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terça-feira, 9 de setembro de 2014

O LIXEIRO DE DEUS


“E sairão, e verão os corpos mortos dos homens que prevaricaram contra mim; porque o seu bicho nunca morrerá, nem o seu fogo se apagará, e serão um horror para toda a carne.” (Is.66:24).

Toda cidade tem um lixeiro ou lixão, como também é chamado, onde é colocado o lixo da cidade. O lixo é aquilo que não presta mais para nada, que é descartável. O lixeiro é um local imundo, contaminado. No lixeiro ou lixão o fogo nunca se apaga, nem os vermes morrem. De longe você pode ver a fumaça saindo do lugar, mesmo que tenha chovido, e quando você chega perto, verá os vermes se arrastando no meio do lixo. Parece até ironia, se não fosse tão trágico, mas essa é a descrição que a Bíblia faz do inferno. 

Não é por acaso que o último versículo do livro do profeta Isaías, descreve essa cena horrível. O livro de Isaías tem uma particularidade, pois é um resumo de toda a Bíblia. Tem 66 capítulos, e a Bíblia tem 66 livros. O Velho Testamento tem 39 livros, e o Novo tem 27, e o livro do profeta Isaías tem 39 capítulos na primeira parte, e 27 capítulos na segunda. Todo estudioso do Antigo Testamento sabe que há uma diferença entre os 39 capítulos iniciais, e os 27 finais, que até se chegou a cogitar que outra pessoa escreveu a segunda parte. Então, o fato de o livro de Isaías terminar dessa maneira, nos leva para o último livro da Bíblia, o Apocalipse, que também termina de maneira parecida. 
“E aquele que não foi achado escrito no livro da vida foi lançado no lago de fogo.” (Ap. 20:15). 
Jesus também advertiu os homens, para não irem para o inferno, por terem cometido pecados. “E, se a tua mão te escandalizar, corta-a; melhor é para ti entrares na vida aleijado, do que tendo duas mãos, ires para o inferno para o fogo que nunca se apaga, onde o seu bicho não morre , e o fogo nunca se apaga.” (Mc. 9:43,44). Ele repete mais duas vezes a mesma expressão, se referindo ao pé e ao olho. A palavra inferno aqui é a palavra grega GEENAN. O mundo dos mortos no Antigo Testamento era chamado de Sheol, no idioma hebraico. Mas a revelação do Antigo testamento era limitada, de modo que os judeus entendiam que o Sheol significava Profundeza, morte, e sepulcro. No Novo Testamento, a revelação se amplia, e podemos entender um pouco mais do assunto. O Sheol do Antigo Testamento passa a ser Hades, no grego do N.T.  Ainda aparece Abismo, no N.T., e Tártaro, que são todos traduzidos por inferno, em português, além de Geenan. 

Entendo hoje que tanto o Sheol, do hebraico, quanto o Hades, Abisson (abismo), Tártaro, são lugares de castigo temporário. Somente em Ap. 19 e 20, pessoas são lançadas no Geenan, que é o lago de fogo, onde o castigo será definitivo. No caso da história do rico e Lázaro, o espírito do rico é lançado no Hade, e ele diz:
 “Pai Abraão, tem misericórdia de mim,  e manda a Lázaro, que molhe na água a ponta do seu dedo e me refresque a língua, porque estou atormentado nesta chama.” (Lc.16:24). 
Então tem fogo no Hades. Mas vamos pegar o caso de Satanás, que é um espírito, e que será lançado primeiramente no abismo. 
“E vi descer do céu um anjo, que tinha a chave do abismo, e uma grande cadeia na sua mão. Ele prendeu o dragão, a antiga serpente, que é o diabo e Satanás, e  amarrou-o por mil anos. E lançou-o no abismo, e ali o encerrou, e pôs selo sobre ele, para que não mais engane as nações, até que os mil anos se acabem. E depois importa que seja solto por um pouco de tempo.” (Ap.20:1-3). 
Como a profecia é atemporal, veja como Satanás foi recebido no Abismo. 
“O Sheol desde o profundo se turbou por ti, para te sair  ao encontro na tua vinda; despertou por ti os gigantes (refaim) (Siom, rei dos amorreus e Og, rei de Basã?), e todos os príncipes da terra, e Fez levantar dos seus tronos  a todos os reis das nações. Estes todos responderão, e te dirão: Tu também adoeceste como nós, e foste semelhante a nós. Já foi derrubada no inferno a tua soberba com o som dos teus alaúdes; os bichinhos debaixo de ti se estenderão, e os bichos te cobrirão.” (Is.14:9-11). 
Satanás foi recebido no Sheol, ou Abismo, ou Hades, assim. Quanto ao fato de os gigantes se encontrarem no Abismo, Isaías ainda diz “os gigantes não ressuscitarão”. (Is. 26:14). Temos, então que são sinônimos, ou seja,  significam o mesmo lugar, no além: Sheol, Hades, Abismo, e Tártaro, e que é um local de castigo temporário. Agora, o lugar do castigo definitivo, é chamado na Bíblia de Geenan, que é o lago de fogo. Jesus mencionou esse lugar em Mt.25:41 
“Então dirá também aos que estiverem à sua esquerda: Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos.” 
Quem primeiro Será lançado no Geenan, serão o anticristo e o falso profeta, chamados de besta e falso profeta, em Apocalipse 19:20: 
“E a besta foi presa, e com ela o falso profeta, que diante dela fizera os sinais, com que enganou os que receberam o sinal da besta, e adoraram a sua imagem. Estes dois foram lançados vivos no ardente lago de fogo e de enxofre.” 
São dois homens, incorporados por demônios de alta hierarquia, e que não morreram, mas foram lançados vivos no lago de fogo, Geenan. Depois deles, mil anos depois, Satanás, que já tinha sido solto do Abismo, foi lançado no Geenan, também.  
“E o Diabo, que os enganava, foi lançado no lago de fogo e enxofre, onde está a besta e o falso profeta; e de dia e de noite serão atormentados para todo o sempre.” (Ap.20:10). 
Segue-se mais dois personagens. 
“E a morte (Tanatos) e o inferno (Hades) foram lançados no lago de fogo; esta é a  segunda morte.  “ (Ap.20:14). 
Estes dois personagens são dois principados de alta hierarquia, Tanatos e Hades, que governavam o mundo dos mortos. Em seguida, os homens reprovados também foram lançados. 
“E aquele que não foi achado escrito no livro da vida foi lançado no lago de fogo.” (Ap.20:15). 
Este é o lixeiro ou o lixão de Deus. Quem foi ou será lançado lá, é considerado lixo, por Deus. Para os anjos, não há mais remédio, mas para os humanos, ainda há tempo de evitar de ir para lá, como lixo da cidade de Deus. Basta se arrepender de seus pecados, mediante confissão, e se tornar discípulo de Jesus, o Messias.

