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quarta-feira, 8 de outubro de 2014

O BATISMO É MESMO IMPORTANTE?


“Dou graças a Deus, porque a nenhum de vós batizei, senão a Crispo e a Gaio. Para que ninguém diga que fostes batizados em meu nome. E batizei também a família de Estéfanas; além destes, não sei se batizei algum outro. Porque Cristo enviou-me, não para batizar, mas para evangelizar; não em sabedoria de palavras, para que a cruz de Cristo não se faça vã.” (I Co. 1:14-17).

Paulo diz que Cristo não o enviou para batizar, mas para evangelizar (pregar o Evangelho). Vejamos na Grande Comissão de Marcos 16:15,16: 

“E disse-lhes: Ide por todo o mundo, pregai o Evangelho a toda a criatura. Quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado.” De fato, a ordem no imperativo é “Ide...pregai o Evangelho...”. 

As demais coisas não estão no imperativo, mas fica claro que quem será salvo é quem crer e for batizado. Quem não crer será condenado, porque se a pessoa não crer, ela não será batizada, pois o batismo é para quem já creu. Paulo disse que não foi enviado para batizar, porque o mais difícil é convencer pela pregação no Espírito. Batizar qualquer crente pode, pois não demanda a unção do Espírito Santo para convencer o pecador. Em Mateus 28:19,20 o único verbo no imperativo é “Fazei discípulos”, pois os demais estão no gerúndio “Indo, batizando, ensinando”. 

O que Jesus mandou os apóstolos fazer, foi discípulos, embora tenha indicado os meios de fazê-los, indo, batizando, ensinando. É claro que antes de batizar, a pregação do evangelho está implícita, pois só é batizado quem já creu, mediante a pregação do evangelho. Em Atos 10:42-48, Pedro diz 
“E nos mandou pregar ao povo, e testificar que ele é o que por Deus foi constituído juiz dos vivos e dos mortos...Respondeu então Pedro: Pode alguém porventura recusar água, para que não sejam batizados estes, que também receberam como nós o Espírito Santo? E mandou que fossem batizados em nome do Senhor. E rogaram-lhe que ficasse com eles por alguns dias.”  

Jesus mandou os apóstolos pregarem ao povo e testificar, e embora Pedro não tenha mencionado o batismo na ordem de Jesus, mandou que fossem batizados. Pedro cheio do Espírito, pregou o evangelho, convenceu os ouvintes, mas ele mesmo não batizou, pois mandou outros batizarem. O mesmo Pedro, no dia de Pentecostes disse 
“Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para perdão dos pecados, e recebereis o dom do Espírito Santo.” (At.2:38). 
Só Pedro pregou, mas duvido que ele tenha batizado sozinho quase três mil pessoas. E deixa claro, neste texto, que Deus nos salva por meio do batismo. Em Atos 18:8 
“E Crispo, principal da sinagoga, creu no Senhor com toda a sua casa; e muitos dos coríntios , ouvindo-o, creram  e foram batizados.” 
Na mesma igreja de Corinto, a quem Paulo disse que Cristo não o enviara para batizar, vemos os coríntios sendo batizados, depois da pregação de Paulo. Certamente não era Paulo quem batizava, mas os irmãos,  sob a supervisão de Paulo. Não que o batismo não seja importante, pois é a prova exterior da fé do coração,  que implica na salvação. Jesus também praticou esse conceito, pois João diz: 
“Depois disto foi Jesus com seus discípulos para a terra da Judéia; e estava ali com eles, e batizava. Ora, João batizava também em Enom, junto a Salim, porque havia ali muitas águas; e vinham ali, e eram batizados. E quando o Senhor entendeu que os fariseus tinham ouvido que Jesus fazia e batizava mais discípulos do que João (Ainda que Jesus mesmo não batizava, mas os seus discípulos), deixou a Judéia e foi outra vez para a Galiléia.” (Jo.3:22,23; 4:1-3). 

