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quarta-feira, 23 de setembro de 2015

A ESTERILIDADE DE REBECA


          Rebeca era mulher de Isaque, que casou com ela quando ele tinha quarenta anos de idade, sendo que ela era estéril. 
“era Isaque de quarenta anos, quando tomou por esposa a Rebeca,  filha de Betuel, o arameu de Padã-Arã, e irmã de Labão, o arameu.  Isaque orou ao Senhor por sua mulher,porque ela era estéril; e o Senhor lhe ouviu as orações, e Rebeca, sua mulher, concebeu.”(Gn. 25:20,21). 
        Essa família era de oração, pois quando Rebeca sentiu que os filhos gêmeos lutavam no seu ventre “consultou ao Senhor” que lhe respondeu. (Gn. 25:22,23). Eles procuravam a solução de seus problemas na oração. Se fosse hoje, Isaque teria levado sua mulher a uma clínica de fertilização, e Rebeca teria feito uma ultrassonografia para saber o que havia no seu ventre. 

            Será que a ciência e a tecnologia estão diminuindo a nossa dependência de Deus? Deus diz para Rebeca: “Duas NAÇÕES  há no teu ventre, dois  POVOS nascidos de ti se dividirão” (Gn. 25:23). O apóstolo Pedro diz para a igreja: “Vós, porém, sois raça eleita,  sacerdócio real, NAÇÃO  santa, POVO de propriedade exclusiva de Deus” (I Pe.2:9). 

           A Bíblia diz que Isaque tinha quarenta anos quando tomou por esposa a Rebeca. (Gn.25:20). Não é de estranhar,  pois também diz a idade de Esaú, quando casou. “Tendo Esaú quarenta anos de idade, tomou por esposa a Judite, filha de Beeri, heteu, e a Basemate, filha de Elom, heteu” (Gn.26:34). A Bíblia, porém,  não diz com que idade Esaú teve filhos, mas diz a idade de Isaque quando teve filhos (gêmeos).  “Era Isaque de sessenta anos, quando Rebeca lhos deu à luz”(Gn. 25:26b).  Já que ele casou com quarenta, Isaque orou durante vinte anos para que sua mulher concebesse. O motivo de Deus ter revelado o tempo que Isaque orou para que sua mulher desse filhos, é  uma lição para a igreja, de que a esterilidade deve ser curada com oração, mas Deus se reserva o direito de decidir o tempo da resposta. A igreja deve orar, mas sabendo que Deus responderá quando Ele quiser, e não quando nós quisermos. 

            Em Daniel 10, a resposta da oração do profeta demorou vinte e um dias, em virtude da oposição que o anjo de Deus recebeu do príncipe do reino da Pérsia.  Coisas acontecem no mundo invisível que nós não sabemos,  para que as nossas orações sejam respondidas.  No dia de Pentecoste a igreja vinha orando durante dez dias, quando o Espírito Santo foi derramado, e cerca de três mil filhos nasceram. 

             No caso de Isaque foram dois filhos,  neste caso quase três mil, porque nascimentos espirituais não dependem das limitações do corpo físico. Algum tempo depois a resposta à oração foi imediata, porque o Espírito Santo foi derramado na hora. “Tendo eles orado, tremeu o lugar onde estavam reunidos; todos ficaram cheios do Espírito Santo e, com intrepidez, anunciavam a palavra de Deus.” Mas fica a lição, a responsabilidade da igreja é orar, a de Deus é derramar o Espírito Santo, e só então a igreja tem autoridade para evangelizar, e Deus também decide a hora de “acrescentar” os filhos para o crescimento. 

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

COMO ATRAIR AS MULTIDÕES


          Jesus estava sempre cercado de multidões, como Mateus registra: “numerosas multidões o seguiam” (Mt.4:25b), e “Vendo Jesus as multidões, subiu ao monte” (Mt. 5:1) e ainda “Quando Jesus acabou de proferir estas palavras, estavam as multidões maravilhadas da sua doutrina”(Mt.7:28). Os seus discípulos se aproximaram dele, e ele passou a ensiná-los. Nesse ensino, creio eu, Jesus revelou como atrair as multidões. Fazer discípulos que tenham o caráter das bem-aventuranças.

1.       Humildes de espírito – Mt. 5:3 – não é humildade material, pobreza, mas humildade do coração, no espírito, como Jesus era “sou manso e humilde de coração”(Mt.11:29).

2.       Os que choram – Mt.5:4 – serão consolados no céu “E Deus lhes enxugará dos olhos toda lágrima” (Ap. 7:17b).

3.       Os mansos – Mt.5:5 – herdarão a terra quando Jesus voltar “Ao vencedor, que guardar até ao fim as minhas obras, eu lhe darei autoridade sobre as nações, e com cetro de ferro as regerá e as reduzirá a pedaços como se fossem objetos de barro” (Ap.2:26,27) e, “terás autoridade sobre dez cidades...Terás autoridade sobre cinco cidades”(Lucas 19:17-19).

