segunda-feira, 21 de setembro de 2015

O SUBSTITUTO DE JUDAS


               Embora haja outros apóstolos além dos doze originais (“Porém, ouvindo isto, os apóstolos Barnabé e Paulo...”)(At. 14:14), os doze de Jesus são um grupo especial, pois seus nomes aparecem nos doze fundamentos da muralha da nova Jerusalém, assim como os nomes dos doze patriarcas aparecem nas doze portas da mesma cidade. 

               Qual será o nome que está lá no lugar do de Judas? Eu creio que é o do apóstolo Paulo. O fato de Pedro ter providenciado o substituto de Judas por sorteio, nada significa, pois foi como se dissesse “se der cara é José, se der coroa é Matias”. Deus não teve nada a ver com isso. Foi excesso de iniciativa de Pedro. Devia ter esperado por Jesus, pois assim como Ele escolheu pessoalmente cada um dos apóstolos, foi ao encontro de Saulo, no caminho de Damasco, e o convocou para ser apóstolo no lugar de Judas. 

                 Para entender a questão dos apóstolos, temos de lembrar da lei da primogenitura,  que permeia todo o Antigo Testamento. O filho mais velho era o primogênito e tinha direito à porção dobrada da herança, além de ter a autoridade da liderança. O filho mais novo era o oposto do primogênito, por assim dizer, era o último que falava e o primeiro que apanhava. 

          Porém, várias vezes essa lógica foi mudada, pois Eliabe era o primogênito de Jessé, mas foi Davi, o mais novo, quem se tornou rei. Esaú era o primogênito de Isaque, mas foi Jacó, o mais novo, quem herdou a Bênção. Rúben era o primogênito de Jacó, mas foi José, por meio de seu filho mais novo, Efraim, quem herdou a bênção, embora Manassés fosse o primogênito de José. (Gn. 48:14; I Cr. 5:1,2). 

                   O mesmo princípio é mantido no N.T. , pois sabemos que Pedro era o primogênito dos apóstolos. “Ora, os nomes dos doze apóstolos são estes: “Primeiro, Simão, por sobrenome Pedro...” (Mt.10:2). Na seqüência há uma hierarquia decrescente de ordem de autoridade espiritual. O mais novo, o último nome mencionado nessa lista é o de Judas, o de menor autoridade. É interessante que Paulo afirma a respeito de si mesmo “Porque eu sou o menor dos apóstolos...”(I Co. 15:9). “Menor” nesse caso é uma expressão técnica, e tem a ver com a lei da primogenitura e da menoridade, ensinadas no Antigo Testamento. Mas como no caso de Eliabe e Davi, o menor se tornou maior do que o primogênito, pois certamente Paulo foi maior do que Pedro, como apóstolo. 

              Na verdade, Jacó teve doze filhos de suas quatro mulheres, nos capítulos 29 e 30 de Gênesis. Só que havia um problema, um dos filhos era uma mulher, Diná, filha de Lia.(Gn. 30:21). Somente no capítulo 35 de Gênesis, nasce o décimo segundo filho de Jacó, muito tempo depois do nascimento de seus irmãos, e sua mãe morre desse parto. Agora esse Benjamin é o menor, enquanto Rúben é o primogênito de Jacó. É interessante que Paulo diz a respeito de si mesmo “depois de todos, foi visto também por mim, como por um nascido fora de tempo.” (I Co. 15:8). É interessante também que Paulo era da tribo de Benjamin, o menor dos filhos de Jacó. Rúben perdeu a primogenitura quando pecou, se deitou com Bila, concubina de seu pai. (Gn.35:22). 