Batizar, qualquer crente pode, mas pregar e convencer, não é para qualquer um. Batizar alguém que já está rendido, conquistado, convencido, é fácil. O difícil é pregar e convencer o pecador do erro do seu pecado, demandando arrependimento. É por isso que Paulo disse que Jesus não o enviara para batizar, mas para pregar o Evangelho.

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

A IGREJA EM CÉLULAS


“pois, quando Jezabel exterminou os profetas do Senhor, Obadias tomou cem profetas e os escondeu, cinqüenta numa caverna e cinqüenta em outra, e os sustentou com pão e água” (I Rs. 18:4). “E, tomando-os consigo (os apóstolos), (Jesus) retirou-se para um lugar deserto...Disse então aos seus discípulos: Fazei-os assentar em grupos de cinqüenta em cinqüenta...cinco pães e dois peixes...” (Lc. 9:10, 14, 16). “Procura homens capazes... e põe-nos por líderes de...cinquenta...” (Ex. 18:21).

Obadias quer dizer “Adorador de Jeová”, naturalmente em contraposição a “adorador de Baal”, como reza o contexto de Elias. Obadias escondeu cem profetas em duas cavernas, cinqüenta em cada, alimentando-os com pão e água. De repente percebi que isto são as células, pois esses profetas simbolizam os crentes do Novo Testamento, já que, de acordo com a teologia do Antigo Testamento, profeta é alguém em quem habita o Espírito de Deus. Moisés suspirou por esse dia quando disse “Oxalá que todo o povo do Senhor fosse profeta, que o Senhor lhes desse o seu Espírito!” (Nm. 11:29). Deus revelou esse tempo por intermédio do profeta Joel, quando disse: “E há de ser que depois, derramarei o meu Espírito sobre toda a carne, e vossos filhos e vossas filhas profetizarão, os vossos velhos terão sonhos, os vossos jovens terão visões.” (Jl.2:28). No dia de pentecostes começou esse tempo, pois, “todos foram cheios do Espírito Santo”, e todo o povo de Deus se caracterizaria por ser habitação do Espírito de Deus, cada um. Então, os profetas que Obadias escondeu, representavam os futuros discípulos, que debaixo de perseguição, seriam alimentados em lugares escondidos. O alimento que lhes foi dado, pão e água, símbolo do alimento do corpo,  pode ser transformado em alimento do espírito, que é a palavra de Deus. Então, as células são uma estratégia de Deus, para que a igreja sobreviva em um ambiente de perseguição. Alguém poderá argumentar que as células deverão ter doze, quinze, ou vinte pessoas, no máximo. Mas esse é o pensamento humano, e de determinados contextos, mas a palavra de Deus prevalece, e nada impede que a célula tenha um número maior de pessoas. Outro argumento que alguém pode usar, é o de que a célula não é para alimentar o povo de Deus, mas somente para evangelizar. É outro argumento circunstancial, pois Atos declara “E todos os dias, no templo e nas casas, não cessavam de ensinar, e de anunciar a Jesus Cristo.” (At. 5:42). No original “didáskontes”, ensinar, é o alimento espiritual para o povo de Deus, e “euaggelizómenoi”, anunciar, evangelizar, é a palavra evangelística, de todo o povo de Deus, para os descrentes, diferente de Kerygma, que é a mensagem autorizada de um arauto do rei, ou seja, o ministério de liderança ministerial, como apóstolo, profeta, evangelista, pastor, mestre, e até mesmo um diákono ordenado como Filipe (At. 8:5).