4.       Os que tem fome e sede de justiça – Mt.5:6 – serão fartos em outro mundo. “Nós,  porém, segundo a sua promessa, esperamos novos céus e nova terra, nos quais habita justiça” (II Pd.3:13).

5.       Os misericordiosos – Mt. 5:7 – alcançarão misericórdia no dia do juízo. “Conceda o Senhor misericórdia  à casa de Onesíforo, porque, muitas vezes, me deu ânimo e nunca se envergonhou das minhas algemas; antes, tendo ele chegado a Roma, me procurou solicitamente até me encontrar. O Senhor lhe conceda, naquele Dia, achar misericórdia da parte do Senhor. E tu sabes, melhor do que eu, quantos serviços me prestou ele em Éfeso” (II Tm. 1:16-18).

6.       Limpos de coração – Mt. 5:8 – verão a Deus no final. “Nunca mais haverá qualquer maldição. Nela (a nova Jerusalém), estará o trono de Deus e do Cordeiro. Os seus servos o servirão, contemplarão a sua face, e na sua fronte está  o nome dele”(Ap.22:3,4).

7.       Pacificadores – Mt.5:9 – serão chamados filhos de Deus quando Jesus voltar. “A ardente expectativa da criação aguarda a revelação dos filhos de Deus...E não somente ela (a criação), mas também nós, que temos as primícias do Espírito, igualmente gememos em nosso íntimo, aguardando a adoção de filhos, a redenção do nosso corpo” (Rm. 8:19, 23).

8.       Perseguidos por causa da justiça – Mt.5:10 - o reino dos céus será deles quando Jesus voltar. “Vinde, benditos de meu Pai!  Entrai na posse do reino que vos está preparado desde a fundação do mundo” (Mt. 25:34).

9.       Perseguidos por causa de Jesus –  Mt.5:11,12 – receberão o galardão quando Jesus voltar. “E eis que venho sem demora, e comigo está o galardão que tenho para retribuir a cada um segundo as suas obras”

                 Quando a igreja fizer discípulos com esse caráter, esperando a recompensa e o livramento para quando Jesus voltar, atrairá as multidões. 

sexta-feira, 18 de setembro de 2015

O CRESCIMENTO DA IGREJA NA TEOLOGIA PAULINA


          Toda a Bíblia, e Paulo, em particular, usam, recorrentemente,  a figura da construção e a da plantação. O crescimento da  construção é algo que o homem faz, e o crescimento da plantação  é algo que Deus faz. 

“Eu plantei, Apolo regou;  mas o crescimento veio de Deus. De modo que nem o que planta é alguma coisa, nem o que rega, mas Deus, que dá o crescimento. Ora, o que planta e o que rega são um; e cada um receberá o seu galardão, segundo o seu próprio trabalho. Porque de Deus somos cooperadores; lavoura de Deus, edifício de Deus sois vós.” (I Co. 3:6-9). 

“Porque , assim como descem a chuva e a neve dos céus e para lá não tornam, sem que primeiro reguem a terra, e a fecundem, e a façam brotar, para dar semente ao semeador e pão ao que come, assim será a palavra que sair da minha boca: não voltará para mim vazia, mas fará o que me apraz e prosperará naquilo para que a designei” (Is. 55:10,11). 

          O profeta Ageu escreve “Por isso, os céus sobre vós retém o seu orvalho, e a terra, os seus frutos. Fiz vir a seca sobre a terra e sobre os montes; sobre o cereal, sobre o vinho, sobre o azeite e sobre o que a terra produz, como também sobre os homens, sobre os animais e sobre todo o trabalho das mãos...Já não há semente no celeiro. Além disso, a videira, a figueira, a romeira e a oliveira não têm dado do seus frutos; mas, desde este dia, vos abençoarei.” (Ag. 1:10,11; 2:19). A parte do homem foi que Paulo plantou e Apolo regou, e a parte de Deus foi dar o crescimento, mas, como vemos em Ageu, para Deus dar o crescimento, Ele tem critérios. O trabalho de Paulo, plantar, é o semear,ou lançar a semente à  terra. Literalmente, é o trabalho evangelístico, realizado pelo Evangelista(Ef.4:11), ou pelo pregador, Kêrix, de kerigma(II Tm.1:11). 

       Jesus também realizava este serviço, como Mateus registra “Percorria Jesus toda a Galiléia...pregando (Kerýssom)o evangelho do reino”(Mt.4:23). O trabalho de Apolo, regar, era o ensino da Palavra de Deus para os crentes, como Paulo ensinou a Timóteo “Até à minha chegada, aplica-te à leitura, à exortação, ao ensino”(I Tm.4:13). A pregação, o plantar, se destina aos de fora da igreja, enquanto que o regar, o ensino, se destina aos de dentro, aos crentes. Claro que não se deve plantar nem regar de qualquer  jeito, pois Deus orienta o seguinte “Lavrai para vós outros campo novo e não semeeis entre espinhos”(Jr. 4:3).  Na parábola do semeador (Mt.13) nem toda semeadura deu fruto, pois dependia da qualidade do solo. Voltando ao profeta Ageu, os judeus plantaram, regaram, mas não houve crescimento, pois este dependia de cair a chuva do céu, que era a parte de Deus. Vemos por todo o Antigo Testamento, que quando Deus se aborrecia, por causa da desobediência do povo, Ele retinha a chuva, e não havia fruto da terra. 

