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terça-feira, 13 de outubro de 2015

COMO ENTRAR NO REINO DE DEUS


          Inicialmente, quero esclarecer que a expressão “reino dos céus” (Mt. 13:31) e “reino de Deus” (Mc. 4:30) são sinônimos, pois Mateus, escrevendo aos judeus, evita ofendê-los,  usando “céus” no lugar de “Deus”.  Em Mt. 5:20, Jesus diz “Porque vos digo que, se a vossa justiça não exceder em muito a dos escribas e fariseus, jamais entrareis no reino dos céus” e em João 3:5 “quem não nascer da água e do Espírito não pode entrar no reino de Deus”.  

Nascer da água é o batismo nas águas (Mc.16:16), e nascer do Espírito é o batismo com o Espírito Santo (At. 19:1-6). Então, quem não for batizado nas águas e no Espírito Santo, não pode entrar no reino de De us. Essa é a justiça de Deus, que ele escolheu para justificar o homem.(Mt. 3:15). 

O problema dos escribas e fariseus é que eles rejeitaram a maneira de Deus justificar, e tentavam fazê-lo pelo cumprimento da lei, como tinham aprendido. “Separados estais de Cristo, vós os que vos justificais pela lei; da graça decaístes.”(Gl.5:4). “Todo o povo que ouviu João Batista, até os publicanos reconheceram a justiça de Deus, tendo sido batizados com o batismo de João; mas os fariseus e os intérpretes da Lei rejeitaram, quanto a si mesmos, o desígnio de Deus, não tendo sido batizados por ele.” (Lc. 7:29,30). 

Não importa as maneiras que o homem e as religiões inventaram para que alguém entre no reino de Deus, pois o que prevalece é o que Jesus ensinou. O batismo nas águas é a demonstração de arrependimento da parte do homem, por isso que algumas vezes, senão sempre, envolve confissão de pecados. “eram por ele batizados no rio Jordão, confessando os seus pecados”(Mt.3:6) e “Muitos dos que creram vieram confessando e denunciando publicamente as suas próprias obras” (At.19:18). 

O batismo no Espírito Santo é a resposta de Deus, ao ver o sincero arrependimento no coração do pecador, e a obediência demonstrada no batismo. Até agora a Lei de Deus não entra,  pois esta é a doutrina da graça. Agora, já dentro do reino de Deus, a Lei passa a ter o seu papel na vida do crente. Jesus disse que não veio revogar a Lei, mas veio cumprir. Só Jesus podia cumprir a Lei,  pois só ele  era um homem sem pecado. Creio eu, que quando Jesus disse “Está consumado!” (Jo.19:30), Ele cumpriu as exigências da lei, para que o homem fosse justificado. 
“Aquele, pois, que violar um destes mandamentos, posto que dos menores, e assim ensinar aos homens, será considerado mínimo no reino dos céus; aquele, porém, que os observar e ensinar, esse será considerado grande  no reino dos céus.” (Mt.5:19).  
Há mandamentos maiores e menores, menos importantes e mais importantes. Veja que quem violar um mandamento, não perderá a salvação, mas ocupará lugar menor no reino de Deus.  Fala também de ensinar. Mas o que obedecer e ensinar os mandamentos, não ganhará a salvação, mas ocupará lugar mais importante no reino de Deus.  Apesar que a Lei e os Profetas significarem o Antigo Testamento, os Dez Mandamentos parece estão aqui em questão.  

Então,  primeiro entramos no reino, obedecendo ao que Deus estabeleceu, e só depois vamos nos preocupar em obedecer os mandamentos, não para ser salvos, mas porque já estamos salvos. A posição que você vai ocupar no reino de Deus, depende do quanto você obedece e ensina os  mandamentos. Ele disse “Não matarás” (Mt.5:21), “Não adulterarás” (Mt.5:27), “Não jurarás falso” (Mt.5:33). Mas, antes de se preocupar com o lugar que você vai ocupar no reino, é melhor garantir a entrada nele, cuidando de nascer da água e do Espírito, coisa que os escribas e fariseus não fizeram. 

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

O BATISMO É MESMO IMPORTANTE?