No caso de Lucas 9:10-17, Jesus tem consigo, sem contar os doze, as mulheres e crianças, cinco mil homens. Era uma mega igreja. Para efeito de ensino, vamos lidar somente com os homens, quase cinco mil. Dividindo cinco mil por cinqüenta, teremos cem células de cinqüenta homens cada. Foi Jesus quem mandou que a multidão fosse organizada em grupos de cinqüenta. Qual é o pastor que não gostaria de ter uma igreja de cem células, de cinqüenta pessoas em cada? Se estivéssemos interessados em exibir números, para mostrar a nossa perfórmance ministerial, poderíamos diminuir o número de pessoas em cada célula para dez, quem sabe? Aí teríamos aumentado em cinco vezes o número de células, ficando quinhentas em vez de cem. Mas o exemplo de Jesus nos constrange, pois ele adotou neste caso, cinqüenta em cada grupo. Temos de considerar também, que os doze apóstolos ficaram com a responsabilidade de alimentar toda a multidão, ficando cada um deles responsável por menos de dez grupos, talvez oito ou nove grupos de cinqüenta cada. Isto é organização. Tem de ter uma liderança encarregada de alimentar o rebanho. Mas a maneira de alimentar é de cunho sobrenatural, e não natural, como alguns discípulos sugeriram. Jesus multiplicou os alimentos que lhe foram entregues, e os líderes receberam de suas mãos, para alimentar o rebanho. Esse contexto é de deserto, mas também de escassez, que normalmente caracteriza o deserto. Não é esse muitas vezes o contexto da igreja?

Veja que o grupo de cinqüenta pessoas reunidas aparece no caso de Obadias, no caso de Jesus, mas também no caso de Moisés, em êxodo 18. É claro que no caso de Moisés, o conselho de Jetro, seu sogro, inclui líderes de mil, de cem, e de dez, além  de líderes de cinqüenta. No caso de Obadias e de Jesus, está em foco o alimento, mas no caso de Moisés é a justiça, e a administração do povo. Mais de seiscentos mil homens, além de mulheres e criança, era o povo de Moisés, e ele se afadigava, em julgar os problemas do povo. Alguém já disse que as células são a simplificação da estrutura eclesiástica. Com as células, o líder tira de suas costas um fardo, e reparte a responsabilidade e a autoridade com o povo. Todo o povo de Deus é profeta no Novo Testamento, e, por isso mesmo, é também responsável pela realização da tarefa de apascenta-los. No caso de Moisés, o contexto também é de deserto, onde tudo deve ser administrado com escassez. Mas, assim como o maná caía todos os  dias, para alimentar o povo, Deus proverá o nosso maná espiritual, todos os dias. Porém, temos de organizar o povo em pequenas unidades, as células, sejam elas de que tamanho forem, para alimentá-las e protegê-las, em caso de perseguição, como Obadias também fez.

terça-feira, 5 de agosto de 2014

MOISÉS E JOSUÉ


Moisés liderou o povo de Israel durante quarenta anos no deserto. Josué liderou a partir de então, introduzindo o povo na terra prometida, e comandando todas as guerras de Canaã, sendo vitorioso em todas, até mesmo em Ai. O Novo Testamento diz que o Antigo Testamento contém “sombras das coisas futuras” (Cl.2:17) e “tendo a lei a sombra dos bens futuros” (Hb.10:1). Então, Moisés e Josué são figuras de Jesus e do Espírito Santo. 