            A chuva espiritual que Deus manda do céu para fazer a igreja dar fruto e crescer, é o derramar do Espírito Santo, como aconteceu no dia de Pentecoste. “Exaltado, pois, à destra de Deus, tendo recebido do Pai a promessa do Espírito Santo, derramou isto que vedes e ouvis.”(At.2:33).  A igreja deve plantar (evangelizar) com qualidade, e regar (ensinar a palavra de Deus à igreja) com qualidade, e orar para que Deus mande a chuva do Espírito Santo. “Tendo eles orado, tremeu o lugar onde estavam reunidos; todos ficaram cheios do Espírito Santo e, com intrepidez, anunciavam a palavra de Deus.”(At. 4:31).

O CRESCIMENTO NA IGREJA PRIMITIVA


          O modelo inspirado para a igreja de todos os tempos é a igreja Primitiva. Por isso é importante ver como ela crescia. Em Gn. 30:24, depois de ter o seu primeiro filho, Raquel disse: “Acrescente-me o Senhor ainda outro filho” , e em Atos 2:47b está escrito: “Enquanto isso, acrescenta-lhes o Senhor, dia a dia, os que iam sendo salvos.”  Tanto dar filhos a Raquel, quanto promover o crescimento da igreja, eram prerrogativas de Deus. “Enquanto isso” significa que a igreja primitiva fazia algumas coisas, enquanto Deus fazia outras. Diz o ditado evangélico, que aquilo que o homem pode fazer, Deus não faz. E a recíproca é verdadeira,  aquilo que o homem não pode fazer, Deus faz. Dentre as coisas que o homem não pode fazer, está gerar filhos para Deus. Por isso João escreve”os quais não nasceram do sangue,  nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus.” (Jo. 1:13). Mas, enquanto Deus acrescentava filhos à igreja, esta fazia a sua parte, que consistia no seguinte:

1.       “E perseveravam na doutrina dos apóstolos” – At. 2:42 – doutrina é DIDAKÊ, que significa ensino, e que os apóstolos praticavam, seguindo o exemplo de Jesus. “Tendo ouvido isto, logo ao romper do dia, entraram no templo e ensinavam.” (At. 5:21). “Tendo Jesus chegado ao templo, estando já ensinando...” (Mt. 21:23). Paulo orienta a Timóteo “prega a palavra, insta, quer seja oportuno, quer não, corrige, repreende, exorta, com toda a longanimidade e doutrina.” Mas só faremos isso se confiarmos na eficácia da Palavra de Deus, para promover a saúde da igreja, para que Deus possa dar o crescimento.

2.       E perseveravam “na comunhão” -  At. 2:42 – comunhão é KOINONÍA, que tem a ver com o resultado de uma aliança de casamento, em que todas as coisas se tornam comum.  É uma lei espiritual que quando fazemos aliança com alguém, seja com Deus, seja com outro ser humano, o que é nosso passa a ser dele, e o que é dele passa a ser nosso. Por isso Paulo escreveu “A mulher não tem autoridade sobre o seu próprio corpo,  e sim, o marido; e também, semelhantemente, o marido não tem autoridade sobre o seu próprio corpo, e sim a mulher.” (I Co. 7:4). E “Todos os que creram estavam juntos e tinham tudo em comum.” (At. 2:44).

3.       “No partir do pão”  -  At. 2:42 – tem a ver com a Ceia do Senhor, mas também com o fato de que os membros de uma família comem juntos, e que a igreja é a família de Deus, e os crentes são seus filhos. Quando José se encontra com seus irmãos, os egípcios não participam da refeição “porque aos egípcios não lhes era lícito comer  pão com os hebreus porquanto é isso abominação para os egípcios.” (Gn. 43:32).

4.       E perseveravam “nas orações” – At.2:42 – eles oravam juntos como em Atos 1:14 “Todos  estes perseveravam unânimes  em oração, com as mulheres, com Maria, mãe de Jesus, e com os irmãos dele.” Ou seja, toda a família de Jesus estava junta orando. O que eles pediam na oração está revelado em At. 4:29,30 “agora, Senhor, olha para as sua ameaças e concede aos teus servos que anunciem com toda a intrepidez a tua palavra, enquanto estendes a mão para fazer curas, sinais e prodígios por intermédio do nome do teu santo Servo Jesus.”  O resultado da oração foi que ficaram cheios do Espírito Santo, de novo, e receberam coragem para anunciar a palavra de Deus.

5.       “Louvando a Deus” – At. 2:47 – louvar é cantar, diferente de adorar, que significa servir a Deus na área do dom que recebeu, inclusive no cântico e na música. Os músicos são louvadores, porque adoradores somos todos nós.

