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sexta-feira, 18 de setembro de 2015

O CRESCIMENTO DA IGREJA NA TEOLOGIA PAULINA


          Toda a Bíblia, e Paulo, em particular, usam, recorrentemente,  a figura da construção e a da plantação. O crescimento da  construção é algo que o homem faz, e o crescimento da plantação  é algo que Deus faz. 

“Eu plantei, Apolo regou;  mas o crescimento veio de Deus. De modo que nem o que planta é alguma coisa, nem o que rega, mas Deus, que dá o crescimento. Ora, o que planta e o que rega são um; e cada um receberá o seu galardão, segundo o seu próprio trabalho. Porque de Deus somos cooperadores; lavoura de Deus, edifício de Deus sois vós.” (I Co. 3:6-9). 

“Porque , assim como descem a chuva e a neve dos céus e para lá não tornam, sem que primeiro reguem a terra, e a fecundem, e a façam brotar, para dar semente ao semeador e pão ao que come, assim será a palavra que sair da minha boca: não voltará para mim vazia, mas fará o que me apraz e prosperará naquilo para que a designei” (Is. 55:10,11). 

          O profeta Ageu escreve “Por isso, os céus sobre vós retém o seu orvalho, e a terra, os seus frutos. Fiz vir a seca sobre a terra e sobre os montes; sobre o cereal, sobre o vinho, sobre o azeite e sobre o que a terra produz, como também sobre os homens, sobre os animais e sobre todo o trabalho das mãos...Já não há semente no celeiro. Além disso, a videira, a figueira, a romeira e a oliveira não têm dado do seus frutos; mas, desde este dia, vos abençoarei.” (Ag. 1:10,11; 2:19). A parte do homem foi que Paulo plantou e Apolo regou, e a parte de Deus foi dar o crescimento, mas, como vemos em Ageu, para Deus dar o crescimento, Ele tem critérios. O trabalho de Paulo, plantar, é o semear,ou lançar a semente à  terra. Literalmente, é o trabalho evangelístico, realizado pelo Evangelista(Ef.4:11), ou pelo pregador, Kêrix, de kerigma(II Tm.1:11). 

       Jesus também realizava este serviço, como Mateus registra “Percorria Jesus toda a Galiléia...pregando (Kerýssom)o evangelho do reino”(Mt.4:23). O trabalho de Apolo, regar, era o ensino da Palavra de Deus para os crentes, como Paulo ensinou a Timóteo “Até à minha chegada, aplica-te à leitura, à exortação, ao ensino”(I Tm.4:13). A pregação, o plantar, se destina aos de fora da igreja, enquanto que o regar, o ensino, se destina aos de dentro, aos crentes. Claro que não se deve plantar nem regar de qualquer  jeito, pois Deus orienta o seguinte “Lavrai para vós outros campo novo e não semeeis entre espinhos”(Jr. 4:3).  Na parábola do semeador (Mt.13) nem toda semeadura deu fruto, pois dependia da qualidade do solo. Voltando ao profeta Ageu, os judeus plantaram, regaram, mas não houve crescimento, pois este dependia de cair a chuva do céu, que era a parte de Deus. Vemos por todo o Antigo Testamento, que quando Deus se aborrecia, por causa da desobediência do povo, Ele retinha a chuva, e não havia fruto da terra. 

            A chuva espiritual que Deus manda do céu para fazer a igreja dar fruto e crescer, é o derramar do Espírito Santo, como aconteceu no dia de Pentecoste. “Exaltado, pois, à destra de Deus, tendo recebido do Pai a promessa do Espírito Santo, derramou isto que vedes e ouvis.”(At.2:33).  A igreja deve plantar (evangelizar) com qualidade, e regar (ensinar a palavra de Deus à igreja) com qualidade, e orar para que Deus mande a chuva do Espírito Santo. “Tendo eles orado, tremeu o lugar onde estavam reunidos; todos ficaram cheios do Espírito Santo e, com intrepidez, anunciavam a palavra de Deus.”(At. 4:31).

quarta-feira, 30 de julho de 2014

A LEI DA RECIPROCIDADE

Quando Israel estava conquistando a terra de Canaã, as tribos de Judá e de Simeão, sob a liderança da primeira, guerrearam contra os cananeus e  “o Senhor lhes entregou nas mãos os cananeus e os perizeus”. (Jz.1:4). 