Flávio Josefo diz que “Mo em língua egípcia significa água e isés preservado” isto é “salvo das águas”. É interessante que no N.T. Jesus diz que “aquele que não nascer da água (e do Espírito) não pode entrar no reino de Deus.” Moisés foi retirado das águas, dentro de um cesto calafetado, tendo simbolicamente nascido para a realeza, já que foi tirado pela filha de faraó. Ao Abrir o cesto, a filha de faraó, viu que o menino chorava, choro que caracteriza as crianças ao nascer. Moisés, depois de adulto, liderou o povo de Israel, tirando-o da escravidão egípcia. Jesus liderou o povo, libertando-o da escravidão a Satanás, através de sinais e maravilhas. “E não convinha soltar desta prisão, no dia de sábado, esta filha de Abraão, a qual há dezoito anos Satanás tinha presa?” (Lc. 13:16). Moisés liderou o povo durante quarenta anos no deserto, e Jesus passou quarenta dias no deserto, enfrentando as  tentações de Satanás. No deserto havia inimigos, mas não tantos. Moisés enfrentou dois gigantes no deserto, Ogue, rei de Basã, e Siom, rei dos amorreus. Os problemas do deserto não são inimigos pessoais, mas falta dágua e de alimento, além do calor excessivo de dia e frio congelante à noite. Mas a nuvem guiava o povo, fazendo sombra de dia, e iluminando o caminho à noite. Houve uma guerra no deserto contra os amalequitas, em que Josué comandou o povo na planície, e Moisés subiu ao monte. Moisés levantava as mãos no outeiro, e Josué com o povo prevalecia na planície. É um simbolismo antecipado, Moisés representando Jesus no céu, intercedendo por nós, e o Espírito Santo na terra, comandando a igreja na guerra contra Satanás. (Ex. 17:8-16). Moisés morreu antes de entrar na terra de Canaã, por causa do pecado do povo, pois “Indignaram-no também junto às águas da contenda, de sorte que sucedeu mal a Moisés, por causa deles; porque irritaram o seu espírito, de modo que falou imprudentemente com seus lábios.” Toda analogia, comparação, tipologia, metáfora, têm limites, e não deve ser levada às últimas conseqüências. É claro que Moisés pecou, ao desobedecer a Deus, por incredulidade, enquanto que Jesus não pecou, mas morreu também por causa dos pecados do povo.

Josué sucedeu a Moisés, assim como o Espírito Santo sucedeu a Jesus, na liderança do povo. Eu sei que alguns acham que Josué é uma figura de Jesus, porque o nome dele era, originalmente,  Oséias, filho de Num, mas Moisés mudou-lhe o nome para Josué, e era da tribo de Efraim, filho de José. Ora, Josué significa Jesus, ou Yeshua, que é o nome hebraico de Jesus. É interessante também, que o primogênito de José era Manassés, mas Jacó colocou a primogenitura  sobre Efraim, no lugar de Manassés, trocando a posição das mãos. Porém, em Ap. 7:4-8, na relação dos filhos de Jacó, o nome de Efraim não aparece, mas o de Manassés, sendo restaurada a sua posição na primogenitura de José. Sabemos que Jesus é o primogênito de Deus, mas é como se o Espírito Santo, durante a sua ausência da terra, assumisse a primogenitura no meio dos irmãos. Apesar de Josué ter tomado o lugar de Moisés na liderança do povo, quem aparece no monte da transfiguração, a Jesus, é Moisés, juntamente com Elias. O ministério de Moisés foi no deserto, havendo muita rebelião, durante a sua gestão, pois no deserto o povo se rebela. Mas o ministério de Josué foi na terra de Canaã, terra que mana leite e mel. Josué foi tomando cidade após cidade, derrotando todas, com exceção de Ai, onde houve dificuldade por causa do pecado de Acã. Então, na era do Espírito Santo temos todas as condições de vencer os nossos inimigos, Satanás e seus demônios, precisando apenas evitar o pecado. É interessante que o pecado de Acã foi cobiça por dinheiro, por assim dizer. Foi também o pecado de Judas Iscariotes, de Balaão, de Geasi, e, certamente, é o pecado de muitos hoje. Moisés liderou no deserto, mas Josué, na terra que mana leite e mel. A terra de Canaã, é uma figura do céu, mas também o é da vida cheia do Espírito Santo. O cristão cheio do Espírito Santo tem todas as condições de vencer Satanás e seus demônios, pois significa está submisso à liderança de Josué. Acã desobedeceu a Josué, e pecou, e foi morto com toda a sua família, assim aconteceu também com Ananias e Safira. O nosso Josué é o Espírito Santo, e com Ele também conquistaremos toda a terra, pois o nosso Moisés (Jesus) está no monte (o céu) com as mãos levantadas, intercedendo por nós. 

domingo, 27 de julho de 2014

A ERA DO ESPÍRITO SANTO


No Antigo Testamento era o Deus Pai quem enviava os profetas, pois disse para Jeremias “Não digas: eu sou uma criança; porque aonde quer que eu te enviar, irás: e tudo quanto te mandar  dirás.” (Jr. 1:7). E mais “Toma o cinto que compraste e trazes sobre os teus lombos, e levanta-te; vai ao Eufrates, e esconde-o ali na frente de uma rocha.” (Jr.13:4). E ao profeta Isaías “Depois disto ouvi a voz do Senhor, que dizia: A quem enviarei, e quem há de ir por nós? Então disse eu: Eis-me aqui envia-me a mim.” (Is.6:8). E dos falsos profetas “Não mandei os profetas, e todavia eles foram correndo; não lhes falei a eles, e todavia eles profetizaram.” (Jr. 23:21).