“Dou graças a Deus, porque a nenhum de vós batizei, senão a Crispo e a Gaio. Para que ninguém diga que fostes batizados em meu nome. E batizei também a família de Estéfanas; além destes, não sei se batizei algum outro. Porque Cristo enviou-me, não para batizar, mas para evangelizar; não em sabedoria de palavras, para que a cruz de Cristo não se faça vã.” (I Co. 1:14-17).

Paulo diz que Cristo não o enviou para batizar, mas para evangelizar (pregar o Evangelho). Vejamos na Grande Comissão de Marcos 16:15,16: 

“E disse-lhes: Ide por todo o mundo, pregai o Evangelho a toda a criatura. Quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado.” De fato, a ordem no imperativo é “Ide...pregai o Evangelho...”. 

As demais coisas não estão no imperativo, mas fica claro que quem será salvo é quem crer e for batizado. Quem não crer será condenado, porque se a pessoa não crer, ela não será batizada, pois o batismo é para quem já creu. Paulo disse que não foi enviado para batizar, porque o mais difícil é convencer pela pregação no Espírito. Batizar qualquer crente pode, pois não demanda a unção do Espírito Santo para convencer o pecador. Em Mateus 28:19,20 o único verbo no imperativo é “Fazei discípulos”, pois os demais estão no gerúndio “Indo, batizando, ensinando”. 

O que Jesus mandou os apóstolos fazer, foi discípulos, embora tenha indicado os meios de fazê-los, indo, batizando, ensinando. É claro que antes de batizar, a pregação do evangelho está implícita, pois só é batizado quem já creu, mediante a pregação do evangelho. Em Atos 10:42-48, Pedro diz 
“E nos mandou pregar ao povo, e testificar que ele é o que por Deus foi constituído juiz dos vivos e dos mortos...Respondeu então Pedro: Pode alguém porventura recusar água, para que não sejam batizados estes, que também receberam como nós o Espírito Santo? E mandou que fossem batizados em nome do Senhor. E rogaram-lhe que ficasse com eles por alguns dias.”  

Jesus mandou os apóstolos pregarem ao povo e testificar, e embora Pedro não tenha mencionado o batismo na ordem de Jesus, mandou que fossem batizados. Pedro cheio do Espírito, pregou o evangelho, convenceu os ouvintes, mas ele mesmo não batizou, pois mandou outros batizarem. O mesmo Pedro, no dia de Pentecostes disse 
“Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para perdão dos pecados, e recebereis o dom do Espírito Santo.” (At.2:38). 
Só Pedro pregou, mas duvido que ele tenha batizado sozinho quase três mil pessoas. E deixa claro, neste texto, que Deus nos salva por meio do batismo. Em Atos 18:8 
“E Crispo, principal da sinagoga, creu no Senhor com toda a sua casa; e muitos dos coríntios , ouvindo-o, creram  e foram batizados.” 
Na mesma igreja de Corinto, a quem Paulo disse que Cristo não o enviara para batizar, vemos os coríntios sendo batizados, depois da pregação de Paulo. Certamente não era Paulo quem batizava, mas os irmãos,  sob a supervisão de Paulo. Não que o batismo não seja importante, pois é a prova exterior da fé do coração,  que implica na salvação. Jesus também praticou esse conceito, pois João diz: 
“Depois disto foi Jesus com seus discípulos para a terra da Judéia; e estava ali com eles, e batizava. Ora, João batizava também em Enom, junto a Salim, porque havia ali muitas águas; e vinham ali, e eram batizados. E quando o Senhor entendeu que os fariseus tinham ouvido que Jesus fazia e batizava mais discípulos do que João (Ainda que Jesus mesmo não batizava, mas os seus discípulos), deixou a Judéia e foi outra vez para a Galiléia.” (Jo.3:22,23; 4:1-3). 