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

O RETORNO DE JESUS


Desde de que Jesus partiu da terra, depois de sua ressurreição, a espectativa de seu retorno, na mente de seus discípulos, é uma realidade. No momento de sua assunção, no monte das oliveiras, dois  anjos falaram aos discípulos, que mantinham seus olhos fixos no céu, onde o Senhor acabara de desaparecer, entre as nuvens. E disseram: 

“Homens galileus, por que estás olhando para o céu? Esse Jesus, que dentre vós foi elevado ao céu, virá do mesmo modo como o vistes partir.” (At.1:11). 

Eles, os discípulos, pensavam que Jesus voltaria logo. Talvez tenha sido esse um dos motivos porque eles deram tudo o que tinham como oferta. “Vendiam suas propriedades e bens, e os repartiam com todos, segundo a necessidade de cada um.” (At. 2:45). “Pois não existia nenhum necessitado entre eles; porque todos os que possuíam terras ou casas, vendendo-as, traziam o valor do que vendiam e o depositavam aos pés dos apóstolos. E se repartia a qualquer um que tivesse necessidade.” (At.4:34,35). Por isso, quando o profeta Ágabo, vindo de Jerusalém, profetizou que haveria uma grande fome no mundo, os irmãos resolveram mandar ajuda para a igreja da Judéia. “E os discípulos, cada um conforme  suas posses, resolveram enviar ajuda aos irmãos que habitavam na Judéia.”(At. 11:29). Posteriormente, o apóstolo Paulo teve de advertir as igrejas de que o retorno de Jesus não seria logo.

 “Irmãos, acerca da vinda de nosso Senhor Jesus Cristo e da nossa reunião com ele, vos pedimos que não mudeis facilmente o vosso modo de pensar nem fiqueis assustados por causa de espírito, palavra ou carta atribuídos indevidamente a nós, como se o dia do Senhor já estivesse bem perto. Ninguém vos engane de modo algum, pois isso não acontecerá sem que primeiro venha a apostasia e seja revelado o homem do pecado, o filho da perdição...” (II Ts. 2:1-3). 

Mas, agora, muito tempo já é passado, e convém que estejamos atentos para a vinda do Senhor Jesus Cristo. Fala-se por todo lugar, e muitos têm visões e sonhos a respeito do retorno de Jesus. Então, é preciso estar preparado, pois um dia ele virá, e por que não agora. Olhe para o mundo. Os homens perderam o controle da situação, e já é tempo de o céu intervir, como já aconteceu no dilúvio de Noé, onde o problema era a violência, e em Sodoma e Gomorra, onde o problema era o homossexualismo. Alguma semelhança com os dias atuais não é mera coincidência. Há um cálice de iniqüidade que precisa ficar cheio antes do transbordar da ira de Deus, em juízo. Esse cálice parece já estar quase transbordando. Mas o retorno de Jesus se dará para três tipos de públicos diferentes:

1.       PARA AS NAÇÕES  -  “Então aparecerá no céu o sinal do filho do homem, e todas as tribos da terra se lamentarão e verão o filho do homem vindo com poder e grande glória sobre as nuvens do céu.” (Mt.24:30).  Ele virá para ser visto por todas as tribos da terra, isto é, todas as nações. Nesse momento todo joelho se dobrará, e toda a língua confessará que Jesus Cristo é o Senhor, para a glória de Deus Pai. É sobre isso que o salmista fala “Beijai o Filho, para que ele não se irrite, e não sejais destruídos no caminho; porque em breve sua ira se acenderá. Bem-aventurados todos que confiam nele.” (Sl.2:12). Todas as tribos da terra se lamentarão, porque não reconheceram a tempo a autoridade e a importância de Jesus. Paulo também escreveu sobre isso ao dizer “quando o Senhor Jesus se revelar do céu com seus anjos poderosos em chama de fogo, punindo os que não conhecem a Deus...Estes sofrerão como castigo a perdição eterna, longe da presença do Senhor e da glória do seu poder.” Então Jesus virá para as nações, para exercer julgamento e castigo, por não o terem glorificado, quando estava ausente.

2.       PARA A NAÇÃO DE ISRAEL  -  “Ele vem com as nuvens, e todo o olho o verá, até mesmo aqueles que o traspassaram, e todas as tribos da terra se lamentarão por causa dele. Sim. Amém.” (Ap. 1:7). Esse texto é quase idêntico ao de Mateus 24, pois também aqui todas as tribos da terra se lamentarão por causa dele. Só que aqui há um acréscimo na expressão “até mesmo aqueles que o traspassaram”. Essa expressão se refere ao fato Jesus ter tido as mãos e os pés traspassados, como diz o salmo 22:16 “transpassaram-me as mãos e os pés.” Só que quem traspassou as mãos e os pés de Jesus com os pregos ou cravos, foram os soldados romanos, e ainda furaram seu lado com uma lança. (Jo.19:34). Mas Deus creditou na conta dos judeus, os atos dos soldados romanos, pois foram os judeus que entregaram Jesus aos romanos, só não o matando eles mesmos, porque eram impedidos pela lei romana. É o mesmo princípio da co-autoria enunciado pelo profeta Natan a Davi: “Tu mataste à espada  Urias, o heteu, e tomaste para ti a sua mulher; sim, tu o mataste com a espada dos amonitas.”(II Sm. 12:9).  Então, “os que o traspassaram” foram os judeus, ou a nação de Israel, que também se lamentarão, juntamente com as demais nações. O profeta Zacarias também viu aquele dia, pois registrou na sua profecia “Mas derramarei o espírito de graça e de súplica sobre a casa de Davi e sobre os habitantes de Jerusalém; eles olharão para aquele a quem traspassaram e o prantearão como quem pranteia por seu único filho; e chorarão amargamente por ele, como se chora pelo primogênito.” Israel lamentará por não ter reconhecido em Jesus, o seu Messias. Mas diferentemente das nações, Israel se converterá naquele dia, todos eles. Foi sobre isso que Paulo escreveu “e assim todo o Israel será salvo, como está escrito: O libertador virá de Sião e desviará de Jacó as impiedades; e esta é a minha aliança com eles quando eu tirar os seus pecados.” (Rm.11:26,27).