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

CRESCICMENTO DA IGREJA E A SOBERANIA DE DEUS


          Estamos numa época em que há uma verdadeira obsessão pelo crescimento da igreja. Os motivos de cada um só Deus pode julgar. Está na moda e na cultura moderna, e a tendência da igreja é agir de maneira irracional, sem perguntar o que diz a Bíblia sobre tal atitude.  

                 Porém,    vamos usar,  de novo,  a alegoria da família de Jacó, para ter um equilíbrio bíblico sobre tal questão. Jacó teve duas esposas legítimas, Lia e Raquel. Essas duas mulheres representam duas igrejas, que, naturalmente, queriam crescer, dar frutos, ter filhos.  No entanto, a Bíblia mostra que essa questão não está sob o controle humano, mas estritamente sob a soberania de Deus.  “Vendo o Senhor que Lia era desprezada, fê-la fecunda; ao passo que Raquel era estéril.” (Gn. 29:31). A igreja chamada Lia começou a crescer, de sorte que ela teve quatro filhos.  Na sequência, como se, de propósito, Deus quisesse mostrar a sua soberania, a Bíblia registra: “e cessou de dar à luz.” (Gn. 29:35b). A igreja parou de crescer sem motivo aparente. Não diz que Lia caiu em pecado, ou coisa semelhante. Simplesmente parou de crescer.  A outra igreja chamada Raquel, vendo o crescimento de sua irmã, ficou com ciúme ou inveja. Será que isso acontece hoje? Ficou desesperada a ponto de dizer a seu marido “Dá-me filhos, senão morrerei.” (Gn. 30:1). Então resolveu usar de meios fraudulentos, pois Sara, sua antepassada, já havia feito isso (o exemplo arrasta), e deu sua escrava  Bila para se deitar com Jacó. Mas filho de escrava(o) é escravo, é  a lei espiritual ( a lei do ventre livre só funciona no mundo natural). 

                 Será que tem alguém usando de meios fraudulentos para fazer sua igreja crescer, embora esse crescimento gere filhos não livres?  Bem, Bila deu dois filhos a Jacó, que, supostamente,  seriam da igreja Raquel. Mas a igreja Lia ainda era maior, quatro para dois. Mas o desejo por crescimento pode ser irracional, e Lia desejou retomar o seu crescimento, imitando o comportamento de Raquel (o exemplo arrasta). Deu sua escrava Zilpa a Jacó, que teve dois filhos com ela. Diz o ditado popular que essas igrejas não estavam crescendo, mas inchando. Agora a igreja de Lia tinha seis discípulos, enquanto que a de Raquel tinha dois. Em seguida Lia compra de Raquel o direito de se deitar com Jacó, e tem mais dois filhos com ele. Isso é prostituir o ministério, pois quem recebe pagamento para fazer sexo, é prostituta. Será que tem alguém prostituindo o ministério, por causa da obsessão por crescimento? Mas estamos procurando na Escritura os fatores do verdadeiro crescimento. Então, vamos a eles. 

                Em primeiro lugar, é necessário que haja intimidade, pois Lia disse “Esta noite me possuirás, pois eu te aluguei pelas mandrágoras de meu filho.” (Gn. 30:16). (A palavra “noite”dá um indicativo do horário da intimidade). Intimidade, no sentido espiritual é oração, pois a Bíblia diz “Ouviu Deus a Lia: ela concebeu e deu à luz o quinto filho.” (Gn. 30:17). E ainda “Lembrou-se Deus de Raquel, ouviu-a e a fez fecunda.”(Gn. 30:22). Deus ouviu tanto a oração de Lia quanto a de Raquel, mas Ele decidiu a hora de responder. Outra Escritura diz: “Ora, Isaque orou insistentemente ao Senhor por sua mulher, porque ela era estéril; e o Senhor lhe ouviu as orações, e Rebeca, sua mulher, concebeu.” (Gn.25:21). Isaque orou vinte anos. 

                Então, o caminho do crescimento da igreja é ter intimidade, por meio da oração, e deixar Deus ser Deus, deixando que exerça sua soberania, quando quiser dar o crescicmento. Lia começou tendo filhos, depois parou, e depois, começou a ter filhos novamente. Mas foi Deus quem decidiu o tempo de dar, o tempo de parar, e o tempo de recomeçar o crescimento. Evitaríamos muito sofrimento, opressão e frustração, se fizéssemos a nossa parte, e deixássemos Deus fazer a dele.

quinta-feira, 19 de março de 2015

A OBSESSÃO POR CRESCIMENTO


OBSESSÃO, s.f. Importunação; inpertinência; perseguição: vexação; (fig.) idéia fixa; preocupação contínua. (Do lat. Obsessione.)