Batizar, qualquer crente pode, mas pregar e convencer, não é para qualquer um. Batizar alguém que já está rendido, conquistado, convencido, é fácil. O difícil é pregar e convencer o pecador do erro do seu pecado, demandando arrependimento. É por isso que Paulo disse que Jesus não o enviara para batizar, mas para pregar o Evangelho.

terça-feira, 19 de agosto de 2014

A LEI E A GRAÇA


Mt. 5:17-20

Vamos começar lembrando que não entraremos no reino de Deus por guardarmos a lei de Deus, dada a Moisés no monte Sinai, no Antigo Testamento, resumida nos Dez Mandamentos. Tiago diz “Porque qualquer que guardar toda a lei, e tropeçar em um só ponto, tornou-se culpado de todos.” (Tg.2:10). Paulo diz “porquanto pelas obras da lei nenhuma carne será justificada.” (Gl.2:16b). Então vamos dividir o assunto em três pontos:

1.       COMO ENTRAR NO REINO DE DEUS  -  “Porque eu vos digo que, se a vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus, de modo nenhum entrareis no reino dos céus.” Veja que Mateus escreveu “Porque a vós é dado conhecer os mistérios do reino dos céus...” (Mt.13:11) e Marcos escreveu “A vós vos é dado saber os mistérios do reino de Deus...” (Mc.4:11). Então a conclusão é que a expressão “reino dos céus e” e “reino de Deus” são sinônimas, sendo que Mateus usa a primeira porque está escrevendo aos judeus, e estes tem medo de usar o nome o nome Deus, por causa do mandamento de não tomar o nome de Deus em vão. Mas como entrar no reino de dos céus ou de Deus? Paulo diz “pela graça sois salvos, por meio da fé, e isto não vem de vós, é dom de Deus.” (EF.2:8). E Gn. 15:6 diz “E creu Abrão em Deus, e isto lhe foi imputado como justiça.” E Ap. 21:27 diz “E não entrará nela coisa alguma que contamine, e cometa abominação e mentira; mas só os que estão inscritos no livro da vida do Cordeiro.” Está se referindo â nova Jerusalém. O certo é que não entrará no reino de Deus pecado, que é crime espiritual, ou transgressão da lei de Deus. O remédio para isso se chama Justificação, que demanda justiça, e deriva de uma visão jurídica da salvação. Outras figuras são usadas na Bíblia para falar do mesmo assunto, e temos de identificar que tipo de linguagem está sendo usada, para não fazermos confusão. Uma figura que é usada é a da morte e ressurreição (Rm.6:4), e da plantação (Rm.6:5), da crucificação (Rm.6:6). Mas tem também a figura do novo nascimento, que o próprio Jesus usa em Jo. 3:3,5 “Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus...Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus.” Os escribas e fariseus não podiam entrar no reino porque procuravam entrar por guardar a lei. A lei dizia “Faze estas coisas, e por elas viverás”, mas a graça diz “O justo viverá pela fé”. Mas “nascer da água” é o batismo nas águas, e “nascer do Espírito” é o batismo no Espírito Santo. Jesus disse “quem crê e for batizado será salvo”. Quando os apóstolos começaram a pregar, todos eles, a exemplo de João Batista e Jesus, exigiram o arrependimento, como primeiro passo para se entrar no reino de Deus. “Arrependei-vos, e sede batizados em nome de Jesus Cristo para perdão dos pecados...” (At.2:38). Então, três palavras são usadas: Perdão dos pecados(At. 2:38); apagados os pecados (At.3:19); lavados os pecados (At. 22:16). Perdoar, apagar, e lavar, são palavras fortes para mostrar a maneira como Deus lida com o pecado humano. Tudo isso se chama Justificação, que é o termo jurídico e teológico. Tudo isso envolve fé, e precisamos entender que fé não um mero assentimento como o levantar de mão, mas se submeter ao plano de Deus, obedecendo a cada uma dessas etapas. Mas observe que, na sequência de cada um dos textos de Atos, que fala da justificação, segue-se o recebimento do Espírito Santo, também chamado de batismo no espírito Santo, que é a doutrina da santificação. Então, para entrar no reino de Deus não é preciso guardar a lei, mas crê no que Jesus fez, e se submeter a isso, mediante arrependimento e batismo. Esses dois passos são decisão humana, mas o batismo no Espírito Santo é decisão de Deus, que vê o coração, e sabe se você creu de todo coração. (At.8:37). Hebreus 6:1 chama esses dois passos iniciais de “arrependimento de obras mortas e fé em Deus.” Jesus disse que se alguém não nascer da água e do espírito, não pode entrar no reino de Deus. Procure entrar, pois Jesus disse “Porfiai por entrar pela porta estreita; porque eu vos digo que muitos procurarão entrar, e não poderão.” (Lc. 13:24). Não vai ser fácil. Jesus disse mais “entre os que de mulher têm nascido, não apareceu alguém maior do que João Batista, mas aquele que é o menor no reino dos céus é maior do que ele. E, desde os dias de João Batista até agora, se faz violência ao reino dos céus, e pela força se apoderam dele.” Mas já estamos dentro do reino, sem cumprir a lei. Mas, e agora, para serve a lei?

