. (Is.53:4,5). 

Todavia, a questão da cura está debaixo de critérios divinamente estabelecidos. Percebo que no Evangelho de Mateus, geralmente,  está escrito repetidamente, que Jesus curou a todos, ou que todos os que tocaram a orla do seu vestido foram curados. “E rogavam-lhe que ao menos eles pudessem tocar a orla do seu vestido; e todos que a tocavam ficavam sãos.” (Mt.14:36).  Baseados no caso do leproso – Mt. 8:1-4 – alguns afirmam que Deus sempre quer curar, não o fazendo somente pela falta de fé do postulante. Durante muito tempo me intrigou o fato de Jesus só ter curado um, no Tanque de Betesda (Jo.5:1-14), já que lá havia “grande multidão de enfermos; cegos, mancos e ressicados.”  Mas creio que a resposta está no contexto, onde Jesus diz “Na verdade, na verdade vos digo que o Filho por si mesmo não pode fazer coisa alguma, se o não vir fazer ao Pai”.(Jo.5:19). Jesus só fazia o que o Pai queria. Quando O Pai queria curar todos, Jesus curava todos. Quando o Pai queria curar um só, Jesus curava um só. Só assim podemos entender porque Paulo também não pode curar seus próprios discípulos algumas vezes. Assim também hoje. Temos de orar pelos enfermos, mas só Deus decide quem e quando Ele vai curar. Quem crê que Deus sempre quer curar todos, colocando a culpa no postulante, se a cura não acontece, labora em erro, pois a culpa pode ser do doente, do que ora, ou Deus pode simplesmente não querer curar. Afinal Ele é Deus, e só faz o que Ele mesmo quer,  e que contribui para a sua glória. Mas, o que quero deixar claro é que doença não se encaixa no conceito de aflição, segundo o ensino do N.T. Veja o que Paulo escreveu em Fl. 1:29 “Porque a vós vos foi concedido, em relação a Cristo, não somente crer nele, como também padecer por ele.” Vejamos outros textos:

1.       Hb, 12:7 “É para disciplina que sofreis; Deus vos trata como a filhos; pois qual é o filho a quem o Pai não corrija?

2.       Tg. 1:2 “Meus irmãos, tende por motivo de grande o passardes por várias provações.”

3.       Hb. 1:12 “Bem-aventurado o homem que suporta a provação; porque, depois de aprovado, receberá a coroa da vida, que o Senhor prometeu aos que o amam.”

4.       Tg.5:7-11 “Portanto, irmãos, sede pacientes até a vinda do Senhor...Sede vós também pacientes; fortalecei os vossos corações, porque a vinda do Senhor está próxima...Eis que o juiz está à porta. Irmãos, tomai como exemplo de sofrimento e  paciência os profetas que falaram em nome do Senhor. Eis que chamamos bem-aventurados os que suportaram aflições. Ouvistes da paciência de Jó, e vistes o fim que o Senhor lhe deu, porque o Senhor é cheio de misericórdia e compaixão.”

5.       II Ts. 1:4-10 “De maneira que nós mesmos nos gloriamos de vós nas igrejas de Deus por causa da vossa paciência e fé, em todas as vossas perseguições e aflições que suportais; Prova clara do justo juízo de Deus, para sejais havidos por dignos  do reino de Deus, pelo qual também padeceis; Se de fato é justo diante de Deus que dê em paga tribulação aos que vos atribulam, E avós que sois atribulados, descanso conosco, quando se manifestar o Senhor Jesus desde o céu com os anjos do seu poder, como labareda de  fogo, tomando vingança dos que não conhecem a Deus e dos não obedecem ao Evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo; os quais por castigo padecerão eterna perdição, ante a face do Senhor e a glória do seu poder..”  Observe que ele promete alívio quando Jesus voltar. Ele virá para tomar vingança de dois tipos de pessoas: “os que não conhecem a Deus”. Esses são os de fora, os descrentes, por assim dizer. Mas o outro grupo são os que “não obedecem ao Evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo”. Esses são os crentes desobedientes a Deus e à sua Palavra.  São crentes desobedientes, entre os quais vós podemos estar. Pelo  visto, pelo menos a metade da igreja vai para o inferno, se levarmos em conta a proporção da Parábola das Dez Virgens.

6.       I Pd. 4:14 “Se sois insultados por causa do nome de Cristo, sois abençoados, porque sobre vós repousa o Espírito da glória, o espírito de Deus.” 

E assim poderíamos multiplicar à saciedade os textos que mostram que a vida do crente não vai ser fácil neste mundo. Mas o alívio virá quando o Senhor voltar. Por isso a nossa expectativa é grande em relação à sua volta. Julgue você mesmo se o Evangelho que você está ouvindo ou mesmo pregando,é o verdadeiro Evangelho com cruz e tudo,  ou é um outro Evangelho, que fica aquém desse que foi  ensinado pelo Senhor Jesus e seus apóstolos. Parece que outro  ditado popular se aplica nesse caso também: “Quem ri por último, ri melhor”. Ou o Salmo que diz “O choro pode durar uma noite, mas a alegria vem pela manhã”.  Eu gostaria que a manhã desse salmo fosse literal, mas pode se referir ao retorno de Jesus, quando o Sol da Justiça voltar a esta terra.