Tenho lido e ouvido, de várias fontes diferentes, que a igreja brasileira está com uma série de problemas, e que não está traduzindo para a nação, a influência positiva de alegados 50.000.000 (cinqüenta milhões) de evangélicos, e que não está sendo sal nem luz, no Brasil. Como evangélico brasileiro, eu me pergunto, onde foi que erramos? II Cr. 7:14 diz:
” Se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, e orar, e me buscar, e se converter dos seus maus caminhos, então, eu ouvirei dos céus, perdoarei os seus pecados e sararei a sua terra.” 
A chave desse texto é “se converter dos seus maus caminhos”, que Deus chama de “pecados” (perdoarei os seus pecados). Isto foi escrito para a nação de Israel, num determinado contexto, mas pode ser aplicado à igreja, já que esta é o povo de Deus, no N.T., “povo de propriedade exclusiva de Deus” (I Pd. 2:9). Quais são os maus caminhos, pecados, da igreja brasileira? Temos de saber, pois não podemos nos converter dos nossos maus  caminhos, se não soubermos quais são. Pode ser que tenha muitos outros maus caminhos, mas quero compartilhar um, que pode ser um equívoco, mas de boas intenções...

De repente, começou um frenesi por crescimento, que se tornou uma febre, uma verdadeira obsessão. Foram estabelecidas metas para crescimento, e pastores que não conseguem crescer a sua igreja, ficam envergonhados, e são acusados de estarem em pecado. Vamos deixar claro uma coisa: o crescimento é bom, e Deus quer o crescimento. Na verdade, a ênfase maior da Bíblia é na multiplicação, que é para os lados, e o crescimento é mais para cima, como na torre de Babel. 

Só que, como geralmente acontece, temos de fazer a obra de Deus, da maneira de Deus, do contrário, se fizermos da nossa maneira, é desobediência, e Deus não vai aceitar. Deus quer o crescimento e a multiplicação, mas da maneira dele, e essa maneira está na Escritura. Observei que no N.T. não há nenhuma cobrança aos líderes, nem à igreja, sobre o crescimento ou a multiplicação. Mas há muita cobrança, tanto para os líderes, quanto para a igreja, da qualidade de vida cristã, que se está vivendo. Para os líderes, a primeira qualidade é que sejam “irrepreensíveis” (I Tm. 3:2 e Tt. 1:6) e para a igreja é que sejam “santos” “sede santos, porque eu sou santo” (I Pd. 1:16), e “Pois esta é a vontade de Deus: a vossa santificação, que vos abstenhais da prostituição; que cada um de vós saiba possuir o próprio corpo em santificação e honra...porquanto Deus não nos chamou para a impureza, e sim para a santificação.” (I Ts. 4:3,4,7). 

Até mesmo os textos que falam de crescimento ou de multiplicação, não atribuem responsabilidade direta, nem o mérito direto, ao homem, mas a uma ação de Deus. Em Atos 2:47b “Enquanto isso, acrescentava-lhes o Senhor, dia a dia, os que iam sendo salvos.” A expressão “enquanto isso” dá a entender que a igreja fazia uma coisa num lugar, e Deus fazia outra coisa, em outro. É como se Deus dissesse “cuida das minhas coisas, que eu cuido da tuas”.  Ou seja, a responsabilidade do homem é obedecer ao que Deus mandou, e o resultado é da responsabilidade de Deus. At. 2:42-47 mostra o estilo de vida da igreja primitiva. Esta era a responsabilidade deles. E como eles estavam vivendo da maneira que Deus mandou, Deus mesmo produzia o crescimento. Isto é fé. E Deus está no controle, e mantém a sua soberania. No momento em que a responsabilidade do crescimento passa para a mão do homem, ele descarta as ordens de Deus,e passa a adotar sua própria estratégia, que é geralmente botando pressão em quem está abaixo dele,na hierarquia da igreja. 

Isto tem gerado stress e opressão sobre o povo de Deus. É pressão que deve ser colocada é para que todos sejam santos, é a qualidade, e não a quantidade. Esta obsessão por crescimento tem produzido algumas conseqüências, quais sejam: 
1. Tornou larga a porta da salvação, facilitando o acesso das pessoas à igreja, diluindo o Evangelho, a tornando a igreja parecida com o mundo, a fim de que os pecadores possam se sentir à vontade nela, contrariando o ensino de Jesus em Mt.7:13 e 14; 2. Comprometeu a qualidade em favor da quantidade, e adotou a filosofia de que os fins justificam os meios, e pode estar enchendo a igreja de pessoas não convertidas, como aconteceu na época do imperador Constantino -325 d.C. – quando os pagão foram batizados em grande número, e tudo indica que a motivação do rei era política; 3. Tirou a soberania das mãos de Deus, pois já que é o homem quem produz o crescimento, a glória também é dele, e não de Deus. Jesus deu três ordens à igreja, na Grande Comissão, por meio dos apóstolos: 1. Ide por todo o mundo; 2. Pregai o Evangelho a toda criatura; 3. Fazei discípulos de todas as nações. Nós podemos ter falhado aqui, na primeira ordem de Jesus. Em vez de ir por todo o mundo, nós ficamos aqui mesmo, disputando para ver quem crescia mais, e adotamos uma coisa chamada de Redenção da nação. Jesus não mandou fazer a redenção da nação. A redenção das nações, inclusive de Israel,  só acontecerá quando Jesus voltar. Ir por todo o mundo é a obra missionária transcultural, aos povos não alcançados, e não ficar aqui tentando fazer a redenção da nação. A segunda ordem, depende da primeira, pois para pregar o Evangelho a toda a criatura, temos de ir por todo o mundo. Observe que se obedecemos as duas primeiras ordens de Jesus, isto ainda não garante o crescimento, pois podemos ir por todo o mundo e pregar o evangelho a toda criatura, e ninguém se converter, pois a conversão não é o homem quem produz, mas o espírito Santo.”Quando Ele vier, convencerá o mundo do pecado, da justiça e do juízo” (Jo.16:8). A terceira ordem de Jesus depende das duas primeiras, pois para fazer discípulos de todas as nações, temos de ir a elas, e pregar-lhes o Evangelho. 