                 Será que Pedro perdeu a primogenitura quando negou a Jesus, ou quando não creu na revelação que Deus lhe deu, de que os gentios estavam incluídos no Evangelho? (Mt. 26:66-75; At. 10; Gl.2:11, 12) “Quando, porém, Cefas veio a Antioquia,  resisti-lhe na cara, porque era repreensível. Com efeito,  antes de chegarem alguns da parte de Tiago, comia com os gentios; quando, porém, chegaram, afastou-se e, por fim, veio a apartar-se, temendo os da circuncisão.” Paulo é o substituto de Judas, e seu nome está em um dos fundamentos da muralha da nova Jerusalém, não se fala mais de Matias. 

sexta-feira, 18 de setembro de 2015

O CRESCIMENTO DA IGREJA NA TEOLOGIA PAULINA


          Toda a Bíblia, e Paulo, em particular, usam, recorrentemente,  a figura da construção e a da plantação. O crescimento da  construção é algo que o homem faz, e o crescimento da plantação  é algo que Deus faz. 

“Eu plantei, Apolo regou;  mas o crescimento veio de Deus. De modo que nem o que planta é alguma coisa, nem o que rega, mas Deus, que dá o crescimento. Ora, o que planta e o que rega são um; e cada um receberá o seu galardão, segundo o seu próprio trabalho. Porque de Deus somos cooperadores; lavoura de Deus, edifício de Deus sois vós.” (I Co. 3:6-9). 

“Porque , assim como descem a chuva e a neve dos céus e para lá não tornam, sem que primeiro reguem a terra, e a fecundem, e a façam brotar, para dar semente ao semeador e pão ao que come, assim será a palavra que sair da minha boca: não voltará para mim vazia, mas fará o que me apraz e prosperará naquilo para que a designei” (Is. 55:10,11). 

          O profeta Ageu escreve “Por isso, os céus sobre vós retém o seu orvalho, e a terra, os seus frutos. Fiz vir a seca sobre a terra e sobre os montes; sobre o cereal, sobre o vinho, sobre o azeite e sobre o que a terra produz, como também sobre os homens, sobre os animais e sobre todo o trabalho das mãos...Já não há semente no celeiro. Além disso, a videira, a figueira, a romeira e a oliveira não têm dado do seus frutos; mas, desde este dia, vos abençoarei.” (Ag. 1:10,11; 2:19). A parte do homem foi que Paulo plantou e Apolo regou, e a parte de Deus foi dar o crescimento, mas, como vemos em Ageu, para Deus dar o crescimento, Ele tem critérios. O trabalho de Paulo, plantar, é o semear,ou lançar a semente à  terra. Literalmente, é o trabalho evangelístico, realizado pelo Evangelista(Ef.4:11), ou pelo pregador, Kêrix, de kerigma(II Tm.1:11). 

       Jesus também realizava este serviço, como Mateus registra “Percorria Jesus toda a Galiléia...pregando (Kerýssom)o evangelho do reino”(Mt.4:23). O trabalho de Apolo, regar, era o ensino da Palavra de Deus para os crentes, como Paulo ensinou a Timóteo “Até à minha chegada, aplica-te à leitura, à exortação, ao ensino”(I Tm.4:13). A pregação, o plantar, se destina aos de fora da igreja, enquanto que o regar, o ensino, se destina aos de dentro, aos crentes. Claro que não se deve plantar nem regar de qualquer  jeito, pois Deus orienta o seguinte “Lavrai para vós outros campo novo e não semeeis entre espinhos”(Jr. 4:3).  Na parábola do semeador (Mt.13) nem toda semeadura deu fruto, pois dependia da qualidade do solo. Voltando ao profeta Ageu, os judeus plantaram, regaram, mas não houve crescimento, pois este dependia de cair a chuva do céu, que era a parte de Deus. Vemos por todo o Antigo Testamento, que quando Deus se aborrecia, por causa da desobediência do povo, Ele retinha a chuva, e não havia fruto da terra. 

            A chuva espiritual que Deus manda do céu para fazer a igreja dar fruto e crescer, é o derramar do Espírito Santo, como aconteceu no dia de Pentecoste. “Exaltado, pois, à destra de Deus, tendo recebido do Pai a promessa do Espírito Santo, derramou isto que vedes e ouvis.”(At.2:33).  A igreja deve plantar (evangelizar) com qualidade, e regar (ensinar a palavra de Deus à igreja) com qualidade, e orar para que Deus mande a chuva do Espírito Santo. “Tendo eles orado, tremeu o lugar onde estavam reunidos; todos ficaram cheios do Espírito Santo e, com intrepidez, anunciavam a palavra de Deus.”(At. 4:31).