3.       PARA A IGREJA  -  “E Ele enviará seus anjos com um alto som de trombeta, os quais reunirão seus escolhidos desde os quatro ventos, de uma a outra extremidade do céu.” (Mt.24:31). Paulo também descreveu este acontecimento, dizendo “Porque o mesmo Senhor descerá do céu com alarido, e com voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus; e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro. Depois nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor no ares, e assim estaremos sempre com o Senhor.”(I Ts.4:16,17). Este texto mostra que o segundo advento, o arrebatamento da igreja, e a ressurreição dos justos, acontecerão no mesmo momento. A palavra “alarido” revela que o Senhor voltará num cenário de guerra. É o mesmo cenário de Ap. 19, que diz “E vi o céu aberto e eis um cavalo branco; e o que estava assentado sobre ele chama-se fiel e verdadeiro; e julga e peleja com justiça...E vi a besta, e os reis da terra, e os seus exércitos reunidos, para fazerem guerra àquele que estava assentado sobre o cavalo e ao seu exército...E a besta foi presa, e com ela o falso profeta... e vi as almas daqueles que foram degolados pelo testemunho de Jesus, e pela palavra de Deus, e que não adoraram a besta, nem a sua imagem...” Jesus voltará para a igreja, para ressuscitar seus mortos, e para transformar os vivos, e impedir que o anticristo e o falso profeta exterminem completamente a igreja, como já está acontecendo no Iraque. Em outro texto Paulo clareia mais este mistério: “Eis aqui vos digo um mistério: na verdade, nem todos dormiremos, mas todos seremos transformados. Num momento, num abri e fechar de olhos, ente e última trombeta; porque a trombeta soará, e os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados.” (I Co.15:51,52). Então Jesus voltará para as nações, para os judeus (Israel), e para a igreja. Você, com certeza, pertence a um desses grupos. Então, se prepare.

terça-feira, 19 de agosto de 2014

A LEI E A GRAÇA


Mt. 5:17-20

Vamos começar lembrando que não entraremos no reino de Deus por guardarmos a lei de Deus, dada a Moisés no monte Sinai, no Antigo Testamento, resumida nos Dez Mandamentos. Tiago diz “Porque qualquer que guardar toda a lei, e tropeçar em um só ponto, tornou-se culpado de todos.” (Tg.2:10). Paulo diz “porquanto pelas obras da lei nenhuma carne será justificada.” (Gl.2:16b). Então vamos dividir o assunto em três pontos:

1.       COMO ENTRAR NO REINO DE DEUS  -  “Porque eu vos digo que, se a vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus, de modo nenhum entrareis no reino dos céus.” Veja que Mateus escreveu “Porque a vós é dado conhecer os mistérios do reino dos céus...” (Mt.13:11) e Marcos escreveu “A vós vos é dado saber os mistérios do reino de Deus...” (Mc.4:11). Então a conclusão é que a expressão “reino dos céus e” e “reino de Deus” são sinônimas, sendo que Mateus usa a primeira porque está escrevendo aos judeus, e estes tem medo de usar o nome o nome Deus, por causa do mandamento de não tomar o nome de Deus em vão. Mas como entrar no reino de dos céus ou de Deus? Paulo diz “pela graça sois salvos, por meio da fé, e isto não vem de vós, é dom de Deus.” (EF.2:8). E Gn. 15:6 diz “E creu Abrão em Deus, e isto lhe foi imputado como justiça.” E Ap. 21:27 diz “E não entrará nela coisa alguma que contamine, e cometa abominação e mentira; mas só os que estão inscritos no livro da vida do Cordeiro.” Está se referindo â nova Jerusalém. O certo é que não entrará no reino de Deus pecado, que é crime espiritual, ou transgressão da lei de Deus. O remédio para isso se chama Justificação, que demanda justiça, e deriva de uma visão jurídica da salvação. Outras figuras são usadas na Bíblia para falar do mesmo assunto, e temos de identificar que tipo de linguagem está sendo usada, para não fazermos confusão. Uma figura que é usada é a da morte e ressurreição (Rm.6:4), e da plantação (Rm.6:5), da crucificação (Rm.6:6). Mas tem também a figura do novo nascimento, que o próprio Jesus usa em Jo. 3:3,5 “Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus...Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus.” Os escribas e fariseus não podiam entrar no reino porque procuravam entrar por guardar a lei. A lei dizia “Faze estas coisas, e por elas viverás”, mas a graça diz “O justo viverá pela fé”. Mas “nascer da água” é o batismo nas águas, e “nascer do Espírito” é o batismo no Espírito Santo. Jesus disse “quem crê e for batizado será salvo”. Quando os apóstolos começaram a pregar, todos eles, a exemplo de João Batista e Jesus, exigiram o arrependimento, como primeiro passo para se entrar no reino de Deus. “Arrependei-vos, e sede batizados em nome de Jesus Cristo para perdão dos pecados...” (At.2:38). Então, três palavras são usadas: Perdão dos pecados(At. 2:38); apagados os pecados (At.3:19); lavados os pecados (At. 22:16). Perdoar, apagar, e lavar, são palavras fortes para mostrar a maneira como Deus lida com o pecado humano. Tudo isso se chama Justificação, que é o termo jurídico e teológico. Tudo isso envolve fé, e precisamos entender que fé não um mero assentimento como o levantar de mão, mas se submeter ao plano de Deus, obedecendo a cada uma dessas etapas. Mas observe que, na sequência de cada um dos textos de Atos, que fala da justificação, segue-se o recebimento do Espírito Santo, também chamado de batismo no espírito Santo, que é a doutrina da santificação. Então, para entrar no reino de Deus não é preciso guardar a lei, mas crê no que Jesus fez, e se submeter a isso, mediante arrependimento e batismo. Esses dois passos são decisão humana, mas o batismo no Espírito Santo é decisão de Deus, que vê o coração, e sabe se você creu de todo coração. (At.8:37). Hebreus 6:1 chama esses dois passos iniciais de “arrependimento de obras mortas e fé em Deus.” Jesus disse que se alguém não nascer da água e do espírito, não pode entrar no reino de Deus. Procure entrar, pois Jesus disse “Porfiai por entrar pela porta estreita; porque eu vos digo que muitos procurarão entrar, e não poderão.” (Lc. 13:24). Não vai ser fácil. Jesus disse mais “entre os que de mulher têm nascido, não apareceu alguém maior do que João Batista, mas aquele que é o menor no reino dos céus é maior do que ele. E, desde os dias de João Batista até agora, se faz violência ao reino dos céus, e pela força se apoderam dele.” Mas já estamos dentro do reino, sem cumprir a lei. Mas, e agora, para serve a lei?