No Novo Testamento,  durante o ministério publico de Jesus, este enviou os apóstolos e demais discípulos, como está escrito: “Jesus enviou estes doze, e lhes ordenou, dizendo: Não ireis pelo caminho das gentes, nem entrareis em cidades de samaritanos; mas ide antes às ovelhas perdidas da casa de Israel.” (Mt.10:5,6). E em Lc. 10:1 “E depois disto designou o Senhor ainda outros setenta, e mandou-os adiante da sua face, de dois em dois, a todas as cidades e lugares aonde ele havia de ir.” E em Jo. 20:21 “Disse-lhes pois Jesus outra vez: Paz seja convosco; assim como o Pai me enviou, também eu vos envio a vós.” E em Mc. 16:15,16 “E disse-lhes: Ide por todo o mundo, pregai o Evangelho a toda criatura. Quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado.” Então no A.T. era Deus o Pai que protagonizava o exercício da autoridade, mas durante o ministério público de Jesus, era o Deus filho quem o fazia.

Mas, no dia de Pentecoste, parece haver uma nova mudança de paradigma, pois o Espírito Santo desce sobre a igreja, com sinais semelhantes aos que aconteceram na outorga da lei no monte Sinai.

 “E aconteceu, ao terceiro dia, ao amanhecer, que houve trovões e relâmpagos sobre o monte, e uma espessa nuvem, e um sonido de buzina mui forte, de maneira que estremeceu todo o povo que estava no arraial.” (Ex.19:16). 

E em At. 2:2,3 “E de repente vem do céu um som, como de um vento veemente e impetuoso, e encheu toda a casa em que estavam assentados. E foram vistas por eles línguas repartidas, como que de fogo, as quais pousaram sobre cada um deles.” 

O fenômeno do Monte Sinai, foi Deus o Pai dando a sua lei escrita a Moisés e ao povo de Israel. No Monte da transfiguração, aconteceu algo parecido, por isso eu o chamo de Monte Sinai do Novo testamento. No Monte da Transfiguração o rosto e a roupa de Jesus brilharam, Moisés e Elias apareceram brilhando, uma nuvem os cobriu com a sua sombra, e a voz de Deus foi ouvida, como no monte Sinai: “Este é o meu amado Filho; a ele ouvi.”(Lc. 17:28-36). O Deus que deu a sua lei no monte Sinai, agora diz que o filho falará em seu lugar. É a lei de Cristo. 

As manifestações sobrenaturais são: O Pai se manifesta no monte Sinai, o Filho se manifesta no Monte da Transfiguração, e o Espírito Santo se manifesta no dia de Pentecoste, no cenáculo. É interessante que a fórmula profética do Antigo Testamento,  “Assim diz o Senhor”, é mudada pelo profeta Ágabo para “Isto diz o Espírito Santo”. (At. 21:11). E, com respeito ao envio dos mensageiros comissionados, há também uma mudança de paradigma. O Pai enviou os profetas no Antigo testamento, e o Filho enviou os apóstolos no Novo. E agora, no livro de Atos, é o espírito Santo quem envia. “E na igreja que estava em Antioquia havia alguns profetas e mestres...E assim estes (Barnabé e Saulo), enviados pelo Espírito Santo, desceram a Selêucia e dali navegaram para Chipre.” O Espírito Santo havia dito “Apartai-me a Barnabé e a Saulo para a obra a que os tenho chamado.” (At. 13:1-4). Tanto Barnabé quanto Paulo, são chamados de apóstolos, em At.14:4,14). 