O CRESCIMENTO NA IGREJA PRIMITIVA


          O modelo inspirado para a igreja de todos os tempos é a igreja Primitiva. Por isso é importante ver como ela crescia. Em Gn. 30:24, depois de ter o seu primeiro filho, Raquel disse: “Acrescente-me o Senhor ainda outro filho” , e em Atos 2:47b está escrito: “Enquanto isso, acrescenta-lhes o Senhor, dia a dia, os que iam sendo salvos.”  Tanto dar filhos a Raquel, quanto promover o crescimento da igreja, eram prerrogativas de Deus. “Enquanto isso” significa que a igreja primitiva fazia algumas coisas, enquanto Deus fazia outras. Diz o ditado evangélico, que aquilo que o homem pode fazer, Deus não faz. E a recíproca é verdadeira,  aquilo que o homem não pode fazer, Deus faz. Dentre as coisas que o homem não pode fazer, está gerar filhos para Deus. Por isso João escreve”os quais não nasceram do sangue,  nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus.” (Jo. 1:13). Mas, enquanto Deus acrescentava filhos à igreja, esta fazia a sua parte, que consistia no seguinte:

1.       “E perseveravam na doutrina dos apóstolos” – At. 2:42 – doutrina é DIDAKÊ, que significa ensino, e que os apóstolos praticavam, seguindo o exemplo de Jesus. “Tendo ouvido isto, logo ao romper do dia, entraram no templo e ensinavam.” (At. 5:21). “Tendo Jesus chegado ao templo, estando já ensinando...” (Mt. 21:23). Paulo orienta a Timóteo “prega a palavra, insta, quer seja oportuno, quer não, corrige, repreende, exorta, com toda a longanimidade e doutrina.” Mas só faremos isso se confiarmos na eficácia da Palavra de Deus, para promover a saúde da igreja, para que Deus possa dar o crescimento.

2.       E perseveravam “na comunhão” -  At. 2:42 – comunhão é KOINONÍA, que tem a ver com o resultado de uma aliança de casamento, em que todas as coisas se tornam comum.  É uma lei espiritual que quando fazemos aliança com alguém, seja com Deus, seja com outro ser humano, o que é nosso passa a ser dele, e o que é dele passa a ser nosso. Por isso Paulo escreveu “A mulher não tem autoridade sobre o seu próprio corpo,  e sim, o marido; e também, semelhantemente, o marido não tem autoridade sobre o seu próprio corpo, e sim a mulher.” (I Co. 7:4). E “Todos os que creram estavam juntos e tinham tudo em comum.” (At. 2:44).

3.       “No partir do pão”  -  At. 2:42 – tem a ver com a Ceia do Senhor, mas também com o fato de que os membros de uma família comem juntos, e que a igreja é a família de Deus, e os crentes são seus filhos. Quando José se encontra com seus irmãos, os egípcios não participam da refeição “porque aos egípcios não lhes era lícito comer  pão com os hebreus porquanto é isso abominação para os egípcios.” (Gn. 43:32).

4.       E perseveravam “nas orações” – At.2:42 – eles oravam juntos como em Atos 1:14 “Todos  estes perseveravam unânimes  em oração, com as mulheres, com Maria, mãe de Jesus, e com os irmãos dele.” Ou seja, toda a família de Jesus estava junta orando. O que eles pediam na oração está revelado em At. 4:29,30 “agora, Senhor, olha para as sua ameaças e concede aos teus servos que anunciem com toda a intrepidez a tua palavra, enquanto estendes a mão para fazer curas, sinais e prodígios por intermédio do nome do teu santo Servo Jesus.”  O resultado da oração foi que ficaram cheios do Espírito Santo, de novo, e receberam coragem para anunciar a palavra de Deus.