2.       OS QUE VIOLAM A LEI DENTRO DO REINO  -  “Qualquer pois que violar um destes mais pequenos mandamentos, e assim ensinar aos homens, será chamado o menor no reino dos céus.” Se a lei não serve para nos colocar dentro do reino, mas a fé, agora que já estamos dentro, a lei tem o seu papel a cumprir. Em primeiro lugar, não diz que perde a salvação, quem transgride a lei, dentro do reino. Mas o que diz é que ocupará um lugar inferior, ou seja, o status dentro do reino de Deus, é concedido na proporção do cumprimento da lei. E não é só cumprir, mas também ensinar. Tem lógica, pois Hb. 8:8-12, citando Jeremias 31:31, diz “Dias virão em que estabelecerei  com a casa de Israel e com a casa de Judá uma nova aliança...Porei as minhas leis na sua mente e as escreverei no seu coração...” o homem natural não pode deixar de se irar, nem de olhar para uma mulher sem cobiçá-la, mas o crente cheio do Espírito de Deus pode. Paulo escreveu “Porque a lei do espírito de vida, em Cristo Jesus, te livrou da lei do pecado e da morte.” (Rm. 8:2). Se a lei reflete o caráter de Deus, o filho de Deus, redimido, reflete o caráter da lei em sua conduta. Quando Ef. 2:8,9 diz que o homem não será salvo (justificado) pelas obras (da lei), acrescenta no verso dez “Pois fomos feitos por Ele, criados em Cristo Jesus para as boas obras (da lei), previamente preparadas por Deus para que andássemos nela.” Não somos salvos pelas obras (da lei), mas para as boas obras (da lei). Paulo diz mais “O amor não faz mal ao próximo. De modo que o amor é o cumprimento da lei.” (Rm.13:10). E mais “o amor de Deus foi derramado em nosso coração pelo Espírito Santo que nos foi dado.” (Rm.5:5). Jesus também diz “Portanto, tudo o que quereis que os homens vos façam, fazei também a eles; porque esta é a lei e os profetas.” (Mt.7:12).

3.       OS QUE CUMPREM A LEI DENTRO DO REINO  -  “aquele, porém, que os cumprir e ensinar será chamado grande no reino do céu.” No livro de Esdras está escrito o seguinte: “Porque Esdras tinha-se disposto no coração a estudar a lei do Senhor e a praticá-la, e a ensinar em Israel os seus estatutos e normas.” Esdras era sacerdote, descendente do sumo sacerdote Arão, e nessa condição era um tipo e figura do crente do novo Testamento. Se Esdras já tinha sido justificado pela fé, isto é, já estava dentro do reino de Deus, adotou a atitude certa em estudar, praticar, e ensinar a lei de Deus, embora estivesse no regime da velha aliança. Jesus disse que quem cumprir a lei, dentro do reino de Deus, e assim ensinar aos homens, será chamado grande no reino de Deus. A lei não serve para justificar o homem, mas para, depois de justificado pela fé, dar balizamentos de como é o caráter de Deus, e tentar imitá-lo. “Meus filhinhos, estas coisas vos escrevo, para que não pequeis; e, se alguém pecar, temos um advogado para com o Pai, Jesus Cristo, o Justo. No regime da lei não tem advogado, mas no da graça tem. O crente, porém, que aprendeu a lidar com o pecado para a justificação, tem de aprender a lidar com o mesmo pecado, para a santificação. O pecado não deve ser uma constante na vida do crente, mas um acidente, uma exceção. João diz “Se dissermos que não temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos, e não há verdade em nós.” (I Jo. 1:8). Então, temos de nos examinar constantemente para ver se tem algum pecado em nós. “Se dissermos que não temos pecado, fazemo-lo mentiroso, e a sua palavra não está em nós.” Se constatarmos algum pecado em nós, o caminho é semelhante ao do princípio. “Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo, para nos perdoar os pecados(justificação) e nos purificar de toda a injustiça (santificação).” (I Jo. 1:9). A confissão demonstra arrependimento, e deve ser feita a Deus, ou a um outro ser humano. Então não despreze a lei, pois embora ela não sirva para nos justificar, nem para nos colocar dentro do reino de Deus, uma vez dentro, ela serve para alcançarmos galardão dentro do reino. Um estrangeiro que quer ser cidadão brasileiro, não o conseguirá por cumprir a lei do Brasil, mas por outro processo. Todavia, uma vez se tornando cidadão brasileiro, está obrigado a cumprir a lei do país, sob pena de ser punido, ainda que possa não ser expulso.

terça-feira, 29 de julho de 2014

POR QUE JESUS MORREU?


PELA  NAÇÃO DE ISRAEL

Em João 11:49-51, o sumo sacerdote Caifás profetizou que Jesus morreria pela nação de Israel. Como é uma profecia biblicamente confirmada, foi Deus quem falou pela boca de Caifás, e revelou uma verdade que ele não poderia saber de modo natural, uma vez que não cria que Jesus era o Messias. 

Numa leitura superficial passa despercebida a importância dessa profecia, mas quando paramos para refletir no seu significado, podemos ficar admirados. Nação é ETNOUS, raça, povo, etnia, no caso a nação dos judeus. O centurião romano de Cafarnaum, enviou a Jesus alguns líderes judeus, para pedir-lhe que lhe curasse o servo, e lhe disseram: “Ele é digno de que lhe concedas isso; porque ama a nossa NAÇÃO e ele mesmo construiu para nós a sinagoga.” (Lc. 7:1-10).  Jesus atendeu o pedido. O centurião amava a nação dos judeus. 

Quando estava preso em Roma, o apóstolo Paulo, falando com os líderes judeus da cidade, disse: “Mas opondo-se a isso os (líderes) judeus, vi-me obrigado a apelar para César, não tendo, contudo, nada de que acusar a minha nação.” (At. 28:19).  Mesmo sabendo que os líderes judeus de Jerusalém estavam errados, Paulo não quis acusar a sua nação, sabendo que não era uma nação qualquer. Em outro texto, Paulo prossegue, falando da nação de Israel: “Que são Israelitas, dos quais é a doção de filhos, e a glória, e os concertos, e a lei, e o culto, e as promessas; dos quais são os pais, e dos quais é Cristo segundo a carne, o qual é sobre todos, Deus bendito eternamente.” (Rm. 9:4,5). 