Assim, sem diminuir a autoridade do Pai, nem a do Filho, nós estamos, por assim dizer, na Era do Espírito Santo, e podemos dizer que somos discípulos do Espírito Santo. 

terça-feira, 22 de julho de 2014

ESCUDEIROS DO ESPÍRITO SANTO


“Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para que possais estar firmes contra as astutas ciladas do diabo.” (Ef.6:11).

O tema da guerra espiritual está por toda a Bíblia, mas temos de aprendê-lo, a partir da guerra física, que é tratada extensamente por todo o Antigo Testamento. Como o mundo espiritual é invisível aos nossos olhos físicos, temos de aprender sobre ele a partir das coisas do mundo material, que podemos enxergar. Jesus falou do nascimento espiritual, comparando-o ao nascimento físico (Jo.3); falou da água da vida, comparando-a à água física (Jo.4); falou da comida espiritual, comparando-a à comida física (Jo.6). No caso em questão, Paulo está falando da armadura de Deus, mas só podemos entendê-la a partir da armadura física. 

Em I Sm. 17 descreve um cenário de guerra entre Israel e os filisteus. A armadura de Golias é descrita nos seguintes termo: “Trazia na cabeça um capacete de bronze, e vestia uma couraça de escamas; e era o peso da couraça de cinco mil ciclos de bronze. Também usava caneleiras de bronze e um dardo de bronze às costas. A haste da sua lança parecia com o eixo de um tear, e a ponta da sua lança pesava seiscentos ciclos de ferro. SEU ESCUDEIRO IA À SUA FRENTE.” (I  Sm. 17:5-7).

O escudeiro era o criado que levava o escudo e as demais armas do herói,  o guibor. O escudeiro era uma espécie de discípulo, que aspirava muitas vezes ser o sucessor do seu mestre. Davi foi escudeiro de Saul. “Assim Davi veio e se apresentou a Saul que se agradou muito dele E O FEZ SEU ESCUDEIRO.” (I Sm. 16:21). Quem deveria lutar com Golias era Saul, mas foi Davi, seu escudeiro, quem lutou. O escudeiro de Golias é enfatizado como indo à sua frente. “O filisteu também vinha se aproximando de Davi, COM O ESCUDEIRO À SUA FRENTE.” (I Sm. 17:41). Neste caso, o escudeiro de Saul venceu o herói dos filisteus, tendo o seu escudeiro à sua frente. No caso de Joabe, este tinha dez escudeiros, pois está escrito: “Dez jovens que levavam as armas de Joabe o cercaram, atacaram Absalão e o mataram.” (II Sm. 18:15). O que chama a atenção neste texto, é o número de escudeiros que levavam as armas de Joabe, o que evidencia a sua elevada posição na guerra. E foram os escudeiros quem terminaram de matar Absalão. Eles estavam aprendendo a guerrear. 

Em I Sm. 14, o escudeiro de Jônatas é muito destacado, e podemos tirar algumas lições. Jônatas era o herói, o guibor, e, naturalmente, tinha o seu escudeiro, discípulo. 

“Um dia Jônatas, filho de Saul, disse ao seu escudeiro: vem, vamos até a guarnição dos filisteus, que está do outro lado...E Jônatas disse ao seu escudeiro: vamos atravessar a guarnição desses incircuncisos...O seu escudeiro lhe respondeu: Faze tudo o que planejares; seguirei o que decidires...E os homens da guarnição disseram a Jônatas e ao seu escudeiro: Subi a nós e vos daremos uma lição. E Jônatas disse ao seu escudeiro: Sobe atrás de mim, porque o Senhor os entregou nas mãos de Israel. Então Jônatas subiu engatinhando, e o seu escudeiro atrás dele; e os filisteus caíram diante de Jônatas, e o seu escudeiro os matava atrás dele. Neste primeiro ataque, Jônatas e seu escudeiro mataram cerca de vinte homens, dentro de meia jeira de terra.” (I Sm. 14:1-14). 