5.       “Louvando a Deus” – At. 2:47 – louvar é cantar, diferente de adorar, que significa servir a Deus na área do dom que recebeu, inclusive no cântico e na música. Os músicos são louvadores, porque adoradores somos todos nós.

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

CRESCICMENTO DA IGREJA E A SOBERANIA DE DEUS


          Estamos numa época em que há uma verdadeira obsessão pelo crescimento da igreja. Os motivos de cada um só Deus pode julgar. Está na moda e na cultura moderna, e a tendência da igreja é agir de maneira irracional, sem perguntar o que diz a Bíblia sobre tal atitude.  

                 Porém,    vamos usar,  de novo,  a alegoria da família de Jacó, para ter um equilíbrio bíblico sobre tal questão. Jacó teve duas esposas legítimas, Lia e Raquel. Essas duas mulheres representam duas igrejas, que, naturalmente, queriam crescer, dar frutos, ter filhos.  No entanto, a Bíblia mostra que essa questão não está sob o controle humano, mas estritamente sob a soberania de Deus.  “Vendo o Senhor que Lia era desprezada, fê-la fecunda; ao passo que Raquel era estéril.” (Gn. 29:31). A igreja chamada Lia começou a crescer, de sorte que ela teve quatro filhos.  Na sequência, como se, de propósito, Deus quisesse mostrar a sua soberania, a Bíblia registra: “e cessou de dar à luz.” (Gn. 29:35b). A igreja parou de crescer sem motivo aparente. Não diz que Lia caiu em pecado, ou coisa semelhante. Simplesmente parou de crescer.  A outra igreja chamada Raquel, vendo o crescimento de sua irmã, ficou com ciúme ou inveja. Será que isso acontece hoje? Ficou desesperada a ponto de dizer a seu marido “Dá-me filhos, senão morrerei.” (Gn. 30:1). Então resolveu usar de meios fraudulentos, pois Sara, sua antepassada, já havia feito isso (o exemplo arrasta), e deu sua escrava  Bila para se deitar com Jacó. Mas filho de escrava(o) é escravo, é  a lei espiritual ( a lei do ventre livre só funciona no mundo natural). 

                 Será que tem alguém usando de meios fraudulentos para fazer sua igreja crescer, embora esse crescimento gere filhos não livres?  Bem, Bila deu dois filhos a Jacó, que, supostamente,  seriam da igreja Raquel. Mas a igreja Lia ainda era maior, quatro para dois. Mas o desejo por crescimento pode ser irracional, e Lia desejou retomar o seu crescimento, imitando o comportamento de Raquel (o exemplo arrasta). Deu sua escrava Zilpa a Jacó, que teve dois filhos com ela. Diz o ditado popular que essas igrejas não estavam crescendo, mas inchando. Agora a igreja de Lia tinha seis discípulos, enquanto que a de Raquel tinha dois. Em seguida Lia compra de Raquel o direito de se deitar com Jacó, e tem mais dois filhos com ele. Isso é prostituir o ministério, pois quem recebe pagamento para fazer sexo, é prostituta. Será que tem alguém prostituindo o ministério, por causa da obsessão por crescimento? Mas estamos procurando na Escritura os fatores do verdadeiro crescimento. Então, vamos a eles. 

                Em primeiro lugar, é necessário que haja intimidade, pois Lia disse “Esta noite me possuirás, pois eu te aluguei pelas mandrágoras de meu filho.” (Gn. 30:16). (A palavra “noite”dá um indicativo do horário da intimidade). Intimidade, no sentido espiritual é oração, pois a Bíblia diz “Ouviu Deus a Lia: ela concebeu e deu à luz o quinto filho.” (Gn. 30:17). E ainda “Lembrou-se Deus de Raquel, ouviu-a e a fez fecunda.”(Gn. 30:22). Deus ouviu tanto a oração de Lia quanto a de Raquel, mas Ele decidiu a hora de responder. Outra Escritura diz: “Ora, Isaque orou insistentemente ao Senhor por sua mulher, porque ela era estéril; e o Senhor lhe ouviu as orações, e Rebeca, sua mulher, concebeu.” (Gn.25:21). Isaque orou vinte anos. 