Eles encontraram Adoni-Bezeque, rei de Beseque, a quem derrotaram, e lhe cortaram os dedos polegares das mãos e dos pés. Então Adoni-Beseque confessou que “setenta reis, com os dedos polegares das mãos e dos pés cortados, apanhavam migalhas debaixo da minha mesa. Deus me pagou conforme fiz a eles.” (Jz.1:5-7). 

Este homem cruel só reconheceu a justiça de Deus quando estava na desgraça. Dizem que o poder corrompe, pois quem tem o poder nas mãos, geralmente se enche de orgulho e esquece de que é um ser humano mortal, que pode cair debaixo do juízo de Deus a qualquer hora. Os poderosos da terra devem se lembrar, de que este nosso mundo é governado por uma teocracia invisível, um Deus que se manifesta quando quer e a quem quer. 

A Bíblia diz que Deus sente indignação todos os dias. Certamente por contemplar os atos injustos dos humanos. 

O salmista diz que Jeová é um Deus que se esconde. E mesmo quando faz justiça na terra, faz com que pareça causa natural. Até mesmo esconde dos oprimidos  a sua justiça contra o opressor, para que este vendo, não se glorie. A teocracia invisível que governa a Terra raras vezes é revelada na Bíblia, porém, numa dessas vezes foi registrado no livro de reis. “O rei de Israel e Josafá, rei de Judá, vestidos de seus trajes reais, estavam assentados cada um no seu trono, , na praça à entrada da porta de Samaria; e todos os profetas profetizavam diante deles...Vi o Senhor assentado no seu trono, e todo o exército celestial em pé junto a Ele, à sua direita e à sua esquerda.” (I Rs. 22:10,19). Os dois reis humanos podiam se considerar muita coisa, mas tinham de lembrar que sobre eles, pairava um trono maior do que o deles, e nele se assentava um Senhor maior do que eles. Foi disto que Adoni-Bezeque se esqueceu. 

Nos salmos está escrito muitas vezes que Deus é juiz, e que vai julgar os atos humanos quando quiser, e da maneira que quiser. Jesus disse que “Tudo que quereis que os homens vos façam, fazei também a eles.” (Mt.7:12). E Paulo disse “Tudo que o homem semear, isso também colherá.” (Gl.6:7). Tanto as nossas ações, quanto as nossas palavras, são sementes, que darão fruto no devido tempo, e que seremos obrigados a colher. E não somente os reis e poderosos da terra, mas, até mesmo qualquer ser humano, que exerce autoridade de liderança sobre seu semelhante, será julgado por Deus. Tanto no exercício desumano do poder e da autoridade, quanto na omissão de ajuda, Deus pedirá contas. Paulo ainda diz “enquanto temos oportunidade, façamos o bem a todos, principalmente aos da família da fé.” (Gl. 6:10). 

Deus diz de Abraão “Porque eu o tenho conhecido, que ele há de ordenar a seus filhos e a sua casa depois dele, para que guardem o caminho do Senhor, para obrarem com justiça e juízo; para que o Senhor faça vir sobre Abraão o que acerca dele tem falado.” (Gn.18:19). E Paulo diz “Porque o reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo.” (Rm.14:17). Adoni-Bezeque foi injusto e cruel para com aqueles que estavam debaixo de sua autoridade. Neste caso o instrumento do juízo de Deus foi Israel, através de Judá e Simeão. Então, vamos usar de misericórdia para com o nosso semelhante, para que Deus use de misericórdia para conosco, a começar dentro da nossa casa, no meio da nossa família. E também, se sofremos ou contemplamos opressão, peçamos a Deus, e esperemos que Ele, no exercício da sua soberania, escolha o tempo e o modo da retribuição, e os instrumentos que irá usar.

Espiritualizando o caso de Adoni-Bezeque, este representa Satanás, e os setenta reis representam os reis e governantes da terra. A falta dos polegares das mãos e dos pés, é uma representação do desequilíbrio com que os governantes do mundo exercem seu governo, por influência espiritual do maligno. Mas a lei da reciprocidade também atinge o mundo espiritual, pois chegará o dia em que ele será também punido. “O inferno desde o profundo se turbou por ti, para te sair ao encontro na tua vinda; despertou por ti os mortos, e todos os príncipes da terra, e fez levantar dos seus tronos a todos os reis das nações. Estes todos responderão, e te dirão: Tu também adoeceste como nós, e foste semelhante a nós. Já foi derrubada no inferno a tua soberba com o som dos teus alaúdes; os bichinhos debaixo de ti se estenderão, e os bichos te cobrirão.” (Is.14:9-11).