Fazer discípulo não envolve o conceito de quantidade, mas de qualidade, pois só podemos discipular se Deus converter alguém. Assim como um casal não pode gerar um filho, mesmo que faça tudo o que deve, pois o nascimento de uma pessoa é um milagre de Deus, haja vista, o caso de Abraão e Sara. Só tiveram um filho quando Deus decidiu dar-lhes. Todavia, uma vez que o menino nasceu, é da responsabilidade do casal educá-lo. A igreja só pode discipular as pessoas que o Espírito Santo converter. Porém, temos visto que famílias estão educando mal os seus filhos, por adotarem as filosofias e psicologias mundanas, seculares, e anti-cristãs, desprezando a milenar orientação da Bíblia, e formando uma geração de pessoas, cada vez mais ímpias. Assim também a igreja pode discipular os que são convertidos, de uma maneira diferente daquela que a Bíblia orienta. Será que a igreja brasileira tem caído nesses maus caminhos? Se for o caso, temos de nos arrepender, e deixar os nossos maus caminhos, para que Deus ouça dos céus, perdoe os nossos pecados, e sare a nossa terra. 

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

MEGA IGREJA: CRSCIMENTO E MULTIPLICAÇÃO


Creio  que o crescimento da igreja tem um paralelo no crescimento da humanidade e no crescimento da nação de Israel. Deus começou com Adão, depois com Abraão, e depois com Jesus. Esses três personagens estão ligados.

1.       Adão. Deus disse para  Adão e Eva: “Sede fecundos (frutificai),  multiplicai-vos, enchei a terra e sujeitai-a”.  A palavra que se destaca é “multiplicar” e não aparece a palavra “crescer” aqui. Crescimento é diferente de multiplicar, pois crescimento é para cima, enquanto que multiplicação é para os lados, um é vertical e o outro e horizontal. É claro que a palavra “crescimento” vai aparecer em outros textos com o sentido horizontal, mas a idéia mais dominante é vertical. Adão e Eva não poderiam crescer pois já foram criados adultos, mas poderiam e deveriam se multiplicar, que é fazer muitas cópias de si mesmo. Caim e Abel foram cópias de Adão, e, pelo menos Caim,  constituiu família, que passou a ser uma cópia da família de seu pai. E assim a multiplicação da humanidade aconteceria, multiplicando pessoas e multiplicando famílias. Deus havia dito para Adão e Eva “enchei a terra” (Gn.1:28). Esse processo de multiplicação deveria continuar até encher toda a terra. Veja que o conceito de cidade começou com Caim “Caim edificou uma cidade e lhe chamou Enoque, o nome de seu filho” (Gn.4:17). Será que o modelo de uma igreja é uma cidade ou é uma família? Uma cidade é um conjunto de famílias reunidas? E um conjunto de igrejas reunidas é o quê? Uma mega igreja?  Depois do dilúvio Deus disse para Noé e seus filhos: “frutificai, e multiplicai-vos, e enchei a terra” (Gn.9:1). Deus repete o mesmo mandamento que havia dado a Adão e Eva. E novamente a palavra que se destaca é “multiplicar, ” e não “crescer”. Mais adiante aparece um homem chamado Ninrode “Cuxe gerou a Ninrode,o qual começou a ser poderoso na terra”. (Gn.10:8). “O princípio do seu reino foi Babel” (v.10). Ninrode significa “ele se rebelou” e foi o líder da rebelião da torre de Babel. Eles disseram “Vinde, edifiquemos  para nós uma cidade e uma torre ...para que não sejamos espalhados por toda a terra.” Deus havia dito para se espalhar, e eles disseram “não iremos nos espalhar como Deus quer”. Veja que o que começou com uma família no Éden, evoluiu para a cidade de Caim, depois a cidade de Ninrode, e agora aparece o conceito de reino “O princípio do seu reino foi Babel” (Gn.10:10). Babel é a famosa cidade de Babilônia. “Babilônia, a jóias dos reinos, glória e orgulho dos caldeus, será como Sodoma e Gomorra, quando Deus as transtornou.” (Is.13:19). A concentração de pessoas numa cidade ou numa igreja gera dois fatores: poder financeiro e poder político, que é o domínio. Também demanda uma mega estrutura, que exige muito dinheiro para manter. Sobre “domínio” é bom lembrar que Deus disse para Adão e Eva “dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus e sobre todo animal que rasteja pela terra.” (Gn.1:28). Não mandou dominar pessoas, mas animais. É interessante que Jesus disse “Sabeis que os governadores dos povos os dominam e que os maiorais exercem autoridade sobre eles. Não é assim entre vós; pelo contrário, quem quiser tornar-se grande entre vós, será esse o que vos sirva.” (Mt.20:25,26). Pedro disse aos presbíteros “ pastoreai o rebanho de Deus...não como tendo domínio sobre os que vos foram confiados, antes, tornando-vos modelos do rebanho.” (I Pd.5:1-3).