                Então, o caminho do crescimento da igreja é ter intimidade, por meio da oração, e deixar Deus ser Deus, deixando que exerça sua soberania, quando quiser dar o crescicmento. Lia começou tendo filhos, depois parou, e depois, começou a ter filhos novamente. Mas foi Deus quem decidiu o tempo de dar, o tempo de parar, e o tempo de recomeçar o crescimento. Evitaríamos muito sofrimento, opressão e frustração, se fizéssemos a nossa parte, e deixássemos Deus fazer a dele.

terça-feira, 15 de setembro de 2015

UMA ALEGORIA DA IGREJA

              Paulo escreve que Sara e Agar são uma alegoria de duas alianças. Sara é a esposa legítima, mulher livre,  que gera filhos legítimos e livres, que é a Jerusalém celestial, ou a igreja. Agar é a concubina, mulher escrava, que gera filhos para a escravidão, Ismael, e que representa os judeus segundo a carne. (Gl.4:21-31).

                 Na mesma linha de pensamento, eu vou aplicar o mesmo princípio à família de Jacó. Jacó gerou doze filhos, que são as colunas da nação de Israel, assim como Jesus adotou doze discípulos, os apóstolos, que são as colunas da igreja. O detalhe é que Jacó gerou doze filhos a a partir de quatro mulheres. Duas mulheres livres, esposas legítimas, Raquel e Lia, aliançadas, e duas mulheres escravas, Zilpa e Bila, servas de Lia e Raquel, respectivamente. Lia ou Léia significa “vaca brava” ou “vaca selvagem”, no hebraico, enquanto que Raquel significa “ovelha”, Deus revelando algo da natureza de cada uma.  Zilpa significa “gota”, no hebraico, enquanto que Bila significa “terna” ou “modesta”.  Lia, a filha mais velha, tinha os olhos enfermos ou baços, enquanto que Raquel, a filha mais nova, era formosa de porte e de semblante. Jacó amava Raquel.

         Essas mulheres são uma alegoria, sendo que Lia representa a humanidade, a mais velha, que é espiritualmente cega. Raquel  representa Israel, descendentes de Abraão, a mais nova. Inicialmente Jacó não amava Lia, mas Raquel, sendo que Lia casou com Jacó, por meio do amor de Jacó por Raquel.  Paulo diz que Israel é a verdadeira Oliveira, sendo que os gentios foram enxertados, no tronco da igreja que, que é originalmente judaica. Porém as duas mulheres são esposas legítimas de Jacó, sendo que Lia deu a Jacó seis filhos, enquanto que Raquel deu dois. Porém, os dois filhos de Raquel (que feras) José e Benjamin. Assim como Jacó amava Raquel – Gn. 29:18 – também amava José “Ora, Israel amava mais a José que a todos os seus filhos” – Gn. 37:3 – e depois da suposta morte de José, passou a amar Benjamin “e só ele ficou de sua mãe, e seu pai o ama” – Gn. 44:20b.

          Sabemos que José foi o mais perfeito tipo de Jesus do Antigo Testamento, e era filho de Raquel, a esposa amada, porque, segundo a carne, o Messias era judeu. É possível que a igreja gentílica tenha dado mais filhos para Deus, do que e igreja judaica, mas não podemos esquecer que os nossos pais, Paulo, Pedro, e os demais apóstolos, eram judeus.  Mas, e as concubinas, Zilpa e Bila, elas também deram quatro filhos para Jacó. Então, um terço dos patriarcas eram filhos das concubinas, mulheres escravas, como Agar. Elas representam os que estão  na igreja, mas não são convertidos, tanto na igreja judaica, quanto na gentílica. Judas, Ananias e Safira, e tantos outros, e, sabe-se lá quantos na igreja de hoje estão perdidos. 