2.       OS QUE VIOLAM A LEI DENTRO DO REINO  -  “Qualquer pois que violar um destes mais pequenos mandamentos, e assim ensinar aos homens, será chamado o menor no reino dos céus.” Se a lei não serve para nos colocar dentro do reino, mas a fé, agora que já estamos dentro, a lei tem o seu papel a cumprir. Em primeiro lugar, não diz que perde a salvação, quem transgride a lei, dentro do reino. Mas o que diz é que ocupará um lugar inferior, ou seja, o status dentro do reino de Deus, é concedido na proporção do cumprimento da lei. E não é só cumprir, mas também ensinar. Tem lógica, pois Hb. 8:8-12, citando Jeremias 31:31, diz “Dias virão em que estabelecerei  com a casa de Israel e com a casa de Judá uma nova aliança...Porei as minhas leis na sua mente e as escreverei no seu coração...” o homem natural não pode deixar de se irar, nem de olhar para uma mulher sem cobiçá-la, mas o crente cheio do Espírito de Deus pode. Paulo escreveu “Porque a lei do espírito de vida, em Cristo Jesus, te livrou da lei do pecado e da morte.” (Rm. 8:2). Se a lei reflete o caráter de Deus, o filho de Deus, redimido, reflete o caráter da lei em sua conduta. Quando Ef. 2:8,9 diz que o homem não será salvo (justificado) pelas obras (da lei), acrescenta no verso dez “Pois fomos feitos por Ele, criados em Cristo Jesus para as boas obras (da lei), previamente preparadas por Deus para que andássemos nela.” Não somos salvos pelas obras (da lei), mas para as boas obras (da lei). Paulo diz mais “O amor não faz mal ao próximo. De modo que o amor é o cumprimento da lei.” (Rm.13:10). E mais “o amor de Deus foi derramado em nosso coração pelo Espírito Santo que nos foi dado.” (Rm.5:5). Jesus também diz “Portanto, tudo o que quereis que os homens vos façam, fazei também a eles; porque esta é a lei e os profetas.” (Mt.7:12).

3.       OS QUE CUMPREM A LEI DENTRO DO REINO  -  “aquele, porém, que os cumprir e ensinar será chamado grande no reino do céu.” No livro de Esdras está escrito o seguinte: “Porque Esdras tinha-se disposto no coração a estudar a lei do Senhor e a praticá-la, e a ensinar em Israel os seus estatutos e normas.” Esdras era sacerdote, descendente do sumo sacerdote Arão, e nessa condição era um tipo e figura do crente do novo Testamento. Se Esdras já tinha sido justificado pela fé, isto é, já estava dentro do reino de Deus, adotou a atitude certa em estudar, praticar, e ensinar a lei de Deus, embora estivesse no regime da velha aliança. Jesus disse que quem cumprir a lei, dentro do reino de Deus, e assim ensinar aos homens, será chamado grande no reino de Deus. A lei não serve para justificar o homem, mas para, depois de justificado pela fé, dar balizamentos de como é o caráter de Deus, e tentar imitá-lo. “Meus filhinhos, estas coisas vos escrevo, para que não pequeis; e, se alguém pecar, temos um advogado para com o Pai, Jesus Cristo, o Justo. No regime da lei não tem advogado, mas no da graça tem. O crente, porém, que aprendeu a lidar com o pecado para a justificação, tem de aprender a lidar com o mesmo pecado, para a santificação. O pecado não deve ser uma constante na vida do crente, mas um acidente, uma exceção. João diz “Se dissermos que não temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos, e não há verdade em nós.” (I Jo. 1:8). Então, temos de nos examinar constantemente para ver se tem algum pecado em nós. “Se dissermos que não temos pecado, fazemo-lo mentiroso, e a sua palavra não está em nós.” Se constatarmos algum pecado em nós, o caminho é semelhante ao do princípio. “Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo, para nos perdoar os pecados(justificação) e nos purificar de toda a injustiça (santificação).” (I Jo. 1:9). A confissão demonstra arrependimento, e deve ser feita a Deus, ou a um outro ser humano. Então não despreze a lei, pois embora ela não sirva para nos justificar, nem para nos colocar dentro do reino de Deus, uma vez dentro, ela serve para alcançarmos galardão dentro do reino. Um estrangeiro que quer ser cidadão brasileiro, não o conseguirá por cumprir a lei do Brasil, mas por outro processo. Todavia, uma vez se tornando cidadão brasileiro, está obrigado a cumprir a lei do país, sob pena de ser punido, ainda que possa não ser expulso.