Jesus não morreu pelo Brasil, nem pela Bolívia, nem pelos EUA, nem pela Arábia, nem pela Palestina, como nação, etnia ou povo. Se assim é, a guerra entre Israel e a Palestina, não coisa simples. Deus está envolvido nisso. Aliás, Deus tem um compromisso com a nação de Israel, que não tem com nenhuma outra. Porém, nós outros, podemos ter acesso ao reino de  Deus, de forma individual, incluídos no mandato de Jesus “Fazei discípulos de todas as nações” e “pregai o Evangelho a toda criatura”, mediante a fé no Messias judeu, Jesus de Nazaré. 

Os brasileiros, os bolivianos, os americanos, ao árabes, os palestinos, deveremos estar incluídos na multidão que João viu em Apocalipse: “Depois destas coisas olhei, e eis aqui uma multidão, a qual ninguém podia contar, de todas as nações, e tribos, e povos, e línguas, que estavam diante do trono, e perante o Cordeiro, trajando vestidos brancos e com palmas nas mãos.”(Ap.7:9). Essa é a contribuição das nações para o reino de Deus. Mas não é o caso da nação de Israel, pois dela está escrito, no mesmo capítulo 7 de Apocalipse: “E ouvi o número dos assinalados, e eram cento e quarenta e quatro mil assinalados, de todas as tribos dos filhos de Israel.” (Ap.7:4-8). Segue-se os nomes das doze tribos dos filhos de Jacó, de onde vem as doze tribos que formam a nação de Israel. Doze mil de cada tribo, totalizando cento e quarenta e quatro mil.

A guerra entre Israel e o Hamás passa por esse entendimento. O Hamás não aceita a existência da nação de Israel naquela terra. Porém, se Deus está cumprindo a sua palavra de restaurar a nação, o preço pela nação já foi pago. Jesus já morreu por ela. Então é suicídio se meter numa briga dessa. O Hamás pode estar como os antigos judeus, ao perseguir a Igreja judaica, lutando contra Deus, mesmo sem saber, como disse o rabino Gamaliel. “E agora digo-vos: Daí de mão a estes homens, e deixai-os, porque, se este conselho ou esta obra é de homens, se desfará, mas, se é de Deus, não podereis desfazê-la; para que não aconteça serdes também achados combatendo contra Deus.” (At. 5:38,39).

COMO NÃO SE DESVIAR


1.       DANDO OUVIDOS À CONSCIÊNCIA
Em I Tm. 1:19 Paulo diz “Conservando a fé, e a boa consciência, rejeitando a qual alguns fizeram naufrágio na fé” e em 1:5 “Ora o fim do mandamento é o amor de um coração puro, e de uma boa consciência, e de uma fé não fingida.” A consciência é a voz de Deus falando conosco, e bem fazemos em lhe dar ouvidos. O pecado embruteceu a consciência do homem, mas o Espírito Santo a ativa.

2.       Em I Tm. 4:1 Paulo diz “Mas o Espírito expressamente diz que nos últimos tempos alguns apostatarão da fé, por darem ouvidos a espíritos enganadores, e a doutrina de demônios.” A atuação dos demônios se conhecerá pela doutrina. A apostasia dos últimos dias será pelo ensino de espíritos enganadores. Estamos numa época em que a experiência religiosa é enfatizada em detrimento da doutrina religiosa. A Bíblia fala de sã doutrina em oposição à falsa doutrina. As pessoas que estão adotando o falso ensino dos demônios, estão sendo enganadas e precisam ser advertidas. Paulo prossegue “Pela hipocrisia de homens que falam mentiras, tendo cauterizada a própria consciência.” (I Tm.4:2). A falsa doutrina é  “proibindo o casamento” (Igreja Católica), e “ordenando a abstinência de alimentos” (Adventismo). A consciência cauterizada fica insensível, e não pode o alarme do perigo.

3.       Em I Tm.6:10 Paulo diz “Porque o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males e nessa cobiça alguns se desviaram da fé, e se traspassaram a si mesmos com muitas dores.” Não é o dinheiro que é o mal, mas o amor ao dinheiro. O dinheiro em si é neutro. Jesus disse que não podemos servir a Deus e a Mamom. O amor ao dinheiro é chamado de avareza, que é idolatria. Porque o dinheiro pode se tornar um ídolo, um  deus na vida da pessoa que o serve. O diabo conhece o poder sedutor do dinheiro na vida das pessoas, e não perde tempo em tentar seduzi-las com esse poder. Jesus disse “Buscai em primeiro lugar o reino de Deus e a sua justiça, e todas estas coisas serão acrescentadas.” (Mt.6:33). (“Estas coisas” são comida, bebida e roupa). Dinheiro é bom, desde que seja ganho de maneira legítima, e seja usado de maneira justa.

4.       Em I Tm.6:20,21 Paulo diz “Ó Timóteo, guarda o depósito que te foi confiado, tendo horror aos clamores vãos e profanos e às oposições da falsamente chamada ciência; a qual professando-a alguns, se desviaram da fé.” Estamos numa geração em que quase todo o conhecimento é chamado de científico, para dar legitimidade. A Bíblia é tratada com desprezo, seu conteúdo como mito, lendas e superstição, embora tanto a ciência quanto a tecnologia, tenham sido inspiradas por ela, e produzido a civilização ocidental. Um bom exemplo é a teoria da evolução, “uma hipótese de laboratório”, segundo o próprio Darwin, que é chamada de científica, embora esteja desacreditada em boa parte do mundo civilizado. Não é a religião que é a Palavra de Deus, mas a Bíblia. A má interpretação da Bíblia é que tem dado munição para os céticos, como no caso de Galileu. A igreja estava errada, mas não a Bíblia. A pseudo ciência é que é o perigo. A verdadeira ciência é de Deus, pois ela consiste em descobrir o que Deus criou e escondeu. Então temos de crer no que a Bíblia, corretamente interpretada, diz, e não no que dizem pessoas que têm um posição a priori.

5.       Em II Tm. 2:18 Paulo diz “Os quais se desviaram da verdade, dizendo que a ressurreição era já feita, e perverteram a fé de alguns.” Heresia é como isto se chama. Essa dizia que a ressurreição já havia ocorrido. Essa heresia pode estar sendo ensinada em nossos dias, mas, não somente ela, porém, também muitas outras. Antigamente havia uma disciplina chamada de Heresiologia, mas hoje nem sei se ainda existe. No afã de crescimento numérico e de ter experiências espirituais, ambas aspirações legítimas, a igreja pode se descuidar, e adotar várias heresias, que levem alguns a se desviarem e perverterem a fé de outros. Então temos de cuidar de conferir o ensino e as doutrinas, cuidadosamente pela Bíblia, e não somente pela sua funcionalidade, ou seja, se funciona, isto é, se trouxer resultados, eu adoto.