               Lute para ser um filho legítimo, que é liberto do pecado, pois Jesus disse “todo o que comete pecado é escravo do pecado” (Jo. 8:34),  e também “Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres” (Jo.8:36), e ainda está escrito “e lhe porás o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo dos pecados deles.” (Mt. 1:21).

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

A ESCADA DO CRISTÃO

         A metáfora da escada já fora usada na Escritura em Gn. 28:12 “E sonhou: Eis posta na terra uma escada cujo topo atingia o céu; e os anjos de Deus subiam e desciam por ela” no caso de Jacó. Há uma meta a ser atingida no topo da escada. Essa meta está declarada por Jesus em Mateus 5:48 “Portanto, sede vós perfeitos como  perfeito é o vosso Pai celeste.” Parece difícil, mas em Lucas 6:36 fica mais fácil “Sede misericordiosos, como também é misericordioso vosso Pai.”

          Imitar a Deus na sua natureza misericordiosa não parece tão difícil como na sua perfeição.  Jesus demonstrou isso na sua vida. Paulo reforça esse ensino ao dizer “Sede, pois , imitadores de Deus, como filhos amados” (Ef. 5:1). E Pedro diz que a nossa meta é sermos participantes da “natureza divina”(II Pd. 1:4), e nos mostra a escada que teremos de subir, degrau por degrau. 

       O primeiro degrau é a (II Pd.1:5).  Muitos ficam estacionados nesse primeiro degrau e nunca evoluem para os próximos. Mas o segundo é a Virtude, palavra que significa a excelência que um homem pode atingir na sua natureza humana. A vida de Jesus é o modelo dessa excelência, a medida da estatura do varão perfeito.  O terceiro degrau é o conhecimento. Conhecimento intelectual da Escritura, como diz Hebreus 5:12 
“Pois, com efeito, quando devíeis ser mestres, atendendo ao tempo decorrido, tendes, novamente, necessidade de alguém que vos ensine, de novo, quais são os princípios elementares dos oráculos de Deus; assim, vos tornastes como necessitados de leite e não de alimento sólido.” 
Alguns querem passar da fé para o conhecimento, ignorando a virtude, mas não deve, pois “o conhecimento ensoberbece, mas o amor edifica.” (I Co. 8:1). O quarto degrau é o Domínio Próprio, que é a capacidade de dizer não para as tentações,para os desejos da carne, que são pecaminosos. É fruto do Espírito Santo, como está em Gl. 5:22,23. Exige esforço, mas esse esforço é ajudado pelo Espírito Santo, que habita no crente. A perseverança é o quinto degrau, pois o esforço despendido no domínio próprio ensina o crente a não desistir diante das tentações e provações, mas continuar lutando. (II Pd. 1:6). A Piedade vem em seguida e significa a prática das disciplinas espirituais, como oração, jejum, esmolas (Mt. 6:2, 5, 16), e está para o espírito como o exercício físico está para o corpo. “Pois o exercício físico para pouco é proveitoso, mas a piedade para tudo é proveitosa, porque tem a promessa da vida que agora é e da que há de ser.” (I Tm. 4:8). O sétimo degrau é a fraternidade, FILADELFÍAN, amor aos irmãos, como está em Rm.12:10 “Amai-vos cordialmente uns aos outros com amor fraternal, preferindo-vos em honra uns aos outros.” E também em  I Jo. 3:17 “Ora, aquele que possuir recursos deste mundo, e vir a seu irmão padecer necessidade, e fechar-lhe o seu coração, como pode permanecer nele o amor de Deus?”

             O oitavo degrau é o amor Ágape, o sublime amor de Deus, que é capaz de amar os seus inimigos, e que deriva não de alguma qualidade que o objeto possa ter, como no caso do amor Eros, mas deriva da própria natureza do que ama, como no caso de Deus, que é Amor.(I Jo. 4:8,16). Suba esses degraus até o topo e você atingirá a meta que lhe está proposta, ser participante da natureza de Deus.

sábado, 12 de setembro de 2015

A MEDIDA DE DEUS


"porque não se encheu ainda a medida da iniquidade dos amorreus" Gn. 15:16b.
 