2.       Abraão. Deus mandou Abrão sair da terra Dos caldeus e ir para uma terra que lhe mostraria. Disse-lhe “de ti farei uma grande nação”. (Gn.12:2). Agora não era o planeta todo, mas uma terra delimitada que seria ocupada, a terra de Canaã. No Egito, outra terra delimitada, os filhos de Abraão começaram o ver o cumprimento da promessa de Deus. Para Adão Deus deu uma ordem, para Abraão fez uma promessa. “Mas os filhos de Israel frutificaram, aumentaram muito, e se multiplicaram, e grandemente se fortaleceram, de maneira que a terra se encheu deles.” (Ex.1:7). Deus havia dito para Adão e Eva “enchei a terra”, mas era o planeta terra. Agora os filhos de Abraão encheram a terra do Egito, uma nação, mas não a nação deles. Mais à frente é dito “Mas, quanto mais os afligiam, tanto mais se multiplicavam e tanto mais se espalhavam”.(Ex. 1:12). O que Deus havia mandado a Adão e Eva, os filhos de Abraão conseguiram, se multiplicavam e se espalhavam, mas debaixo de perseguição. Talvez seja por isso que a igreja de Jerusalém teve a mesma experiência. “Naquele dia, levantou-se grande perseguição contra a igreja em Jerusalém; e todos, exceto os apóstolos, foram dispersos pelas regiões da Judéia e da Samaria...As multidões atendiam, unânime, ao que Filipe dizia...se espalharam até a Fenícia, Chipre e Antioquia...A mão do Senhor estava com eles, e muitos, crendo, se converteram ao Senhor.” (At.8:1,6;11:19,21). No caso de Israel, Deus queria concentrar um povo numa terra específica, para que as nações viessem a ele. O auge desse reino foi Salomão, que pesou tributos exorbitantes sobre o povo, causando depois de sua morte a divisão do reino. O poder político o levou a casar com muitas mulheres estrangeiras que lhe perverteram o c oração.

3.       Jesus. Este disse “Ide por todo o mundo, e pregai o Evangelho a toda a criatura” e “Fazei discípulos de todas as nações”. (Mc. 16:15 e Mt.28:18-20). Os discípulos também tiveram dificuldade de se espalhar, pois preferiam se concentrar em Jerusalém. Na torre de Babel Deus castigou com a confusão das línguas, em Jerusalém com a perseguição, a fim de obrigá-los a se espalharem. “Ora, naqueles dias, multiplicando-se  o número dos discípulos...Crescia a palavra de Deus, e, em Jerusalém, se multiplicava o número dos discípulos”. (At.6;1,7). “o povo cresceu e se multiplicou no Egito” (At.7:17). “Entretanto, a palavra do Senhor crescia e se multiplicava.” (At.12:24). “Assim, a palavra do Senhor crescia e prevalecia poderosamente”. (At.19:20). Babilônia era uma grande cidade, assim como Roma se tornou também. A igreja de Roma assumiu a forma da cidade, que era uma mega cidade, e se tornou uma mega igreja. A igreja passou a ser desse mundo, e se tornou um reino terreno, contado entre os reinos da terra, na cidade do Vaticano. O pastor da igreja, passou a ser o papa, um monarca ou um rei como os das nações. A igreja evangélica, ou pelo menos parte dela, está caminhando a passos largos, pelo mesmo caminho, procurando poder político e poder financeiro, através do conceito de mega Igreja. O poder que a igreja deve almejar é o poder do Espírito Santo, que não é nem político, nem financeiro, mas suficiente para a igreja cumprir a missão de fazer discípulos de todas as nações. A igreja deve se focar em multiplicação, no sentido horizontal, e não em crescimento, no sentido vertical. Lembremos da torre de Babel.

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

A IGREJA EM CÉLULAS


“pois, quando Jezabel exterminou os profetas do Senhor, Obadias tomou cem profetas e os escondeu, cinqüenta numa caverna e cinqüenta em outra, e os sustentou com pão e água” (I Rs. 18:4). “E, tomando-os consigo (os apóstolos), (Jesus) retirou-se para um lugar deserto...Disse então aos seus discípulos: Fazei-os assentar em grupos de cinqüenta em cinqüenta...cinco pães e dois peixes...” (Lc. 9:10, 14, 16). “Procura homens capazes... e põe-nos por líderes de...cinquenta...” (Ex. 18:21).