6.       Em II Tm. 4:4  Paulo diz “E desviarão os ouvidos da verdade voltando às fábulas.” Esses são os que desejarão ouvir coisas agradáveis, e reunirão doutores que lhes digam essas coisas. Se o pregador disser somente coisas agradáveis de ser ouvidas, a multidão virá, mas se disser coisas que o povo não se agradar, não virá. É claro que o Evangelho é Boas Notícias, Boas Novas, mas também é um ultimato da parte de Deus, para que o homem se arrependa e obedeça a Ele. Deus é um Pai responsável, que nos elogia e abençoa quando lhe obedecemos, mas também nos repreende e castiga quando lhe desobedecemos. O pregador deve dizer coisas agradáveis, quando for o caso,  mas também dizer coisas desagradáveis, quando for necessário, sob pena de prevaricar. O crente sincero, ao ouvir coisas desagradáveis, palavras de correção, deve se arrepender, e agradecer a Deus pelo aviso, e voltar à verdade, deixando as fábulas.

segunda-feira, 30 de junho de 2014

SOTERIOLOGIA, A DOUTRINA DA SALVAÇÃO


“Porque eu não tenho falado de mim mesmo; mas o Pai, que me enviou, ele me deu mandamento sobre o que hei de dizer e sobre o que hei de falar. E sei que o seu mandamento é a vida eterna. Portanto, o que eu falo, falo como o Pai mo tem dito.” (João 12:49,50).

Diante do texto acima, eu quero falar sobre a doutrina da salvação, pois, lendo um livro sobre o assunto, vejo que não é um tema pacífico, mas existem muitos conceitos a respeito do mesmo, cada um afirmando que está baseado na Bíblia. Ao longo da minha vida cristã, a maior parte na Convenção Batista Brasileira, percebi que cada denominação ou seguimento da igreja evangélica, afirma que a Bíblia é sua regra de fé e prática. É assim, pelo menos, no seguimento chamado de  igrejas tradicionais. Na Igreja Católica, salvo engano, além da Bíblia, também tem a Tradição Eclesiástica (a interpretação dos seus teólogos ou a Patrística) tem peso de autoridade igual à escritura. No Movimento Pentecostal e no Neopentecostal,  (se eu estiver errado me corrijam) os pronunciamentos proféticos e outras revelações extra-bíblicas, têm também grande peso de autoridade. Mas com respeito à afirmação de que a Bíblia é a única regra de fé e prática, tenho percebido que dificilmente é verdade. Cada grupo adota como regra de fé e prática a sua própria tradição religiosa,  ignorando solenemente o que diz a Bíblia.

Voltando ao versículo do cabeçalho, Jesus afirma que o que ele falava era exatamente o que o Pai havia lhe mandado falar. Ele não se sentia com liberdade para mudar o que o Pai lhe tinha mandado falar. Do mesmo modo, nós também não temos esse direito de mudar as palavras que Jesus nos mandou falar.  É verdade que a interpretação da Bíblia não é fácil. Tem assuntos que são controversos, e temos de ter a humildade de reconhecer que podemos laborar em erro, e não assumir uma postura dogmática. Os nossos antepassados podem ter errado também na interpretação. Tem um autor que usa como referencial o Comitê de Lausane e os reformadores, com a sua Solla Scriptura. Mas nem os reformadores do século XVI  nem os signatários do Pacto de Lausane eram infalíveis na interpretação da Escritura. Eles fizeram o melhor que puderam no seu tempo e nós temos de fazer o melhor que pudermos no nosso.

Diante do exposto, quero olhar para a Escritura crendo que o mesmo Espírito que inspirou os nossos antepassados nos inspira, tentar descobrir o que é mesmo a doutrina da salvação. Quero começar com o Dia de Pentecoste. Depois do discurso de Pedro, o povo que o ouviu perguntou: “QUE FAREMOS, HOMENS IRMÃOS?” Respondendo Pedro disse:

1.       Arrependei-vos;
2. E cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para perdão dos pecados;
3. E recebereis o dom do Espírito Santo. (At.2:37,38).

 Em Atos 3:19, não consta nenhuma  pergunta do povo, mas a declaração de Pedro é semelhante a que foi dada em At. 2:38:
1.      Arrependei-vos; 
2. e convertei-vos, para que sejam apagados os vossos pecados; 
3.  e venham assim os tempos de refrigério pela presença do Senhor. (At.3:19).

     Observe que At. 2:38 e 3:19, dizem a mesma coisa com palavras diferentes. É como se a pergunta de 2:37 estivesse implícita em 3:19. Mas vamos continuar a questão da pergunta. Em At.16:30, o carcereiro pergunta a Paulo e Silas: “SENHORES, QUE É NECESSÁRIO QUE EU FAÇA PARA ME SALVAR?” Pela lógica, a resposta de Paulo e Silas deveria ter sido a mesma de Pedro em 2:38 e 3:19, mas não foi. Eles disseram: “Crê no Senhor Jesus Cristo e serás salvo, tu e a tua casa.” (At.16:31). Podemos dizer, então, que crer no Senhor Jesus Cristo significa tudo o que Pedro disse em Atos 2:38 e 3:19. Paulo e Silas disseram de maneira genérica, e Pedro disse de forma específica.  Um de forma abreviada, outro de forma distendida. Mas vamos observar a questão da pergunta. Em At. 9, quando Saulo é abordado pelo Cristo ressuscitado, no caminho de Damasco, Saulo pergunta: “SENHOR, QUE QUERES QUE FAÇA?” Pela lógica,  Jesus deveria ter dito a ele o mesmo que Pedro em 2:38 e 3:19, ou, pelo menos, o que Paulo e Silas disseram ao carcereiro, em 16:31. Mas não foi o que ele fez.  Ele disse: “Levanta-te, e entra na cidade; e lá te será dito o que te convém fazer.” (At.9:6). Sabemos que Jesus chamou Ananias, e o mandou ao encontro de Saulo. Não sabemos tudo o que Ananias disse a Saulo, mas pode ter sido o mesmo que Pedro disse em 2:38 e 3:19, pois em At.  22:16, está registrado que Ananias disse: “E agora, por que te demoras? Levanta-te, e batiza-te, e lava os teus pecados, invocando o nome do Senhor.” Parece um reflexo de At. 2:38 e 3:19. 2:38 fala de perdoar os pecados; 3:19 fala de apagar os pecados; e 22:16 fala de lavar os pecados. Tanto em 2:38 quanto em 22:16 isso é feito por meio do batismo. E em 3:19, o batismo está implícito. Em Hebreus 6:1,2 onde o autor enumera seis doutrinas elementares da vida cristã, ele começa com:

1.       Arrependimento de obras mortas;    
2. Fé em Deus;    
3. A doutrina dos batismos;  
4. E da imposição de mãos. 

Essas são as doutrinas iniciais, pois ressurreição dos mortos e juízo eterno, só acontecerão no final. Mas para chegar nessas duas finais, a pessoa precisa entrar no caminho por meio dessas quatro iniciais.