Neste caso, o escudeiro de Jônatas ia atrás dele, mas no caso de Golias, o escudeiro ia na frente, o que parece indicar que o gigante estava com medo, e queria colocar o escudeiro como bucha de canhão. No caso de Jônatas, que creio ser o correto, o escudeiro cumpre o seu papel, terminando de matar  os inimigos que o herói feriu. Os trinte e sete valentes de Davi, são uma elite de guerreiros do exército de Israel, que, certamente, tem seu correspondente na igreja, na guerra espiritual. Chama a atenção o fato de Joabe ser citado três vezes na lista dos trinta e sete valentes, mas de maneira indireta, pois ele mesmo nunca chegou a fazer parte do elenco, apesar de ser, provavelmente, o maior deles. “Também Abisai, irmão de Joabe, filho de Zeruia, era cabeça de três; e este alçou a sua lança contra trezentos, e os feriu, e tinha nome entre os três...Asael, irmão de Joabe, tinha nome entre os trinta...Naarai, beerotita, O QUE TRAZIA AS ARMAS DE JOABE,  filho de Zeruia.” (II Sm. 23:18, 24, 37). Então,  o escudeiro de Joabe era do trinta e sete, mas Joabe mesmo não alcançou esta distinção. O que deve nos ensinar algo, pois Joabe, mais de uma vez, desobedeceu e afrontou a Davi, seu líder.

Mas Paulo diz em Efésios 6:11 “Revesti-vos de toda a armadura de Deus”. Vamos tomar o verbo “revestir” e ver onde ele aparece. Em Jz. 6:34 “Então o Espírito do Senhor revestiu a Gideão, o qual tocou a buzina, e os abiezritas se ajuntaram após ele.” Gideão foi à guerra  e venceu, porque estava revestido da armadura de Deus, que é o Espírito Santo. Davi venceu Golias, mesmo sem usar uma armadura visível, porque estava revestido da armadura de Deus, que é invisível, pois é espiritual. “Então Samuel tomou o vaso de azeite, e ungiu-o no meio de seus irmãos; e desde aquele dia em diante o Espírito do Senhor se apoderou de Davi.” 

Antes de ascender aos céus, depois da sua ressurreição, Jesus disse aos seus discípulos: “E eis que sobre vós envio a promessa de meu Pai; ficai, porém, na cidade de Jerusalém até que do alto sejais REVESTIDOS DE PODER.” (Lc.24:49). E em Atos 1:4,5 “E, estando com eles, determinou-lhes que não se ausentassem de Jerusalém, mas que esperassem a promessa do Pai, que (disse ele) de mim ouvistes. Porque, na verdade, João batizou com água, mas vós sereis batizados com o Espírito Santo, não muito depois destes dias.” Ser batizados no Espírito Santo é ser revestido da armadura de Deus, para a guerra. E em Atos 2:4 “E todos foram cheios do Espírito Santo”. Aí eles foram pra guerra, e na primeira investida tomaram quase três almas das mãos de Satanás. E em Atos 26:17,18, Jesus Cristo ressuscitado envia Paulo pra guerra, nos seguintes termos: “Livrando-te deste povo e dos gentios, a quem agora te envio, para lhes abrires os olhos, e das trevas os converteres à luz, e da autoridade de Satanás a Deus; a fim de que recebam a remissão dos pecados, e herança entre os santificados pela fé em mim.” 

Estamos numa guerra espiritual, contra seres espirituais invisíveis, que mantém homens e mulheres em cativeiro espiritual. O Espírito Santo é o nosso Jônatas, o nosso guibor, e somos seus escudeiros, com a missão de somente auxiliá-lo, de matar (espiritualmente) os inimigos que ele já feriu mortalmente. Ele vai à nossa frente, pois não é como Golias (Satanás), que se escudava no seu escudeiro. A armadura de Deus é o Espírito Santo, e ninguém deve ir à guerra sem estar revestido com ela ou com Ele.