Obadias quer dizer “Adorador de Jeová”, naturalmente em contraposição a “adorador de Baal”, como reza o contexto de Elias. Obadias escondeu cem profetas em duas cavernas, cinqüenta em cada, alimentando-os com pão e água. De repente percebi que isto são as células, pois esses profetas simbolizam os crentes do Novo Testamento, já que, de acordo com a teologia do Antigo Testamento, profeta é alguém em quem habita o Espírito de Deus. Moisés suspirou por esse dia quando disse “Oxalá que todo o povo do Senhor fosse profeta, que o Senhor lhes desse o seu Espírito!” (Nm. 11:29). Deus revelou esse tempo por intermédio do profeta Joel, quando disse: “E há de ser que depois, derramarei o meu Espírito sobre toda a carne, e vossos filhos e vossas filhas profetizarão, os vossos velhos terão sonhos, os vossos jovens terão visões.” (Jl.2:28). No dia de pentecostes começou esse tempo, pois, “todos foram cheios do Espírito Santo”, e todo o povo de Deus se caracterizaria por ser habitação do Espírito de Deus, cada um. Então, os profetas que Obadias escondeu, representavam os futuros discípulos, que debaixo de perseguição, seriam alimentados em lugares escondidos. O alimento que lhes foi dado, pão e água, símbolo do alimento do corpo,  pode ser transformado em alimento do espírito, que é a palavra de Deus. Então, as células são uma estratégia de Deus, para que a igreja sobreviva em um ambiente de perseguição. Alguém poderá argumentar que as células deverão ter doze, quinze, ou vinte pessoas, no máximo. Mas esse é o pensamento humano, e de determinados contextos, mas a palavra de Deus prevalece, e nada impede que a célula tenha um número maior de pessoas. Outro argumento que alguém pode usar, é o de que a célula não é para alimentar o povo de Deus, mas somente para evangelizar. É outro argumento circunstancial, pois Atos declara “E todos os dias, no templo e nas casas, não cessavam de ensinar, e de anunciar a Jesus Cristo.” (At. 5:42). No original “didáskontes”, ensinar, é o alimento espiritual para o povo de Deus, e “euaggelizómenoi”, anunciar, evangelizar, é a palavra evangelística, de todo o povo de Deus, para os descrentes, diferente de Kerygma, que é a mensagem autorizada de um arauto do rei, ou seja, o ministério de liderança ministerial, como apóstolo, profeta, evangelista, pastor, mestre, e até mesmo um diákono ordenado como Filipe (At. 8:5).

No caso de Lucas 9:10-17, Jesus tem consigo, sem contar os doze, as mulheres e crianças, cinco mil homens. Era uma mega igreja. Para efeito de ensino, vamos lidar somente com os homens, quase cinco mil. Dividindo cinco mil por cinqüenta, teremos cem células de cinqüenta homens cada. Foi Jesus quem mandou que a multidão fosse organizada em grupos de cinqüenta. Qual é o pastor que não gostaria de ter uma igreja de cem células, de cinqüenta pessoas em cada? Se estivéssemos interessados em exibir números, para mostrar a nossa perfórmance ministerial, poderíamos diminuir o número de pessoas em cada célula para dez, quem sabe? Aí teríamos aumentado em cinco vezes o número de células, ficando quinhentas em vez de cem. Mas o exemplo de Jesus nos constrange, pois ele adotou neste caso, cinqüenta em cada grupo. Temos de considerar também, que os doze apóstolos ficaram com a responsabilidade de alimentar toda a multidão, ficando cada um deles responsável por menos de dez grupos, talvez oito ou nove grupos de cinqüenta cada. Isto é organização. Tem de ter uma liderança encarregada de alimentar o rebanho. Mas a maneira de alimentar é de cunho sobrenatural, e não natural, como alguns discípulos sugeriram. Jesus multiplicou os alimentos que lhe foram entregues, e os líderes receberam de suas mãos, para alimentar o rebanho. Esse contexto é de deserto, mas também de escassez, que normalmente caracteriza o deserto. Não é esse muitas vezes o contexto da igreja?

Veja que o grupo de cinqüenta pessoas reunidas aparece no caso de Obadias, no caso de Jesus, mas também no caso de Moisés, em êxodo 18. É claro que no caso de Moisés, o conselho de Jetro, seu sogro, inclui líderes de mil, de cem, e de dez, além  de líderes de cinqüenta. No caso de Obadias e de Jesus, está em foco o alimento, mas no caso de Moisés é a justiça, e a administração do povo. Mais de seiscentos mil homens, além de mulheres e criança, era o povo de Moisés, e ele se afadigava, em julgar os problemas do povo. Alguém já disse que as células são a simplificação da estrutura eclesiástica. Com as células, o líder tira de suas costas um fardo, e reparte a responsabilidade e a autoridade com o povo. Todo o povo de Deus é profeta no Novo Testamento, e, por isso mesmo, é também responsável pela realização da tarefa de apascenta-los. No caso de Moisés, o contexto também é de deserto, onde tudo deve ser administrado com escassez. Mas, assim como o maná caía todos os  dias, para alimentar o povo, Deus proverá o nosso maná espiritual, todos os dias. Porém, temos de organizar o povo em pequenas unidades, as células, sejam elas de que tamanho forem, para alimentá-las e protegê-las, em caso de perseguição, como Obadias também fez.