segunda-feira, 30 de junho de 2014

SOTERIOLOGIA, A DOUTRINA DA SALVAÇÃO


“Porque eu não tenho falado de mim mesmo; mas o Pai, que me enviou, ele me deu mandamento sobre o que hei de dizer e sobre o que hei de falar. E sei que o seu mandamento é a vida eterna. Portanto, o que eu falo, falo como o Pai mo tem dito.” (João 12:49,50).

Diante do texto acima, eu quero falar sobre a doutrina da salvação, pois, lendo um livro sobre o assunto, vejo que não é um tema pacífico, mas existem muitos conceitos a respeito do mesmo, cada um afirmando que está baseado na Bíblia. Ao longo da minha vida cristã, a maior parte na Convenção Batista Brasileira, percebi que cada denominação ou seguimento da igreja evangélica, afirma que a Bíblia é sua regra de fé e prática. É assim, pelo menos, no seguimento chamado de  igrejas tradicionais. Na Igreja Católica, salvo engano, além da Bíblia, também tem a Tradição Eclesiástica (a interpretação dos seus teólogos ou a Patrística) tem peso de autoridade igual à escritura. No Movimento Pentecostal e no Neopentecostal,  (se eu estiver errado me corrijam) os pronunciamentos proféticos e outras revelações extra-bíblicas, têm também grande peso de autoridade. Mas com respeito à afirmação de que a Bíblia é a única regra de fé e prática, tenho percebido que dificilmente é verdade. Cada grupo adota como regra de fé e prática a sua própria tradição religiosa,  ignorando solenemente o que diz a Bíblia.

Voltando ao versículo do cabeçalho, Jesus afirma que o que ele falava era exatamente o que o Pai havia lhe mandado falar. Ele não se sentia com liberdade para mudar o que o Pai lhe tinha mandado falar. Do mesmo modo, nós também não temos esse direito de mudar as palavras que Jesus nos mandou falar.  É verdade que a interpretação da Bíblia não é fácil. Tem assuntos que são controversos, e temos de ter a humildade de reconhecer que podemos laborar em erro, e não assumir uma postura dogmática. Os nossos antepassados podem ter errado também na interpretação. Tem um autor que usa como referencial o Comitê de Lausane e os reformadores, com a sua Solla Scriptura. Mas nem os reformadores do século XVI  nem os signatários do Pacto de Lausane eram infalíveis na interpretação da Escritura. Eles fizeram o melhor que puderam no seu tempo e nós temos de fazer o melhor que pudermos no nosso.

Diante do exposto, quero olhar para a Escritura crendo que o mesmo Espírito que inspirou os nossos antepassados nos inspira, tentar descobrir o que é mesmo a doutrina da salvação. Quero começar com o Dia de Pentecoste. Depois do discurso de Pedro, o povo que o ouviu perguntou: “QUE FAREMOS, HOMENS IRMÃOS?” Respondendo Pedro disse:

1.       Arrependei-vos;
2. E cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para perdão dos pecados;
3. E recebereis o dom do Espírito Santo. (At.2:37,38).

 Em Atos 3:19, não consta nenhuma  pergunta do povo, mas a declaração de Pedro é semelhante a que foi dada em At. 2:38:
1.      Arrependei-vos; 
2. e convertei-vos, para que sejam apagados os vossos pecados; 
3.  e venham assim os tempos de refrigério pela presença do Senhor. (At.3:19).