           Mas, retornando à questão da pergunta sobre a salvação, em I Pe. 3:15, Pedro escreve: “Antes santificai a Cristo, como Senhor, em vossos corações; e estai sempre preparados para RESPONDER com mansidão e temor a qualquer que vos pedir a razão da esperança que há em vós.” Devemos refletir nessa repetição da pergunta que é feita com respeito a salvação. A propósito, algum crente colocou uma faixa numa das ruas da cidade dizendo “CRISTO É A RESPOSTA”.  E alguém escreveu em baixo jocosamente “SIM, MAS QUAL É A PERGUNTA?” E Provérbio 18:13 diz “Responder antes de ouvir, é estultícia e vergonha.” Tem muito crente querendo responder ao descrente, sobre a salvação, sem que este lhe tenha perguntado. Mas para perguntar, os de fora têm de ver algo diferente no crente. A multidão viu algo diferente em Pedro, antes de perguntar sobre a salvação; o carcereiro viu algo diferente em Paulo e Silas, antes de perguntar; Saulo viu algo diferente em Jesus, antes de perguntar. Eles têm de ver algo diferente em nós, antes de perguntar. Será isto: “Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros.” (Jo. 13:35).

     Em Marcos 16:15,16, Jesus diz: “Ide por todo o mundo, pregai a Evangelho a toda a criatura. Quem crer e for batizado, será salvo; mas quem não crê será condenado.” O perdão dos pecados vem depois do batismo, de acordo com At. 2:38; 3:19; e 22:16. E ainda tem gente que pergunta se pode ser salvo sem se batizar. É o mesmo que perguntar se pode ser salvo sem ter os pecados perdoados. Mas alguém dirá “e o ladrão na cruz?” Pode esquecer esse argumento, pois a Grande Comissão foi dada por Jesus depois da sua ressurreição, depois que Ele recebeu toda a autoridade nos céus e na terra. Como as pessoas foram salvas antes de Pentecoste, não vem ao caso, pois como disse o cabeçalho deste artigo, devemos somente obedecer ao que Jesus mandou. Mas observe que tanto em Atos 2:38 quanto em 3:19 fala do recebimento do Espírito Santo, depois do Batismo.

Em 2:38 “e recebereis o dom do Espírito Santo”.  E em 3:19 “E venham assim os tempos do refrigério pela presença do Senhor.” E ainda em At.9:17, Ananias diz a Saulo que Jesus o enviou a ele “para que tornes a ver e sejas cheio do Espírito Santo.” A sequência se impõe. Crer em Jesus significa: 1. Arrependimento; 2. Batismo  em nome de Jesus para perdão dos pecados;   3. Recebimento do Espírito Santo ou batismo no Espírito Santo. Em João 3:3 Jesus diz que quem não nascer de novo (regeneração) não pode ver o reino de Deus, e no v.5 ele diz que quem não nascer da água e do Espírito não pode entrar no reino de Deus. Durante muito tempo fui ensinado que o nascimento da água era o nascimento da Palavra de Deus, como Tiago ensina (outro contexto). Depois de muito tempo percebi que o nascimento da água era o batismo nas águas, pois está mais de acordo com o contexto imediato. Talvez a dificuldade de reconhecer isto se deva à teologia anti-católica que foi adotada por seguimentos evangélicos durante muito tempo. Mas tem coerência aqui, pois o nascimento da água é o batismo nas águas, naturalmente precedido de arrependimento, e seguido do recebimento ou batismo no Espírito Santo. O problema da igreja evangélica, é que quando a pessoa levanta a mão em um culto evangelístico, pensa-se que ela creu, e que, portanto, também foi batizada no Espírito Santo. É certo que o N.T. diz que a pessoa recebe o Espírito quando crer. (Ef.1:13). Mas é errado pensar que ela crê quando levanta a mão.  É crer com o coração –Rm.10:9,10- e lembre o que Deus disse ao profeta Samuel “o homem vê o que  está diante dos olhos, porém o Senhor olha para o coração.” (ISm.16:7).  Nós podemos ver o levantar de mão, podemos ver a pessoa se batizar, mas o coração é enganoso. Só Deus pode ver o que está dentro dele. Quando a pessoa, de fato crê, Deus lhe dá o espírito Santo. Lembre também que crer é obedecer.(Hb.5:9).

Normalmente, o batismo é o primeiro ato de obediência. Digo normalmente, porque em Atos 10:44, os gentios receberam o Espírito Santo antes de serem batizados. É uma exceção, pois a norma é Atos 2:38, e se justifica pelo contexto. E em Atos 8:1-17, os samaritanos foram batizados nas águas, mas só receberam o Espírito Santo depois que os apóstolos Pedro e João oraram por eles, e lhes impuseram as mãos. Mas a ordem da salvação é; 1. Arrependimento;  2. Batismo em nome  de Jesus Cristo, para perdão dos pecados;  3. Recebimento ou batismo no Espírito Santo. Creio que o Espírito Santo atua na pessoa, do lado de fora, dando-lhe luz para que ela possa usar o seu livre-arbítrio, e se arrependa, e depois seja batizada. Deus toma a iniciativa dando a iluminação, mas compete à pessoa se submeter, é uma decisão dela, tanto o arrependimento, quanto ao batismo nas águas, e seguir procurando obedecer a Deus. Mas o batismo no Espírito Santo é Deus quem decide quando dá. Na verdade é Jesus quem batiza no Espírito Santo, pois só Ele pode ver o coração, e o nível de fé e obediência. Mas o crente pode orar, pedindo. Também pode receber a imposição de mãos dos  líderes cheios do Espírito Santo, para receber, como vemos várias vezes no livro de Atos.

sábado, 21 de junho de 2014

A PARÁBOLA DAS DEZ MINAS

Lucas 19:11-27

 Esta parábola tem a mesma moral da parábola dos talentos em MT. 25:14-30. tem  a ver com a volta de Jesus e com o que a igreja deve ficar fazendo enquanto ele estiver ausente. A mina era uma moeda de ouro grega que valia cerca de três meses de trabalho. Porém,  precisamos saber o seu significado espiritual dentro da parábola. 