          Deus tem uma medida de iniquidade para cada nação, grupo de pessoas, e pessoa. Quando essa medida se enche, o juízo acontece. No caso dos amorreus, que era uma das nações cananéias, representativa dos povos cananeus, essa medida não estava ainda cheia, no tempo de Abrão e Abraão. Porém, no tempo de Josué essa medida já estava cheia, e Josué com o exército de Israel, foi o instrumento de Deus para executar o juízo. A terra de Canaã estava contaminada de ponta a ponta de iniquidade, através de espíritos imundos, que eram adorados por meio de representações físicas, esculpidas em madeira e em pedra, os chamados ídolos. 

       Aliás, iniquidade é sinônimo de pecado e transgressão, e não coisas diferentes, como tenho ouvidos alguns ensinarem. A iniquidade corrompe os bons costumes e a moral. O Novo Testamento toca nesse assunto ao dizer que os judeus encheram a sua medida de pecados. "de modo que enchem sempre a medida de seus pecados; mas a ira caíu sobre eles afinal" (I Ts. 2:16). 

          É o rabino Shaul quem diz que os pecados dos judeus daquela época foram: mataram o Senhor Jesus e os profetas, perseguiram os apóstolos, e impediram que o Evangelho fosse pregado aos gentios. Algum tipo de castigo sobreveio aos judeus daquela época, como retribuição de Deus, pelo enchimento da medida de seus pecados. O Brasil também é uma nação, e não sabemos se já encheu a medida de seus pecados, mas sabemos que se isso acontecer, um castigo nos sobrevirá, pois Deus não faz acepção de pessoa nem de nação. O mundo, planeta Terra, kosmo, também tem uma medida de iniquidade que se for cheia, trará o juízo de Deus sobre todo o mundo. Isso aconteceu com o mundo antediluviano, o mundo de Noé. Um tsunami de proporções globais assolou todo o mundo, sendo salva só a família de Noé, oito pessoas. Cada cidade tem uma medida de pecados, que, se for cheia, trará o juízo de Deus. É ocaso de Sodoma, Gomorra, Zeboim, Admá e Belá. Foi um juízo com fogo e morreram todos, menos Ló e suas duas filhas,porque eram da família de Abraão, o amigo de Deus. Cada pessoa tem uma medida de iniquidade, que se for cheia, trará juízo sobre si. É o caso de Herodes Agripa I, que foi ferido por um anjo de Deus, e morreu comido de vermes. (At. 12:23). Nós não temos controle sobre a cidade, sobre a nação, nem sobre o mundo, mas podemos controlar a nossa medida de iniquidade. Devemos vigiar para não deixá-la transbordar.

          Mas a recíproca também é verdadeira, Deus tem uma medida de obediência, que quando for cheia trará a bênção de Deus. No caso do casamento em Caná da Galiléia, Jesus deu três ordens, que quando foram obedecidas, a água foi transformada em vinho. (Jo. 2:1-12). As ordens que Jesus deu foram as seguintes: 1. Enchei de água as talhas; 2. Tirai agora; 3. Levai ao mestre-sala. A resposta dos servos a essas ordens foram: 1. E eles as encheram totalmente; 2. Tiraram imediatamente; 3, Levaram ao mestre-sala. Eles o fizeram. Depois disso, o milagre aconteceu, a água foi transformada em vinho. No caso do homem da mão ressequida aconteceu o mesmo. Jesus deu três ordens ao homem: 1. Levanta-te. 2. Vem para o meio. 3. Estende a mão. A respostas do homem foi: "Ele assim o fez, e mão lhe foi restaurada." (Lc.6:6-11). No caso dos dez leprosos que Jesus curou aconteceu o mesmo.Jesus deu um comando: "Ide e mostrai-vos aos sacerdotes. Aconteceu que, indo eles, foram purificados." (Lc. 17:14). 

                  Deus tem uma medida de pecados, que se for cheia, trará juízo; tem também uma medida de obediência, que, quando for cheia, trará uma bênção. Escolha você que medida irá encher. É causa e efeito.