     Observe que At. 2:38 e 3:19, dizem a mesma coisa com palavras diferentes. É como se a pergunta de 2:37 estivesse implícita em 3:19. Mas vamos continuar a questão da pergunta. Em At.16:30, o carcereiro pergunta a Paulo e Silas: “SENHORES, QUE É NECESSÁRIO QUE EU FAÇA PARA ME SALVAR?” Pela lógica, a resposta de Paulo e Silas deveria ter sido a mesma de Pedro em 2:38 e 3:19, mas não foi. Eles disseram: “Crê no Senhor Jesus Cristo e serás salvo, tu e a tua casa.” (At.16:31). Podemos dizer, então, que crer no Senhor Jesus Cristo significa tudo o que Pedro disse em Atos 2:38 e 3:19. Paulo e Silas disseram de maneira genérica, e Pedro disse de forma específica.  Um de forma abreviada, outro de forma distendida. Mas vamos observar a questão da pergunta. Em At. 9, quando Saulo é abordado pelo Cristo ressuscitado, no caminho de Damasco, Saulo pergunta: “SENHOR, QUE QUERES QUE FAÇA?” Pela lógica,  Jesus deveria ter dito a ele o mesmo que Pedro em 2:38 e 3:19, ou, pelo menos, o que Paulo e Silas disseram ao carcereiro, em 16:31. Mas não foi o que ele fez.  Ele disse: “Levanta-te, e entra na cidade; e lá te será dito o que te convém fazer.” (At.9:6). Sabemos que Jesus chamou Ananias, e o mandou ao encontro de Saulo. Não sabemos tudo o que Ananias disse a Saulo, mas pode ter sido o mesmo que Pedro disse em 2:38 e 3:19, pois em At.  22:16, está registrado que Ananias disse: “E agora, por que te demoras? Levanta-te, e batiza-te, e lava os teus pecados, invocando o nome do Senhor.” Parece um reflexo de At. 2:38 e 3:19. 2:38 fala de perdoar os pecados; 3:19 fala de apagar os pecados; e 22:16 fala de lavar os pecados. Tanto em 2:38 quanto em 22:16 isso é feito por meio do batismo. E em 3:19, o batismo está implícito. Em Hebreus 6:1,2 onde o autor enumera seis doutrinas elementares da vida cristã, ele começa com:

1.       Arrependimento de obras mortas;    
2. Fé em Deus;    
3. A doutrina dos batismos;  
4. E da imposição de mãos. 

Essas são as doutrinas iniciais, pois ressurreição dos mortos e juízo eterno, só acontecerão no final. Mas para chegar nessas duas finais, a pessoa precisa entrar no caminho por meio dessas quatro iniciais.

           Mas, retornando à questão da pergunta sobre a salvação, em I Pe. 3:15, Pedro escreve: “Antes santificai a Cristo, como Senhor, em vossos corações; e estai sempre preparados para RESPONDER com mansidão e temor a qualquer que vos pedir a razão da esperança que há em vós.” Devemos refletir nessa repetição da pergunta que é feita com respeito a salvação. A propósito, algum crente colocou uma faixa numa das ruas da cidade dizendo “CRISTO É A RESPOSTA”.  E alguém escreveu em baixo jocosamente “SIM, MAS QUAL É A PERGUNTA?” E Provérbio 18:13 diz “Responder antes de ouvir, é estultícia e vergonha.” Tem muito crente querendo responder ao descrente, sobre a salvação, sem que este lhe tenha perguntado. Mas para perguntar, os de fora têm de ver algo diferente no crente. A multidão viu algo diferente em Pedro, antes de perguntar sobre a salvação; o carcereiro viu algo diferente em Paulo e Silas, antes de perguntar; Saulo viu algo diferente em Jesus, antes de perguntar. Eles têm de ver algo diferente em nós, antes de perguntar. Será isto: “Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros.” (Jo. 13:35).