Vamos considerar o capítulo 15 de Lucas para podermos entender o sentido espiritual das minas. Lucas 15, a exemplo de Mateus 25, conta duas parábolas, e uma terceira que explica as duas primeiras. A  trindade aparece aqui. o filho é um pastor de ovelhas, o espírito santo é uma mulher que tem dez moedas,e  o pai é um pai de família que tem dois filhos. A riqueza do pastor são as ovelhas, a da mulher são as moedas, e a do pai, os filhos. 

A ovelha perdida fora do redil representa o filho mais novo, perdido fora de casa; a moeda perdida dentro de casa, representa o filho mais velho, perdido dentro de casa. o filho mais novo representa os pecadores perdidos fora da igreja, e o filho mais velho representa os pecadores perdidos dentro da igreja. Eu creio que as minas representam pessoas. Os dez servos, assim como as dez virgens, representam dez discípulos a quem foi dada a salvação. 

O primeiro conseguiu repassar essa salvação para dez pessoas. O segundo conseguiu repassar a salvação para cinco pessoas. O terceiro não repassou a salvação para ninguém. Por isso o senhor disse: “tirai-lhe a mina, e dai-a ao que tem dez minas.” (v.24). ou seja, a salvação que ele tinha no começo lhe foi tirada. Perdeu a salvação. isso me faz lembrar de dois crentes, dois pastores, que disseram que não se importavam em receber galardão, mas tão somente em ser salvos. Não somos nós quem decide isso. Quem pensa assim pode não estar salvo, ou, pelo menos, não permanecerá salvo até o fim.

Mas precisamos saber o que a igreja deve ficar fazendo enquanto Jesus está ausente. Ele disse aos servos: “negociai até que eu venha”. (v.13). e no verso 15, quando o senhor voltou, mandou chamar os servos, para saber o que cada um tinha ganhado, “negociando”.se o sentido das minas fosse literal, o negócio da igreja, durante a ausência de Jesus, seria ganhar dinheiro. E parece que algumas entenderam dessa maneira, a julgar pelas suas atitudes. mas não é esse o sentido. o negócio da igreja é ganhar vidas, almas, pessoas, repassando a salvação para elas. Jesus disse “fazei discípulos”. e a maneira de fazer isso é pregando o evangelho. Jesus disse “pregai o evangelho a toda criatura”. Esse é o negócio da igreja. As minas que ele vai requerer quando voltar são pessoas salvas, discípulos. Fora do negócio de ganhar almas, fazer discípulos de Jesus,  fora disso, é distração do diabo.

          Mas também há outra coisa nesta parábola que precisamos atentar. Quando o senhor retornou e prestou contas com os servos, ele deu a recompensa para o primeiro nos seguintes termos: “SOBRE DEZ CIDADES TERÁS AUTORIDADE”. E para o segundo Ele disse: “SÊ TU TAMBÉM SOBRE CINCO CIDADES”. Isto é poder temporal, poder político, isto é o Estado. Essa esfera de poder Jesus vai dar como recompensa aos servos que forem fiéis no cumprimento da missão de fazer discípulos durante a sua ausência. É por esse tipo de poder que os homens e mulheres dão a vida ou tiram vidas, se digladiam, e lutam para se perpetuar nele. Mas essa não é a missão da igreja nesta dispensação da graça. Aliás, no início da parábola, no v.11, é dito que Ele contou essa parábola porque o povo que o ouvia pensava “que logo se havia de manifestar o reino de Deus”. Ou seja, na esfera política. É interessante que no verso 10, logo após a salvação de Zaqueu, Ele diz: “Porque o Filho do homem veio buscar e salvar o que se havia perdido.” Embora alguns hoje achem que o que se havia perdido era o Mandato de Domínio que adão perdeu, me parece mais que Jesus se refere à salvação de Zaqueu, que estava perdido antes de se encontrar com Jesus, bem como todos os seres humanos, que como ele, também estão perdidos. A missão da igreja é achá-los, e providenciar para eles um encontro com Jesus. Ele disse “Quem crer e for batizado será salvo; quem não crer será condenado”. Mas se a igreja acha que o reino de Deus vai se manifestar logo, tentará tomar a autoridade política, achando que está fazendo o certo. Os primeiros discípulos também pensavam assim, pois disseram a Jesus “Senhor, restaurarás tu neste tempo o reino a Israel?” (At. 1:6). E Jesus respondeu: “Não vos pertence saber os tempos ou as estações que o Pai estabeleceu pela sua própria autoridade. Mas recebereis poder ao descer sobre vós o espírito Santo e me sereis testemunhas, tanto em Jerusalém, como em toda a Judéia e Samária, e até os confins da terra.” (At. 1:7,8). Ele disse então que o poder temporal, político, não é competência da igreja, mas testemunhar de Jesus. Ainda em Apocalipse Jesus diz: “E ao que vencer, e guardar até ao fim as minhas obras, eu lhe darei autoridade sobre as nações. E com vara de ferro as regerá; e serão quebradas como vaso de oleiro; como também recebi de meu Pai.” Ap. 2:26,27). A tentação para conquistar o poder temporal, é para não sofrer perseguição. Mas até quando vamos conseguir evitá-la? Afinal nos é dito que “E também todos os que piamente querem viver em Cristo Jesus padecerão perseguições.” (II Tm. 3:12). Mas é melhor não se  queimar com Deus e obedecer a Ele, do que querer evitar a perseguição a qualquer custo, pois “Se Deus é por nós quem será contra nós?”. Paulo ainda diz “PORQUE A NOSSA LEVE E MOMENTÂNEA TRIBULAÇÃO PRODUZ PARA NÓS UM PESO ETERNO DE GLÓRIA MUI EXCELENTE.” (II Co.4:17). Pedro também diz que Deus...”DEPOIS DE HAVERDES PADECIDO UM POUCO, Ele mesmo vos aperfeiçoará, confirmará, fortificará e fortalecerá.” (I Pd.5:10).