     Em Marcos 16:15,16, Jesus diz: “Ide por todo o mundo, pregai a Evangelho a toda a criatura. Quem crer e for batizado, será salvo; mas quem não crê será condenado.” O perdão dos pecados vem depois do batismo, de acordo com At. 2:38; 3:19; e 22:16. E ainda tem gente que pergunta se pode ser salvo sem se batizar. É o mesmo que perguntar se pode ser salvo sem ter os pecados perdoados. Mas alguém dirá “e o ladrão na cruz?” Pode esquecer esse argumento, pois a Grande Comissão foi dada por Jesus depois da sua ressurreição, depois que Ele recebeu toda a autoridade nos céus e na terra. Como as pessoas foram salvas antes de Pentecoste, não vem ao caso, pois como disse o cabeçalho deste artigo, devemos somente obedecer ao que Jesus mandou. Mas observe que tanto em Atos 2:38 quanto em 3:19 fala do recebimento do Espírito Santo, depois do Batismo.

Em 2:38 “e recebereis o dom do Espírito Santo”.  E em 3:19 “E venham assim os tempos do refrigério pela presença do Senhor.” E ainda em At.9:17, Ananias diz a Saulo que Jesus o enviou a ele “para que tornes a ver e sejas cheio do Espírito Santo.” A sequência se impõe. Crer em Jesus significa: 1. Arrependimento; 2. Batismo  em nome de Jesus para perdão dos pecados;   3. Recebimento do Espírito Santo ou batismo no Espírito Santo. Em João 3:3 Jesus diz que quem não nascer de novo (regeneração) não pode ver o reino de Deus, e no v.5 ele diz que quem não nascer da água e do Espírito não pode entrar no reino de Deus. Durante muito tempo fui ensinado que o nascimento da água era o nascimento da Palavra de Deus, como Tiago ensina (outro contexto). Depois de muito tempo percebi que o nascimento da água era o batismo nas águas, pois está mais de acordo com o contexto imediato. Talvez a dificuldade de reconhecer isto se deva à teologia anti-católica que foi adotada por seguimentos evangélicos durante muito tempo. Mas tem coerência aqui, pois o nascimento da água é o batismo nas águas, naturalmente precedido de arrependimento, e seguido do recebimento ou batismo no Espírito Santo. O problema da igreja evangélica, é que quando a pessoa levanta a mão em um culto evangelístico, pensa-se que ela creu, e que, portanto, também foi batizada no Espírito Santo. É certo que o N.T. diz que a pessoa recebe o Espírito quando crer. (Ef.1:13). Mas é errado pensar que ela crê quando levanta a mão.  É crer com o coração –Rm.10:9,10- e lembre o que Deus disse ao profeta Samuel “o homem vê o que  está diante dos olhos, porém o Senhor olha para o coração.” (ISm.16:7).  Nós podemos ver o levantar de mão, podemos ver a pessoa se batizar, mas o coração é enganoso. Só Deus pode ver o que está dentro dele. Quando a pessoa, de fato crê, Deus lhe dá o espírito Santo. Lembre também que crer é obedecer.(Hb.5:9).

Normalmente, o batismo é o primeiro ato de obediência. Digo normalmente, porque em Atos 10:44, os gentios receberam o Espírito Santo antes de serem batizados. É uma exceção, pois a norma é Atos 2:38, e se justifica pelo contexto. E em Atos 8:1-17, os samaritanos foram batizados nas águas, mas só receberam o Espírito Santo depois que os apóstolos Pedro e João oraram por eles, e lhes impuseram as mãos. Mas a ordem da salvação é; 1. Arrependimento;  2. Batismo em nome  de Jesus Cristo, para perdão dos pecados;  3. Recebimento ou batismo no Espírito Santo. Creio que o Espírito Santo atua na pessoa, do lado de fora, dando-lhe luz para que ela possa usar o seu livre-arbítrio, e se arrependa, e depois seja batizada. Deus toma a iniciativa dando a iluminação, mas compete à pessoa se submeter, é uma decisão dela, tanto o arrependimento, quanto ao batismo nas águas, e seguir procurando obedecer a Deus. Mas o batismo no Espírito Santo é Deus quem decide quando dá. Na verdade é Jesus quem batiza no Espírito Santo, pois só Ele pode ver o coração, e o nível de fé e obediência. Mas o crente pode orar, pedindo. Também pode receber a imposição de mãos dos  líderes cheios do Espírito Santo, para receber, como vemos várias vezes no livro de Atos.